24/07/2024 - Edição 550

Entrevista

Professor Monge – Candidato do PSTU ao Governo do Estado

Publicado em 06/08/2014 12:00 -

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O professor Marco Antônio Monje é o candidato do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) ao governo de Mato Grosso do Sul. Segundo Monje, a esquerda precisa apresentar uma alternativa aos trabalhadores e setores menos favorecidos.  Para ele, os demais partidos políticos não atenderam e nem atenderão as reivindicações expressadas nas ruas e nas lutas sociais. Confira a entrevista.

 

Por Victor Barone

Como alavancar a economia de um Estado ainda tão dependente da dobradinha soja e boi?

Mudando a lógica das monoculturas aplicada pelas gestões passadas e pelo atual governo de nosso Estado para uma economia diversificada,considerando-se a agricultura familiar e a resolução dos problemas dos Povos da Terra (indígenas, quilombolas e camponeses sem terras, acampados e assentados). O PSTU, juntamente com os povos da terra e os conselhos populares defenderá a imediata realização da reforma agrária, a demarcação das terras indígenas e a titulação dos quilombos no Estado. Com a defesa e respectiva implementação dessa política, alavancaremos os demais setores econômicos de cada região do Estado agregando valor.

Que estratégias o senhor traçará para desenvolver o interior do Estado?

O PSTU potencializará as vocações econômicas de cada região, com a efetiva implementação da estrutura de transportes, tanto ferroviário quanto fluvial, assim com a reestatização das concessões das rodovias privatizadas pelo PMDB. Além disso, os povos da terra participarão da gestão socialista e classista do PSTU, oportunidade em que deliberarão acerca desse tema, considerando-se, para tanto, a estatização do agronegócio até porque esse modelo não beneficia o povo pobre, oprimido e trabalhador deste Estado e sim as elites e as multinacionais.

Mato Grosso do Sul tem uma imensa fronteira seca e é corredor de passagem para drogas e contrabando. Que estratégias o senhor pretende aplicar para coibir esta situação?

No que diz respeito às drogas, em primeiro lugar não há que se falar em coibição antes de se resolver a origem desse problema. E essa origem é fruto do narcotráfico beneficiado pelo capitalismo. Para acabar com o submundo do narcotráfico é preciso ter a coragem de descriminalizar as drogas. O dinheiro usado hoje na repressão infrutífera deve ser deslocado para campanhas de esclarecimento sobre os malefícios das drogas e o atendimento dos viciados. Portanto, o PSTU defende a descriminalização de todas as drogas e a estatização tanto de sua produção quanto de sua distribuição, além do tratamento dos dependentes químicos.

Quanto ao contrabando, especificamente, o PSTU considera a necessidade urgente de se discutir as taxações dos produtos hoje produzidos ou distribuídos no país e sobre quem realmente detém o controle a respeito. E esse controle é realizado pelas elites tanto econômicas quanto políticas e não pelo povo pobre e pelos trabalhadores. Então, o povo pobre e a classe trabalhadora devem deter os meios de produção e deliberar sobre emprego, salário e renda, considerando quais devem ser suas prioridades tomando-se por base suas verdadeiras necessidades. Com esse controle classista, com certeza, não haverá mais interesse em se praticar o contrabando de mercadorias

O PSTU, juntamente com os povos da terra e os conselhos populares defenderá a imediata realização da reforma agrária, a demarcação das terras indígenas e a titulação dos quilombos no Estado.

Que tipo de polícia Mato Grosso do Sul terá com o senhor à frente do Governo do Estado?

Aumentar simplesmente o número de policiais, de armamento, de viaturas ou incorporar o exército nas tarefas de polícia só vai fazer aumentar também a corrupção. O PSTU defende a desmilitarização da polícia, com a construção de uma nova polícia controlada pelo povo pobre e trabalhadores, através do Conselho Popular de Segurança, com uma estrutura interna democrática e eleição direta de delegados, com mandatos revogáveis. Essa nova polícia defenderá os interesses dos pobres e dos bairros da periferia e não defenderá, como acontece atualmente, a propriedade privada das elites.

Essa nova polícia terá direito à sindicalização e de realizar greves em defesa de suas reivindicações, com salários dignos, condições de trabalho como as do restante do funcionalismo público e capacitação profissional para investigação. Além de investir em tecnologia e apostar no mapeamento da criminalidade e em políticas específicas de combate ao crime. Os delegados, promotores e juízes devem ser eleitos pela comunidade.

A questão da saúde é um nó em todo o Brasil. Em Mato Grosso do Sul, especialmente, a situação se agrava com a ausência de hospitais no interior. Qual a sua estratégia para descentralizar a saúde no MS?

O PSTU defende que o governo federal aplique 10% do PIB na saúde. A aplicação correta somente para a saúde pública deve ser de 12% do orçamento do Estado, com cobertura de 100% da população pelo no programa da saúde familiar além da ampliação do pessoal da área da saúde por meio de concursos públicos.

Somos a favor da estatização dos hospitais filantrópicos e privados, plano de obras públicas para atender a demanda de cada região com hospitais regionais e incentivo aos municípios para a construção das Unidades Básicas da Saúde da Família.

