22/07/2024 - Edição 550

Mundo

Democracia ameaçada

Publicado em 04/04/2014 12:00 -

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A União Europeia considerou que as cassações da deputada venezuelana Maria Corina Machado e de alguns prefeitos de oposição no país desrespeitaram processos legais aceitáveis.

"A cassação de uma deputada sem nenhum processo legal e a destituição de prefeitos em bases que não são claras não foram algo apropriado e compatível com padrões democrático básicos", disse Christian Leffler, diretor para as Américas do serviço diplomático do bloco europeu. "São exemplos de ações que provocaram preocupação muito grande na Europa", acrescentou o diplomata, responsável por assuntos do continente americano.

Segundo ele, o aumento da violência no país, que já deixou quase 40 mortos desde fevereiro, é uma demonstração de que o governo de Nicolás Maduro não tem sabido lidar com manifestações de rua que são "perfeitamente legítimas".

"Dissemos do momento em que Maduro foi eleito que era essencial que ele olhasse para todos os setores da sociedade, porque o resultado da eleição foi muito apertado", declarou, em referência à margem de vitória na eleição de abril sobre o opositor Henrique Capriles, de 50,6% a 49,1% no segundo turno.

Na visão da diplomacia europeia, "há muitos relatos de violência excessiva pela polícia e pelas forças de ordem pública".

Assegurando direitos

Embora reconheça que a violência vem de todas as partes, o diplomata afirma que o governo Maduro precisa coibir excessos, mas assegurar o direito de as pessoas protestarem.  "Quando as manifestações transbordam para a violência, as forças da ordem pública estão lá para impedir essa violência. Mas não estão lá para impedir a manifestação", declarou.

Às voltas com a crise ucraniana, que afeta os europeus de forma bem mais direta, o bloco tem tido mais cautela com relação à Venezuela. Não há perspectiva, por exemplo, de imposição de sanções contra o governo venezuelano, como ocorreu recentemente com líderes russos após a anexação da região da Crimeia. "Sanções são sempre uma medida extrema, um último recurso. Acreditamos em diálogo e em tentar apoiar e encorajar reconciliação", declarou Leffler.

Segundo ele, a pressão europeia é por um canal de negociação "inclusivo" entre governo, oposição e outros atores, como os estudantes. "Expressamos nosso apoio para aqueles que tomaram iniciativas de diálogo, incluindo o governo, contanto que seja um diálogo realmente inclusivo", afirma. Um exemplo de boa iniciativa, para os europeus, é a iniciativa da Unasul de tentar mediar o conflito.

Cassada

A deputada cassada da Venezuela María Corina Machado disse na última quinta-feira, 3, em São Paulo que a mudança política na Venezuela é irreversível e acusou o governo do presidente Nicolás Maduro de ser o único responsável pela violência. "Nós não queremos a guerra civil, são eles que se interessam pela violência. Nosso movimento é pacífico e, só com a nossa voz, conseguimos que a transição política se torne irreversível".

A entrevista foi feita após um encontro com 70 venezuelanos que moram na capital paulista. Ela não quis comentar sobre as declarações do chanceler Luiz Alberto Figueiredo sobre a mediação da Unasul, negando que o órgão tenha a intenção de interferir em assuntos internos do país.

No entanto, criticou os países sul-americanos por não terem aplicado a carta democrática da OEA, como foi feito no caso de Honduras e do Paraguai quando houve a saída de Manuel Zelaya e Fernando Lugo.

María Corina Machado deve voltar para Caracas na madrugada de sábado. Amanhã, ela se encontrará com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no Palácio dos Bandeirantes.

A líder opositora deverá voltar ao Brasil em duas semanas para uma audiência pública na Câmara de Deputados. Ela foi convidada pelo presidente da Comissão de Relações Exteriores, Eduardo Barbosa (PSDB-MG).


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