25/04/2024 - Edição 540

Legislativo

Kemp aciona IMASUL sobre o risco ambiental causado pelo tráfego de caminhões pesados na Estrada-Parque de Piraputanga

Indústria de plantio de eucalipto para produção da celulose começou a fazer o escoamento da madeira e medidas urgentes para amenizar o problema já foram apresentadas

Publicado em 12/03/2024 1:51 - Semana On

Divulgação ALEMS

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O deputado estadual Pedro Kemp (PT-MS) acionou o IMASUL (Instituto do Meio Ambiente do MS) e solicitou medidas para impedir problemas ambientais no trecho de 42,5 quilômetros contínuos de estrada entre Aquidauana e Dois Irmãos do Buriti, a Estrada-Parque de Piraputanga. O tráfego intenso de caminhões pesados, que fazem o carregamento de madeira para fábrica de celulose, dentro da APA (Área de Proteção Ambiental) além de representar riscos aos animais também tem sido denunciado pelos moradores e visitantes da região.

O mandato do parlamentar recebeu a denúncia dos moradores e proprietários de imóveis da região dos distritos de Palmeiras, Piraputanga e Camisão. “Nos solicitaram o pedido de medidas urgentes para que não aconteçam maiores danos ambientais causados pelo tráfego de caminhões pesados para o transporte de madeira”.

Conforme informações apuradas, o conselho gestor do APA – formado por pessoas da região – está preocupado porque o escoamento já começou e é urgente que medidas de proteção sejam adotadas. Reuniões com a Suzano aconteceram e as famílias que moram ali na região, onde há hoje os restaurantes, as pousadas, uma organização turística em ascensão, precisam de uma ação eficiente do poder público. Toda a estrutura hoje na região considera o desenvolvimento sustentável. “Precisamos que nos fins de semana cessem os caminhões pesados que carregam as toras pela estrada. Nasci aqui, trabalho aqui. Estamos perto do Pantanal e não podemos sofrer os reflexos do escoamento da madeira de eucalipto sem que existam regras para que o problema seja ao menos amenizado”, disse um membro do conselho gestor.

“Na reunião com a Suzano, os moradores e engenheiros deles falaram em buscar uma rota alternativa para o escoamento da safra de celulose. A estrada não foi feita, o asfalto, para tráfego de veículo pesado. Essa ação do deputado é importante porque o tráfego pesado acaba com a tranquilidade das pessoas que vêm de Campo Grande passar o fim de semana nesse lugar tranquilo, pitoresco como os nossos distritos aqui. A população está bem chateada, bem preocupada com tudo isso que vem acontecendo aqui. Muito importante o deputado defender o turismo, meio ambiente e as pessoas que moram nessa região”, disse um comerciante, morador de Aquidauana.

Ainda segundo outro comerciante, na reunião com os engenheiros da indústria de celulose, toda madeira de eucalipto, cultivado entre Piraputanga e Palmeiras, deverá ter fluxo maior de escoamento pela Estrada Parque Piraputanga MS-450 nos próximos meses, pois os acostamentos já estão sendo preparados para que as carretas sigam em comboio. “Nossa situação aqui é preocupante porque não estão nem ai pra Paxixi, pro Pantanal, pro meio ambiente, querem é saber só do lucro deles”, disse outro morador.

SAÍDAS

De acordo com documento de 31 de janeiro de 2024, encaminhado à Suzano Papel e Celulose, assinado pela ONG SOS Pantanal, foram apontadas algumas saídas e encaminhadas para o crivo do IMASUL. Seguem informações do documento:

A conservação dessa área desempenha um papel crucial na manutenção dos serviços ecossistêmicos, como a regulação hídrica e a proteção do solo. Além disso, a promoção do turismo sustentável contribui para o desenvolvimento econômico local, evidenciando a sinergia entre conservação ambiental e benefícios socioeconômicos. Em suma, a APA Estrada-Parque de Piraputanga representa um exemplo valioso de como é possível conciliar a preservação da natureza com o uso sustentável dos recursos, garantindo a perenidade desses ambientes para as gerações futuras.

Neste contexto, recebemos com muita preocupação a manifestação da Suzano acerca do uso de trajeto dentro da área da Unidade de Conservação para escoamento da produção de eucalipto, sem as devidas medidas compensatórias que assegurem a manutenção de vidas humanas, animais e os objetivos de conservação da unidade em questão. O trajeto proposto pela Suzano, ligando a floresta plantada à BR-262 possui 11 km dentro da Unidade de Conservação. (mapa 1).

Diante do exposto acima, o Instituto SOS Pantanal vem por meio desta, sugerir 2 alternativas possíveis para que seja garantida a manutenção dos recursos naturais e sociais presentes nesta Unidade de Conservação. São elas:

1- Caminho alternativo (101 km): proposto pelos membros do conselho da Unidade de Conservação, que possui um total de 101km (76km destes não asfaltados), saindo da floresta plantada sentido a rodovia estadual MS-345, passando pelo distrito de Cipolândia e chegando em seguida até a MS-447, seguindo a mesma até seu fim, quando encontra a MS-352, que leva direto à cidade de Terenos/MS e BR-262 (mapa 2).