Prevenção pela implementação da força tarefa do Estado para combater as endemias que estão em maior evidência em MS. Ter atenção especial nos municípios fronteiriços que também atendem parcelas da população dos países vizinhos.

A questão econômica é sempre apontada pelos governantes como o principal pilar dos problemas na saúde. No entanto, o modelo hospitalocêntrico tem também a sua parcela de culpa. O senhor pretende investir em políticas de prevenção e de humanização na saúde? Quais são estas políticas?

Ao investirmos em prevenção estaremos economizando cinco vezes o investido. Com a cobertura de 100% da população de MS através das Unidades Básicas de Saúde da Família com uma equipe multidisciplinar, a tendência é que o morador que terá essa unidade próxima da sua residência faça conforme a sua faixa etária um acompanhamento da sua saúde periodicamente. A filosofia desse atendimento é a prevenção. Com a melhoria das condições de trabalho, com a redução da carga de trabalho e com um plano de cargo e carreira e salario a todos os trabalhadores em saúde. Esses trabalhadores terão o compromisso social de prestar um serviço de qualidade, com a estrutura fornecida pelo Estado.

O PSTU defende a descriminalização de todas as drogas e a estatização tanto de sua produção quanto de sua distribuição, além do tratamento dos dependentes químicos.

A questão indígena é uma vitrine do Estado. Recentemente Mato Grosso do Sul foi apontado como o Estado com o maior número de assassinatos de índios no país. Como o senhor pretende fazer frente a esta questão?

O PSTU tem uma posição bem clara a respeito dessa questão. Somos intransigentemente favoráveis à demarcação e homologação das terras indígenas no Estado. Somos favoráveis à reforma agrária e à titulação dos quilombos e a expropriação dos latifúndios, a estatização do agronegócio, assim como a elucidação de todos os assassinatos indígenas.

Como o senhor imagina o futuro das comunidades indígenas no Mato Grosso do Sul?

Com a vitória do PSTU no governo federal, o futuro presidente do País, o metalúrgico Zé Maria, homologará e demarcará não só todas as terras indígenas, mas também os quilombolas e construirá um programa de reforma agrária que atenda todos os trabalhadores que queiram trabalhar e produzir nos férteis solos de MS e demais estados brasileiros.

Caso permaneçam os mesmos governantes neoliberais, a visão que o PSTU tem é que continuará o genocídio dessas comunidades. E nesse caso, o PSTU neste Estado, juntamente com o povo pobre e a classe trabalhadora fará pressão e mobilizações em todo o Brasil exigindo a demarcação das terras indígenas, a imediata realização de reforma agrária, a titulação das terras quilombolas e o arquivamento da PEC 215.

Que políticas o senhor propõe para elevar a qualidade do ensino público no Estado?

A qualidade de ensino está atrelada a um maior investimento na educação. Reivindicamos e vamos lutar junto com os trabalhadores que o Governo Federal aplique 10% do PIB na educação pública, já. Em MS aumentaremos o atual percentual de 25% para 30% do orçamento na educação.

Redução de números de alunos por sala de aula principalmente nas séries iniciais do ensino fundamental até chegar a todos os níveis de ensino. Dar condições de trabalho aos trabalhadores da educação.

Revisão do estatuto e dos planos de cargos, carreiras e salário, não só dos trabalhadores em educação, mas de todo o funcionalismo público do Estado. Quanto à UEMS, daremos sua autonomia financeira cuja gestão deve ser implementada pelos corpos discente e docente com a participação dos movimentos sociais e agilização no que diz respeito ao término de construção de prédio próprio.

O senhor pretende investir na qualificação dos professores? Com que ações?

No estatuto e no plano de cargos e carreira do magistério será contemplada a formação continuada em serviço com aperfeiçoamento dessa categoria nas suas áreas. Como liberação do serviço com licença remunerada para cursos de pós, mestrado, doutorada e PHD.

A questão da infraestrutura é fundamental para a economia do Estado. Quais as suas prioridades nesta questão?

Não tem alternativa para MS se não vier investimento do Governo Federal. Por isso o PSTU defende a reestatização da malha ferroviária. Setor que tanto o Governo Federal quanto o estadual abandonou com a privatização. Não conceder a nossa malha rodoviária a terceiros no Estado. Extinção do Fundersul. Término das isenções fiscais para aplicar em todos os setores, inclusive a revitalização do fluvial, investindo em hidrovias.

Como o senhor pretende otimizar a transparência no Governo do Estado?

Defendemos que os trabalhadores e o povo pobre governem o Estado de Mato Grosso do Sul. A administração do PSTU será apenas um estimulador dessa nova forma de governar pelos respectivos conselhos populares das áreas.

Não basta apenas tornar públicas as ações do governo no Diário Oficial e em tempo real as entradas e saídas dos recursos do Estado. Vamos fazer isso com a efetiva criação desses Conselhos Populares em cada região do Estado, com nossos secretários políticos junto com a equipe técnica dos trabalhadores de MS, que vão levar a toda a população informações a respeito do orçamento do Estado e essa mesma população vai decidir onde serão aplicados os 100% desse orçamento. Ou seja, muito mais que ter ciência das entradas e saídas dos recursos do Estado a população vai decidir.


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