18/06/2024 - Edição 540

Entrevista

Lucien Rezende – Candidato do PSOL ao Senado

Publicado em 29/09/2014 12:00 -

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Entre as principais pretensões de Lucien Rezende no Senado está a garantia de investimentos no setor social e a luta por uma reforma política, tributária e do judiciário de forma que reafirme os direitos dos cidadãos como prioridade. Confira a entrevista.

 

Victor Barone

O que o levou a disputar uma vaga no Senado da República?

Minha decisão é resultado do amplo debate da militância do Partido que entendeu ser necessária uma candidatura para representar os interesses do povo de Mato Grosso do Sul e não os interesses da elite política e econômica de nosso Estado. Minhas principais pretensões são: garantir investimentos no setor social, lutar por uma reforma política, tributária e do judiciário de forma que reafirme os direitos dos cidadãos como prioridade.

O Senado Federal tem um sistema igualitário de representantes dos Estados, no entanto Mato Grosso do Sul ainda sai perdendo em vários setores, em especial na distribuição de FPM e FPE. Como inverter esta situação?

É preciso que os Senadores de nosso Estado dêem mais poder político aos prefeitos e também ao governador para uma disputa mais forte pelos recursos dos fundos de participação dos municípios e do Estado. Para isso é importante que as diferenças partidárias e os projetos pessoais sejam colocadas de lado. Nós vamos fazer um mandato ancorado nos movimentos sociais e na participação popular, ou seja, um mandato livre dos conchavos com os detentores do poder político e econômico do país.

Vamos preservar uma relação harmoniosa e republicana com os colegas de parlamento, fortalecidas pelo lastro de projetos elaborados com perfeição técnica e com resultados garantidos para desta forma, capitanear recursos que atendam todas as demandas. de produção, de logística, de industrialização e principalmente que explore o potencial turístico e ambiental de nosso Estado.

Como senador, como pretende ajudar no desenvolvimento do Mato Grosso do Sul?

Com muito trabalho e com muito apoio ao desenvolvimento de pesquisas e de projetos que garantam recursos para produção, para a  logística, para educação que forme mão de obra qualificada, para a agricultura familiar, para a  industrialização e principalmente para a exploração do potencial turístico e ambiental de nosso Estado.

Qual a sua posição sobre a demarcação de terras indígenas?

Defendo que é responsabilidade do Estado a proteção de todos os seus cidadãos sem distinção. No caso dos povos indígenas, é necessário respeitar suas tradições e sua cultura e contribuir com soluções para os conflitos que envolvem a posse de terras. No Senado serei firme no apoio a demarcação das terras indígenas e na cobrança da presença da força nacional e da policia federal para garantir a posse dos povos originais. Com a mesma firmeza vou exigir do Governa a justa indenização para os donos de terras tituladas pela União ou pelo Estado.

Qual a sua opinião sobre a regulamentação do uso da maconha?

É um debate necessário. Defendemos a descriminalização da Maconha como estratégia de combate ao tráfico de drogas. A chamada "guerra às drogas" protagonizada pelo Brasil serviu até o momento apenas para punir os mais pobres e os mais vulneráveis, deixando os barões e os cartéis do tráfico cada vez mais poderosos. A legalização do uso medicinal e recreativo da maconha, com controle do Estado contribuirá com a diminuição da violência e com a desestruturação e desarticulação do poder econômico dos traficantes.

No Senado serei firme no apoio a demarcação das terras indígenas e na cobrança da presença da força nacional e da policia federal para garantir a posse dos povos originais.

Como senador, como o senhor se posicionará a respeito do debate sobre a reforma tributária?

A reforma tributária deve ser ampla e com objetivo claro de desoneração da classe trabalhadora, dos aposentados, dos pequenos empreendedores, comerciantes e produtores. Neste contexto, precisamos garantir a proteção da economia brasileira sem explorar a população. Todos os impostos devem ser revisados e rediscutidos, mas, considero que o IOF, IPI, e o IE (Imposto sobre exportações) devam ser os primeiros a serem discutidos, bem como, é necessário que o congresso trate da questão sobre a tributação das grandes fortunas para inverter a lógica de cobrar demais dos que têm menos.

Que opinião o senhor tem a respeito da redução da maioridade penal?

Entendemos a maioridade penal como um equívoco e um retrocesso do pensamento jurídico e social. Vejo que quem defende a redução da maioridade penal, não se apresenta para lutar pela redução da maioridade para ocupação de cargos públicos, basta que observemos o Senado que impõe uma idade mínima de 35 anos para desempenho das funções eletivas do legislativo federal. É bastante contraditória a questão: um menor a partir dos dezesseis pode ser preso, mas não pode dirigir, não é considerado capaz e não pode ser eleito? Nosso país possui um sistema carcerário que não reeduca e tão pouco re-socializa o apenado, muito pelo contrário provoca o avanço e o aprimoramento da criminalidade.

Não se combate a criminalidade reduzindo a idade penal, mas sim, reduzindo as desigualdades sociais que geram a pobreza, a miséria e abandono do cidadão. Quero defender mais escolas, mais hospitais, mais universidades, mais emprego, mais oportunidades e menos, bem menos prisões e celas. Com relação a política de cotas, entendemos as mesmas como medidas de resgate dos direitos das classes menos favorecidas classificadas pela elite como minorias sociais. A política de cotas não é um favor, é uma conquista. Precisa ser apoiada por outras políticas de Estado para que se transforme de medida paliativa em ação política que garanta a ascensão social e a independência do beneficiado.

Não se combate a criminalidade reduzindo a idade penal, mas sim, reduzindo as desigualdades sociais que geram a pobreza, a miséria e abandono do cidadão.

Qual sua posição diante da política de cotas?

Precisamos avançar neste debate. O Brasil não pode viver de paliativos. É evidente que algumas medidas são inclusivas e que rompem com o preconceito e a discriminação de setores da sociedade, mas, a sociedade que buscamos é aquela em que as cotas sejam desnecessárias para a qualidade vida das pessoas. Precisamos lutar no Senado para garantir a independência efetiva da população.

Poucas atividades econômicas tem um impacto ambiental tão nocivo quanto a pecuária. Como Senador, de que forma o senhor pretende contribuir para conciliar a competitividade de uma das maiores cadeias produtivas do Estado com a necessidade de preservação de nosso ecossistema?

Avançando no debate da diversificação da matriz econômica do Estado e no avanço da exploração das potencialidades locais de cada região de Mato Grosso do Sul. Isso quer dizer que vamos trabalhar para garantir mais desenvolvimento de novas tecnologias para o mercado de Mato Grosso do Sul. Não se trata de romper com o agronegócio, mas de estimular novas alternativas dentro desta cadeia produtiva como por exemplo, o investimento na geração de energia limpa, investimento no Eco-Turismo, investimento no beneficiamento de produtos. Dessa maneira aumentamos a competitividade do Estado e criamos mais oportunidades para o nosso povo.

O que precisa ser aperfeiçoado no legislativo federal?

Acredito que o Senado necessita estar mais próximo do seu objetivo final que é o bem estar da população. No entanto os vícios estabelecidos naquela casa de perpetuação no poder e no tão comum "toma lá, dá cá" a afastam cada vez mais do povo. O Legislativo federal precisa se arejar, admitir a renovação, rejuvenescer nos princípios e nas práticas.  O fim ou limitação do instituto da reeleição deverá ser debatido pelo nosso mandato, bem como todos os outros aspectos particulares do congresso. Enfim, o legislativo federal precisa urgente de uma reforma política ampla e popular. Lutaremos para que ela ocorra.


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