Mapa 2: Rota proposta pelo Conselho da APA 2- Caminho original, com medidas mitigatórias (102 km): se necessário manter a rota inicial (mapa 1), medidas compensatórias à altura do impacto ambiental deverão ser tomadas, garantindo não só a integridade da fauna e populações que ali habitam, mas também servindo de exemplo para outras estradas estaduais que não possuem a estrutura necessária de mitigação. Dentre as medidas, estão:

  1. Trafegar na rodovia somente em dias úteis, em período do dia entre 8 am até às 16h (evitando o atropelamento de fauna, que ocorre em sua maioria à noite)
  2. Velocidade máxima para caminhões de 45km/h. A Agesul /Imasul deverá receber os relatórios de tacógrafos de cada veículo mensalmente
  3. A Suzano “adotar” a Estrada, aplicando as medidas recomendadas no MANUAL DE ORIENTAÇÕES TÉCNICAS PARA MITIGAÇÃO DE COLISÕES VEICULARES COM FAUNA SILVESTRE NAS RODOVIAS ESTADUAIS DO MATO GROSSO DO SUL.
  4. Instalação de portais nas extremidades da estrada, com sinalizações de travessia de fauna, passagens de dossel para fauna arborícola e, se adequado, sonorizadores e limitadores físicos de velocidade. O intuito da adoção da estrada é deixá-la como exemplo e legado para a APA, além de reafirmar o compromisso da Suzano com a agenda ESG.
  5. Criação de ciclovia ao longo da estrada parque, para oferecer segurança a este público que frequenta em grande número a região;
  6. Palestras de Educação Ambiental aos funcionários e terceiros da Suzano;
  7. Estabelecer um programa mensal de monitoramento de atropelamento de fauna em todo trecho da estrada Certos do melhor encaminhamento, colocamo-nos à disposição para maiores esclarecimentos e para auxílio ao longo do processo, caso necessário.

Ainda de acordo com a SOS Pantanal, referência nas ações de preservação ambiental, a Área de Proteção Ambiental Estrada-Parque Piraputanga destaca-se como uma Unidade de Conservação (UC) de Uso Sustentável, frequentemente visitada por entusiastas da natureza e ecoturistas em busca das trilhas, mirantes e rios que permeiam a região. Abrangendo uma área de 10.1 mil hectares nos municípios de Anastácio, Aquidauana e Dois Irmãos do Buriti, no Mato Grosso do Sul, a UC está inserida no bioma Cerrado e integra a Bacia Hidrográfica do Rio Miranda.

Composta por uma fitofisionomia de savanas e florestas estacionais, a APA abriga uma biodiversidade ímpar, como as onças-pintadas e parda e três espécies de araras, além de ser o lar de cerca de 2000 pessoas residentes. Como o próprio nome sugere, a Unidade de Conservação é atravessada por uma estrada de 42,5 km, ligando os municípios de Aquidauana e Dois Irmãos do Buriti.

Dotada de uma beleza cênica singular, a APA Estrada-Parque Piraputanga destaca-se pela integração harmoniosa entre a preservação ambiental e o uso sustentável dos recursos naturais, proporcionando aos visitantes a oportunidade de vivenciar a natureza de forma responsável. A região é reconhecida pelas belíssimas paisagens dos canyons da Serra de Maracaju. Trilhas e mirantes estrategicamente localizados oferecem aos ecoturistas a chance de observar a fauna e a flora nativas, enquanto a prática de atividades como observação de aves, trekking e passeios de bicicleta promove uma interação respeitosa com o ambiente.

A APA Estrada-Parque Piraputanga destaca-se como uma Unidade de Conservação (UC) de Uso Sustentável, frequentemente visitada por entusiastas da natureza e ecoturistas em busca das trilhas, mirantes e rios que permeiam a região. Abrangendo uma área de 10.1 mil hectares nos municípios de Anastácio, Aquidauana e Dois Irmãos do Buriti, no Mato Grosso do Sul, a UC está inserida no bioma Cerrado e integra a Bacia Hidrográfica do Rio Miranda. Composta por uma fitofisionomia de savanas e florestas estacionais, a APA abriga uma biodiversidade ímpar, como as onças-pintadas e parda e três espécies de araras, além de ser o lar de cerca de 2000 pessoas residentes. Como o próprio nome sugere, a UC é atravessada por uma estrada de 42,5 km, ligando os municípios de Aquidauana e Dois Irmãos do Buriti.

Dotada de uma beleza cênica singular, a APA Estrada-Parque Piraputanga destaca-se pela integração harmoniosa entre a preservação ambiental e o uso sustentável dos recursos naturais, proporcionando aos visitantes a oportunidade de vivenciar a natureza de forma responsável. A região é reconhecida pelas belíssimas paisagens dos canyons da Serra de Maracaju. Trilhas e mirantes estrategicamente localizados oferecem aos ecoturistas a chance de observar a fauna e a flora nativas, enquanto a prática de atividades como observação de aves, trekking e passeios de bicicleta promove uma interação respeitosa com o ambiente.


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