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Brasil pede investigação sobre assassinato de opositor venezuelano

Publicado em 27/11/2015 12:00 -

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O governo brasileiro manifestou, nesta sexta (27), sua consternação e condenação ao assassinato do político opositor venezuelano Luis Manuel Díaz.

Secretário do partido Ação Democrática, Díaz foi morto na quarta (25) durante um evento de campanha em Altagracia de Orituco (a 124 km de Caracas). Em 6 de dezembro, a Venezuela celebra eleições parlamentares.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores pediu investigações sobre o caso e afirmou que "é da responsabilidade das autoridades venezuelanas zelar para que o processo eleitoral que culminará com as eleições no dia 6 de dezembro transcorra de forma limpa e pacífica, de modo a permitir que o povo venezuelano exerça com tranquilidade seu dever cívico e tenha plenamente respeitada sua vontade soberana".

Segundo o presidente Nicolás Maduro, a morte foi um acerto de contas entre quadrilhas. Ele criticou quem qualificou o assassinato como crime político. "O Ministério do Interior já tem elementos que mostram um assassinato de acerto de contas entre quadrilhas rivais", afirmou.

Ele ainda prestou condolências à família do dirigente opositor e chamou o assassinato de "incidente lamentável".

Crime político

Para seus adversários, porém, não há dúvidas de que se trata de uma ação conduzida por militantes chavistas.

Jesus Torrealba, secretário-geral da coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD), disse que o assassinato "ecoa as agressões e a retórica lançadas pelo mais alto escalão do governo, que vive provocando e estimulando a violência", e que o Brasil é essencial para monitorar as eleições de dezembro.

A morte do dirigente opositor também já foi condenada pelos Estados Unidos, pela Espanha, pela Unasul e pela OEA (Organização dos Estados Americanos).

OEA

A reação do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, ao ataque provocou a ira de Maduro. Para o uruguaio, o assassinato do opositor uma "ferida mortal à democracia" e não é um episódio isolado.

"Dá-se de forma conjunta com outros ataques contra outros dirigentes políticos da oposição em uma estratégia para amedrontá-los. É hora de por fim ao medo. Cada morto na Venezuela dói hoje em todas as Américas."

O venezuelano chamou de "lixo" o chanceler do governo de José Mujica (2010-2015), que é considerado um aliado de sua Presidência, e considerou que Almagro age "contra a Venezuela, contra o povo e contra a Revolução Bolivariana".

"Ainda não tem 12 horas da investigação e lá vem o lixo do Luis Almagro fazer declarações contra a Venezuela. Espero uma retificação do senhor, senhor lixo, porque se meteu com a nossa pátria. Senhor lixo, pedindo desculpas ao lixo."

A morte do dirigente opositor foi condenada também pelos Estados Unidos, a Espanha, a Unasul e a OEA. O porta-voz do Departamento de Estado, John Kirby, pediu a proteção dos candidatos à eleição.

"Este foi o mais mortal de uma série de ataques e atos de intimidação direcionados a candidatos da oposição. Campanhas de medo, violência e intimidação não tem lugar na democracia", disse.

O ministro de Relações Exteriores da Espanha, José Luis García-Margallo, pediu investigação independente e a garantia de eleições livres. O Parlamento Europeu ratificou a intenção de enviar uma missão para supervisionar o pleito.

Representantes da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) divulgaram comunicado condenando o ataque e exigindo investigação e punição dos autores.


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