02/03/2024 - Edição 525

Ponte Aérea

Gaza: Guernica contemporânea

Raphael Tsavkko Garcia fala do som desesperador das sirenes

Publicado em 12/12/2023 12:51 - Raphael Tsavkko Garcia

Divulgação Victor Barone - Midjourney

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Em 26 de abril de 1937, a cidade basca de Gernika foi impiedosamente bombardeada pela Legião Condor nazista. Entre 300 e 400 pessoas morreram (em uma cidade com cerca de 5 a 7 mil habitantes). A obra Guernica, de Picasso, retrata o horror daquele dia.

Ao visitar o Bakearen museoa, ou Museu da Paz, em Gernika, você entra em uma sala sem janelas. As portas se fecham, as luzes se apagam e você começa a ouvir os sons de um mercado de rua movimentado. Vozes, conversas, alegria. Apenas um dia normal em uma pequena cidade – também o coração da identidade basca, onde está, há séculos, a Árvore de Gernika.

De repente, a paz é quebrada. Você ouve gritos. O som de aviões se aproximando e, em seguida, bombas. Inúmeras bombas, gritos de desespero, luzes piscando, explosões… O som da guerra e dos civis sendo massacrados. Depois de alguns segundos (para mim, parecia uma eternidade), silêncio total. As luzes são acesas e você olha para o chão onde há objetos pessoais espalhados por toda parte, meio queimados, destruídos.

Foi uma das experiências sensoriais mais poderosas de minha vida.

Foi impossível não chorar e sentir o desespero daqueles que foram massacrados pelos aviões de Hitler como parte da tomada da Espanha por Franco durante a Guerra Civil Espanhola. Já se passaram mais de 10 anos, mas ainda me lembro dos sons e de como me senti mal. O desespero que senti. Imagine ser bombardeado, ter sua vida destruída, seus familiares mortos e seus entes queridos massacrados.

Não havia soldados em Gernika. Havia apenas civis.

Portanto, você pode imaginar como foi forte ver o protesto, em Gernika, contra o genocídio perpetrado por Israel em Gaza. Uma bandeira palestina, um pedaço de Guernica e o som desesperador das sirenes.

O povo basco conhece a guerra. Eles conhecem o sofrimento. Eles conhecem a opressão e as muitas tentativas de fazê-los desaparecer. A solidariedade é a única resposta. A paz é o único objetivo. #PalestinaLIVRE

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Raphael Tsavkko Garcia


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