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Ucrânia dividida

Publicado em 25/02/2014 12:00 -

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O primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, questionou nesta semana a legitimidade do novo governo interino ucraniano, após a deposição do presidente pró-Moscou Viktor Yanujovich. "Ali não temos com quem conversar. Temos sérias dúvidas sobre a legitimidade de uma série de órgãos de poder que agora estão funcionando no país", disse Medvedev.

"Alguns de nossos parceiros estrangeiros não acham o mesmo. Não sei que Constituição leram, mas é uma aberração chamar de legítimo o que, na realidade, é resultado de uma insurreição armada", disse, em referência ao reconhecimento, por parte de alguns países ocidentais, das novas autoridades ucranianas.

Segundo Medvedev, se for ser considerado governo "quem passeia por Kiev com máscaras pretas e fuzis automáticos Kalashnikov, então com esse governo será muito difícil trabalhar".

As manifestações na Ucrânia – que culminaram na deposição de Yanujovich – foram iniciadas em novembro após o ex-presidente reverter o processo de aproximação com a União Europeia, preferindo sua aliada Rússia. Em parte, o ex-presidente tinha em vista um auxílio financeiro proposto por Moscou. A população rejeitou a medida e, reprimida, passou a exigir a renúncia do presidente.

Apesar de as reivindicações terem sido cumpridas, incluindo a soltura da ex-premiê Yulia Timoshenko, manifestantes permaneceram nas ruas, protegidos por barricadas e milícias armadas.

Três nomes da oposição eram os mais citados ao longo das manifestações da praça da Independência, mas a Presidência interina foi para um quarto. Oleksander Turchinov, 49, ocupa o cargo enquanto o país ruma para as eleições, antecipadas para 25 de maio.

Ucrânida dividida: tensão aumenta divisão no leste europeu

Fora do triunvirato opositor formado por Vitali Klitschko, Oleh Tyahnybok e Arseniy Yatseniuk, ele é considerado um braço-direito da ex-premiê Yulia Timoshenko, libertada no sábado após 30 meses de prisão por abuso de poder.

Descontentes com a ideia de ela voltar ao poder, alguns ativistas se preocupam com a ascensão de Turchinov.

O presidente interino também desagradou manifestantes ao dizer a eles que, com a deposição de Yanukovich, era chegada a hora de desocupar a praça da Independência –eles exigem ver a reforma do sistema político.

Assassinato em massa

Viktor Yanukovich agora é procurado pelo "assassinato em massa de civis", de acordo com nota divulgada pelo novo ministro do Interior, Arsen Avakov. Há um pedido de prisão ao ex-presidente e a membros de seu governo.

Apesar de a acusação não ser específica, ela deve referir-se aos recentes embates nos arredores da praça da Independência, na capital, Kiev. Ali, morreram ao menos 82 pessoas na última semana. Manifestantes acusam as forças de segurança de usar franco-atiradores contra civis desarmados.

Yanukovich tem, atualmente, o paradeiro desconhecido. Ele deixou Kiev e, de acordo com alguns relatos, refugiou-se no leste do país, onde ainda tem algum apoio da população. Ele diz ser vítima de um golpe de Estado.

Ajuda Financeira

O governo interino da Ucrânia precisa de 35 bilhões de dólares em ajuda internacional pelos próximos dois anos. O presidente interino, Oleksander Turchinov, disse que a Ucrânia estava próxima da falência e que a economia está à beira de um colapso.

"Pelos últimos dois dias, nós consultamos e nos reunimos com embaixadores da União Europeia, dos EUA e de outros países e instituições financeiras sobre uma entrega urgente de assistência macrofinanceira para a Ucrânia", disse o ministro das Finanças interino, Yuri Kolobov.

O governo interino da Ucrânia precisa de 35 bilhões de dólares em ajuda internacional pelos próximos dois anos. O país está a beira da falência.

Segundo ele, a conferência internacional de doadores deveria envolver representantes da UE, dos EUA e do Fundo Monetário Internacional. A Ucrânia tem 6 bilhões de dólares em dívida pública a vencer até o final de 2014.

Em um pronunciamento à nação, Turchinov falou sobre a grande dimensão da tarefa à frente da nova liderança da Ucrânia, e determinou a estabilização da economia como prioridade.  "Ante um pano de fundo de recuperação econômica global, a economia ucraniana se dirige ao abismo", disse. "A tarefa do novo governo é interromper a queda do país para o abismo, estabilizar o câmbio, garantir o pagamento em dia dos salários e pensões, recuperar a confiança dos investidores e promover o desenvolvimento de empreendimentos e a criação de empregos."

Integração com a Europa

Turchinov prometeu recolocar o país no caminho da integração europeia. Enquanto isso, os Estados Unidos alertaram a Rússia para que não envie suas forças contra o país.

A nova liderança do país quer manter relações de boa vizinhança com a Rússia, "que reconheçam e levem em conta a opção europeia da Ucrânia". Turchinov diz esperar que as próximas eleições, em maio, confirmem essa opção.


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