17/07/2024 - Edição 550

Mundo

Cientistas encontram planeta similar à Terra capaz de abrigar vida

Publicado em 18/04/2014 12:00 -

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Cientistas da Nasa anunciaram a descoberta do primeiro planeta com o tamanho aproximado da Terra a orbitar na zona habitável de seu sistema planetário. O achado é um passo fundamental na confirmação da desconfiança dos astrônomos de que mundos similares ao nosso sejam comuns no Universo.

O planeta orbita uma estrela com metade do diâmetro do Sol, localizada a cerca de 490 anos-luz de distância (um ano-luz é a distância que a luz percorre em um ano, cerca de 9,5 trilhões de quilômetros).  Chamada de Kepler-186, ela abriga cinco planetas identificados, o quinto dos quais com aproximadamente 1,1 vez o diâmetro terrestre, localizado na chamada zona habitável.

Essa região do sistema planetário é definida como a área em torno de uma estrela onde um planeta receberia a quantidade certa de radiação para abrigar água em estado líquido na superfície.

Como na Terra essa foi a condição básica para que o planeta desenvolvesse formas de vida, os cientistas esperam que esse seja um bom termômetro para a busca de outras biosferas no Cosmo.

Composição incerta

Ninguém sabe no momento de que é feito o planeta recém-descoberto, batizado de Kepler-186f. Para ter uma ideia da composição, os astrônomos precisam saber tanto a massa quanto o tamanho do planeta. É o que permite o cálculo da densidade, que pode ser confrontada com os modelos de formação planetária.

No caso específico, o planeta foi achado pelo satélite Kepler, que mede a redução de brilho da estrela-mãe quando um mundo transita à frente dela. Nesses casos, os pesquisadores conseguem saber o diâmetro, mas não a massa.

Por vezes é possível complementar o estudo com observações em terra que medem os efeitos gravitacionais dos planetas em sua estrela _derivando assim sua massa. Mas a estrela Kepler-186 é muito pequena e distante para permitir essas observações. Mas isso não impede os cientistas de ao menos dar um palpite, com base em mundos de porte similar que tiveram sua densidade medida.

"Pelos exemplos que conhecemos, sabemos que ele tende a ser rochoso, como a Terra", afirma Elisa Quintana, pesquisadora do Centro Ames de Pesquisa, da agência espacial americana, e primeira autora do trabalho.

Uma possível biosfera

Pesquisadores agora trabalham para compreender que condições poderiam ser encontradas em Kepler-186f, caso ele se mostre mesmo um planeta rochoso como o nosso.

Como ele completa uma volta em torno de sua estrela em 129,9 dias terrestres, isso significa que o planeta está suficientemente distante dela para não sofrer uma trava gravitacional.

Caso fosse esse o caso, o Kepler-186f teria sempre a mesma face voltada para a estrela, como acontece, por exemplo, com a Lua, que sempre mostra o mesmo lado para a Terra.

Embora modelos teóricos mostrem que a trava gravitacional não é um impeditivo definitivo para ambientes habitáveis (a atmosfera trataria de distribuir o calor), é sempre melhor ter um planeta com dias e noites, em vez de um em que um hemisfério é sempre aquecido pelo Sol e outro passa o tempo todo na fria escuridão.

Luz e calor

Victoria Meadows, astrobióloga da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, fez cálculos da quantidade de luz que chega até esse mundo a partir de sua estrela.

Embora ele receba só um terço da radiação que o Sol envia para a Terra, como se trata de uma estrela menor conhecida como anã vermelha, há mais fluxo de radiação na frequência do infravermelho.

Na prática, isso quer dizer que é preciso menos luz para esquentar o planeta na medida certa, se comparado com os parâmetros do Sistema Solar. "A fotossíntese seria possível lá", declara Meadows, indicando que formas de vida capazes de converter luz em energia, como as plantas fazem na Terra, não sofreriam. "Temos criaturas fotossintetizantes terrestres que lidariam bem com os níveis de iluminação de lá."

Uma coisa curiosa é que provavelmente essas plantas alienígenas não adotariam o verde típico da Terra. "Provavelmente a vegetação seria de um tom laranja-amarelo", especula a cientista.

Infelizmente, não há perspectiva imediata de descobrirmos se há mesmo vida por lá. Embora o Telescópio Espacial James Webb, que deve ser lançado em 2018 pela Nasa, tenha a capacidade de analisar a composição atmosférica de mundos similares, o Kepler-186f está longe demais para passar por esse tipo de observação.

A esperança dos cientistas é, nesse meio tempo, encontrar outros planetas similares que estejam mais perto. Uma missão espacial dedicada a isso, chamada TESS, deve ser lançada em 2017 pela agência americana. A atual descoberta é, portanto, apenas o começo de uma nova era no estudo dos incontáveis mundos que existem fora do Sistema Solar.

 


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