21/02/2024 - Edição 525

Brasil

Material escolar fica até 35% mais caro neste ano

Publicado em 05/01/2016 12:00 -

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Além de impostos como IPTU e IPVA, o início de um novo ano no Brasil também é marcado por alguns gastos tradicionais à época, como a compra de material escolar.

Neste ano, os preços dos artigos escolares estão até 35% mais caros que no ano passado, segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares e de Escritório (ABFIAE).

De acordo com a entidade, a valorização do dólar ante o real, que atingiu 49% em 2015, é o principal motivo da alta nos preços. "Mochilas, estojos e lancheiras irão subir mais porque são importados e, por isso, afetados rapidamente pela alta do dólar", diz Rubens Passos, presidente da ABFIAE.

Segundo Passos, o aumento médio, que deverá ficar em 10%, só não é maior pois os produtores estão segurando o repasse ao consumidor.

"Os produtos fabricados aqui vão subir menos agora, pois se o reajuste for repassado de uma vez só, ninguém mais compra ou vende os produtos aqui no país. Então os produtores estão segurando os repasses", afirma.

O presidente da ABFIAE explica que o impacto da alta da divisa americana poderá ser sentida nos preços até 2017.

"O papel, um dos principais insumos da indústria, é cotado em dólar. Com isso, os produtores já anunciaram aumentos superiores a 20% a partir de fevereiro. Então isso, com o tempo, vai encarecer ainda mais nosso produto e poderá afetar mais um ou dois anos", diz.

A projeção da entidade para este ano é que as vendas caiam 10% na comparação com 2015.

"Há uma expectativa de fechamento de vagas. O varejo não vem bem, as vendas caíram e sentimos muito a situação macroeconômica. Precisamos da retomada do crescimento no país para que nosso setor possa voltar a crescer também", conclui Passos.

A associação também reclama da alta tributação que incide sobre os produtos. Segundo a ABFIAE, artigos como canetas, apontadores e borrachas são taxados em até 43%, enquanto cadernos e lápis pagam 35% de impostos do total do preço.

"Material escolar no Brasil é tratado como bebida alcoólica", conclui Passos.

Como se Proteger

O consumidor pode contornar o aumento dos preços. De acordo com o educador financeiro Álvaro Modernell, há duas palavras básicas que devem ser adotadas nesse período: pesquisa e negociação.

"Não há como fugir da alta dos preços. Nós vemos que aqueles que conseguem fazer as compras com menor custo, são pessoas com paciência para pesquisar diferentes marcas e fornecedores para os produtos", diz.

Para ele, há a possibilidade também de obter grandes descontos com negociações em conjunto ou quem reaproveita o material escolar do ano anterior.

"Há famílias que se unem para fazer compras no atacado e conseguem ótimos preços. Outro aprendizado é cuidar do material para que os alunos possam, em partes, reutilizá-los", afirma Modernell.

Caso a dúvida entre parcelar ou pagar à vista aconteça, especialistas afirmam que, se o consumidor tiver o dinheiro, deve-se optar pelo pagamento em uma só vez.

"Quando se oferece parcelamento sem juros, tem de verificar mesmo se não há juros embutidos. Muitas vezes se oferece desconto para pagamento à vista", diz Elisson de Andrade, educador financeiro.

CONFIRA 11 DICAS PARA ENFRENTAR AS CONTAS DE INÍCIO DE ANO

Use reservas financeiras

Use parte do 13º salário ou da reserva financeira para o pagamento de contas essenciais e despesas inevitáveis de início de ano, caso disponha desses recursos.

Fuja de empréstimos

Não recorra a financiamentos para pagar as despesas de início de ano. "A única situação em que vale a pena pegar um empréstimo é trocar uma dívida mais cara por uma mais barata, e só", destaca Elisson de Andrade.

Recorra a calculadora e planilhas

"As pessoas desorganizadas cedem a tentações e gastam mais", afirma Álvaro Modernell. Por isso, controlas as finanças é essencial no início do ano e você pode fazer isso utilizando cadernos de anotações e planilhas.

Corte despesas e economize

Procure comer mais em casa e menos em restaurantes e compartilhe caronas, por exemplo. De acordo com os economistas, o final de um ano e o início de outro sempre trazem gastos inesperados ao orçamento

Venda objetos que não usa mais

"Pode-se obter uma renda extra vendendo roupas, calçados, bicicleta e outros objetos usados. Existem sites especializados neste tipo de negócio", comenta Modernell.

Avalie se vale a pena parcelar

Para quem está endividado, a única opção para não comprometer ainda mais no orçamento é o parcelamento destes impostos. "Para quem tem reservas, deve-se avaliar se o desconto dado é maior do que o rendimento dos investimentos, diz Modernell. "Em geral, desconto acima de 5% vale a pena e abaixo de 2%, não. "

IPTU ou IPVA?

Se estiver com dinheiro para pagar à vista um dos dois impostos, opte pelo IPVA. O IPTU dá descontos maiores e também cobra taxas menores que o tributos dos carros. "Só não fique devedor no cheque especial, porque aí você se complica", diz José Dutra Vieira Sobrinho, vice-presidente da Ordem dos Economistas do Brasil.

Pesquise os preços do material escolar

Compare os preços dos fornecedores e, se possível, procure pagar à vista. "Quando se oferece parcelamento sem juros, tem de verificar mesmo se não há juros embutidos. Muitas vezes se oferece desconto para pagamento à vista", diz Elisson de Andrade.

Tudo pra já?

Avalie se é necessário comprar todo o material escolar agora. Às vezes, as escolas pedem materiais que só serão usados no segundo semestre, lembra Modernell. Se for o caso, deixe para comprar esses materiais mais para frente para aliviar os gastos de início de ano.

Em grupo

Em geral, compras de grandes quantidades de material por grupos de pais barateiam os produtos. Mesmo neste caso, é preciso pesquisar bastante os preços.

Material reaproveitado

Lápis, canetas, cadernos e réguas do ano anterior, por exemplo, podem ser reutilizados pelo próprio aluno no ano seguinte. Livros paradidáticos usados podem ser adquiridos em sebos com preços atraentes. Muitas escolas também promovem feiras de trocas de livros, e os alunos também podem fazer essa troca entre si.


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