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Alemanha endurece imigração, e Finlândia promete deportar 20 mil

Publicado em 29/01/2016 12:00 -

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A coalizão de partidos que governa a Alemanha chegou a um acordo para endurecer as regras de asilo e controlar o grande influxo de migrantes e refugiados. No mesmo dia, a Finlândia se juntou a uma iniciativa da Suécia e anunciou que pretende expulsar até 20 mil dos 32 mil estrangeiros que pediram asilo no país no ano passado.

De acordo com o ministro da Economia da Alemanha, Sigmar Gabriel, as novas medidas incluem proibir por dois anos familiares de visitar refugiados no país, reduzir o apoio financeiro para os que buscam asilo e acelerar a deportação dos estrangeiros que tiverem seus pedidos de asilo recusados.

Gabriel também disse que o governo pretende declarar Argélia, Marrocos e Tunísia como "países de origem seguros", o que torna muito difícil para migrantes procedentes dali obter asilo.

As novas medidas da Alemanha acompanham outras iniciativas para mostrar à população, que vai às urnas no ano que vem, que o governo tem controle sobre o fluxo de refugiados. O país é o principal destino de refugiados na Europa e, em 2015, registrou a entrada de mais de 1,1 milhão de pessoas.

A chanceler Angela Merkel, que chegou a ocupar a linha de frente na Europa para o acolhimento dos refugiados, parece endurecer sua postura para, dentre outros motivos, reverter o desgaste de sua imagem perante a opinião pública.

Uma pesquisa do instituto Insa para a revista "Focus", feita com 2,047 alemães e revelada nesta sexta-feira, revela que 45,2% dos entrevistados pensam que a gestão da crise de refugiados é motivo para que Merkel renuncie.

Na madrugada desta sexta-feira, uma granada foi atirada sobre a cerca de um abrigo para requerentes de asilo na cidade de Villingen-Schwenningen, no sudoeste da Alemanha. Após a retirada dos 20 residentes do local, o esquadrão antibombas detonou o explosivo.

De acordo com o porta-voz da polícia local, Thomas Kalmbach, "foi por pura sorte" que o dispositivo não explodiu após ser arremessado e que ninguém tenha se ferido. O responsável pela ação não foi identificado e permanece foragido.

Finlândia

A Finlândia anunciou que pretende deportar cerca de 62% dos estrangeiros que entraram com pedido de asilo no país em 2015.

"20 mil pessoas é a estimativa com que estamos trabalhando por ora, mas o número de requerentes de asilo que decidem saem voluntariamente pode mudar isso", disse à agência de notícias Reuters Paivi Nerg, secretária permanente do Ministério do Interior.

De acordo com Nerg, cerca de 4.000 dos 32 mil pedidos de asilo já foram retirados por seus aplicantes, e os demais devem ser processados até agosto.

Em 2014, 56% dos pedidos de asilo foram negados pelas autoridades finlandesas, quando foram registrados apenas 3.651 aplicantes.

Na manhã de quinta-feira, a vizinha Suécia anunciou que pretende expulsar nos próximos anos entre 60 mil e 80 mil estrangeiros, o que corresponde a quase metade dos 163 mil pedidos de asilo registrados no país em 2015.

A Europa recebeu no ano passado um número sem precedentes de migrantes e refugiados, que fogem de conflitos e pobreza em outras partes do mundo.

O Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados) estima que 1 milhão de pessoas tenha cruzado o Mediterrâneo em busca de asilo no ano passado, e que mais de 3.500 tenham morrido afogadas na travessia.

Visto negado na Suécia

A Suécia pretende expulsar nos próximos anos entre 60 mil e 80 mil estrangeiros que tiveram seus pedidos de asilo negados pelas autoridades, declarou o ministro do Interior, Anders Ygeman.

Em entrevista ao jornal "Dagens Industri", Ygeman afirmou que a taxa de rejeição de pedidos de asilo gira atualmente em torno de 45%, e que os imigrantes em situação ilegal devem sair do país voluntariamente, ou serão deportados.

Com 163 mil pedidos de asilo registrados, a Suécia foi o terceiro principal destino de migrantes e refugiados na Europa em 2015, ficando apenas atrás da Alemanha e da Hungria.

De acordo com o "Dagens Industri", o governo estima que muitos estrangeiros que tiveram seus pedidos negados tentarão permanecer no país em situação de ilegalidade, e por isso a polícia vem aumentando seus esforços para encontrá-los e deportá-los.

"Temos um grande desafio à nossa frente. Para isso, precisaremos de mais recursos e de uma maior cooperação entre as autoridades", disse Ygeman na entrevista.

O premiê Stefan Lofven prometeu nesta semana mais recursos para a polícia devido aos trabalhos para gerir a crise de refugiados.

Assim como outros países da região, a Suécia reverteu nas últimas semanas sua política de portas abertas aos refugiados, adotando medidas como controle de fluxo na fronteira e checagem de documento em viagens internacionais em ônibus, trens e balsas.  


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