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Judiciário
Esquema milionário envolve empresas e conselheiro afastado
Publicado em 10/02/2025 3:41 - Semana On
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Uma denúncia recente ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) expôs um esquema de desvio de dinheiro público envolvendo o Tribunal de Contas do Estado do Mato Grosso do Sul (TCE-MS) e empresas supostamente constituídas para facilitar a lavagem de recursos desviados. A investigação aponta que contratos milionários firmados com empresas privadas serviram de ponte para desvio e enriquecimento ilícito, implicando figuras públicas influentes, como o conselheiro afastado do TCE, Waldir Neves Barbosa, e o empresário Sérgio da Costa Correa.
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A descoberta é resultado de um aprofundamento nas operações da Polícia Federal, batizadas de Casa de Ouro, Mineração de Ouro e Terceirização de Ouro, que, desde 2021, investigam a corrupção endêmica no órgão. O principal foco da denúncia atual é a empresa Docsysnet Gestão Eletrônica de Documentos Ltda, que, segundo o Ministério Público Federal (MPF), foi aberta em 2018 com a finalidade específica de receber parte do dinheiro desviado.
Conforme a denúncia, os recursos desviados eram originalmente provenientes de contratos firmados entre o TCE e empresas de tecnologia. Até 2018, a empresa Cast Informática S.A. era a prestadora de serviços técnicos ao Tribunal. No entanto, após mudanças contratuais, a Dataeasy Consultoria e Informática Ltda assumiu o contrato, com pagamentos que, em quatro anos (2018-2022), somaram R$ 102 milhões. Parte desses valores foi repassada à Docsysnet, totalizando R$ 7 milhões.
O conselheiro afastado Waldir Neves é acusado de utilizar esses recursos para a compra de um imóvel de luxo localizado na Rua Euclides da Cunha, uma das áreas mais valorizadas de Campo Grande. A operação financeira teria sido mascarada por meio de empresas laranjas, como detalhou o MPF. A aquisição do imóvel foi um dos elementos que desencadeou a operação Casa de Ouro.
Docsysnet: criada sob medida para o desvio
De acordo com os investigadores, a Docsysnet foi registrada em 2018, exatamente no ano em que a Dataeasy passou a administrar o contrato do TCE. A atividade principal da empresa envolve serviços de tratamento de dados e hospedagem na internet, mas o MPF sugere que sua função real era servir de canal para o escoamento do dinheiro desviado.
A denúncia revela ainda que a Docsysnet foi a segunda maior beneficiária de repasses da Dataeasy, recebendo R$ 7 milhões de forma direta. Quando somadas as transferências para outras empresas do mesmo grupo econômico, o valor sobe para R$ 9,3 milhões. Sérgio da Costa Correa, apontado como sócio-administrador da Docsysnet, também possui forte vínculo com órgãos públicos do Mato Grosso do Sul, especialmente desde 1979, o que, segundo o MPF, facilitou sua atuação no esquema.
Docsys: crescimento incomum após vencer licitação
Outra peça-chave da denúncia é a empresa Docsys Tecnologia em Sistemas, também controlada por Sérgio da Costa. Aberta em 2000, a empresa apresentou um aumento expressivo no capital social: de R$ 100 mil para R$ 1,6 milhão em 2018, coincidentemente o mesmo ano em que a Dataeasy assumiu os contratos no TCE. A Docsys venceu uma licitação no valor de R$ 5,8 milhões em 2021 para prestar serviços ao tribunal, o que levantou suspeitas sobre a legitimidade da concorrência.
“A evolução patrimonial em ritmo acelerado após contratos públicos é um dos indícios mais comuns de desvio de recursos e lavagem de dinheiro. O fato de isso ter ocorrido após licitações suspeitas é algo que deve ser minuciosamente apurado”, disse uma fonte do MPF, sob condição de anonimato.
O silêncio institucional
Diante das graves acusações, o atual presidente do TCE-MS, Flávio Kayatt, limitou-se a informar que está ciente das investigações, mas preferiu aguardar o desfecho judicial antes de se pronunciar. Os demais envolvidos, incluindo Waldir Neves e Sérgio da Costa, não foram encontrados para comentar a denúncia.
Esse silêncio institucional evidencia a recorrente dificuldade de responsabilização em casos que envolvem figuras políticas influentes e grandes somas de dinheiro. Apesar de operações policiais robustas, muitas das investigações acabam paralisadas ou têm seus processos prolongados, favorecendo a impunidade.
Corrupção endêmica e a falência do controle público
Os Tribunais de Contas, instituições concebidas para garantir a fiscalização da gestão pública, têm sido, em diversas partes do país, palco de escândalos envolvendo seus próprios membros. Casos como o do TCE-MS ilustram como a corrupção pode comprometer a credibilidade de órgãos fiscalizadores e agravar a crise de confiança nas instituições públicas.
A corrupção nos Tribunais de Contas é especialmente grave porque desarticula o principal mecanismo de controle sobre os recursos públicos. Quando os fiscais se tornam os próprios corruptos, o impacto social é devastador: obras paralisadas, serviços ineficientes e uma sensação de impunidade generalizada.
No caso do Mato Grosso do Sul, os desvios não apenas drenaram recursos significativos como também geraram prejuízos a projetos públicos. Enquanto milhões eram transferidos para empresas de fachada, o estado registrava dificuldades na prestação de serviços básicos, como saúde e infraestrutura.
O que está em jogo
As investigações ainda estão em curso, mas o desfecho do caso pode determinar o futuro de outros processos de responsabilização. A condenação de Waldir Neves e de outros envolvidos seria um marco importante na luta contra a corrupção, mas a sociedade acompanha o caso com ceticismo, dada a recorrência de casos semelhantes sem punição exemplar.
Até que o STJ se manifeste e o processo avance, a população do Mato Grosso do Sul continua à espera de justiça, enquanto os milhões desviados deixam suas marcas na qualidade dos serviços públicos.
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Que m devem dar exemplo agem como quadrilha e preciso acabar com essa roubalheira
Infelizmente esse desfecho já era certo… O erro começou desde a sua nomeação para conselheiro por seu mentor Puccinelli! Enquanto essas vagas forem por indicaçao política está casa nunca terá prestígio!
Conselheiro indicado nunca vai dar certo
Não canso de dizer temos que acabar com essa indicação política pra órgãos fiscalizadores, o governador sempre vai colocar um amigo seu e como sempre, será o ???? pra cuidar o ????, sabendo-se que a justiça é deles também, no final esse ???? será usado na pizza.