24/04/2024 - Edição 540

Entrevista

Antônio João – Candidato do PSD ao Senado

Publicado em 03/09/2014 12:00 -

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Empresário da comunicação, Antônio João Hugo Rodrigues é conhecido por suas opiniões fortes e, por vezes, polêmicas. Candidato do PSD ao Senado, ele quer imprimir um ritmo mais forte na presença da bancada do Estado no Congresso. “Três votos em 81 vale muito para o governo”, afirma, referindo-se ao poder de barganha dos senadores do Estado em Brasília. Confira a entrevista.

 

Por Victor Barone

O que o levou a disputar uma vaga no Senado da República?

Meu objetivo é ajudar Mato Grosso do Sul e a campanha do Reinaldo Azambuja e principalmente ajudar a população do nosso Estado.

O senado federal tem um sistema igualitário de representantes dos Estados, no entanto Mato Grosso do Sul ainda sai perdendo em vários setores, em especial na distribuição de FPM e FPE. Como inverter esta situação?

É só os senadores resolverem trabalhar. Precisam lembrar que eles são representantes do nosso estado e que se eles ficarem sempre complacentes e felizes com o governo federal, esse problema não será resolvido. Se tivessem os três senadores empenhados nisso, não aconteceria. Porque três votos em 81 vale muito para o governo. Ah não vai dar verba pro meu estado, então vou votar tudo.

O senador precisa ir aos ministérios atrás de recursos. Falta trabalho, empenho, aquilo que se prometeu na campanha ninguém faz. Acabou a campanha, elegeu é tchau. Você nem vê falar mais de senador, tirando o senador Rubem Figueiró, o resto não faz  nada.

Como senador, como pretende ajudar no desenvolvimento do Mato Grosso do Sul?

Cobrando o governo federal e indo para os ministérios buscar recursos, não tem outra forma de fazer não. É trabalhar mesmo.

É só os senadores resolverem trabalhar. Precisam lembrar que eles são representantes do nosso estado e que se eles ficarem sempre complacentes e felizes com o governo federal, esse problema não será resolvido.

Qual a sua posição sobre a demarcação de terras indígenas?

Os índios eram donos de todas as terras e a União tomou tudo deles. Não deixou nada para eles a não ser umas reserva de terra. Agora é hora de fazer justiça com os índios, dar terras, ampará-los, dar a eles condições de virarem cidadãos verdadeiros do Brasil, com identidade, maioridade, tudo certinho. Não fazer essa escravidão que a Funai faz. Não liberta o índio de jeito nenhum, se puder confina nas reservas. Essa desculpa de que tem que manter a cultura não cabe mais no mundo atua. A cultura hoje é digital, é moderna, tem que incluí-los nisso gradativamente e dar as terras que eles gostariam de ter, é justo.

Só não pode invadir a fazenda do sujeito que comprou. O Governo tem que olhar assim: está aqui dizendo que isto é terra indígena, quanto custa, está aqui o seu dinheiro. Compra a terra e põe os índios lá. Mas de preferência, deveriam ser feitas aldeias urbanas, para que eles se integrassem na sociedade, virassem cidadãos de verdade. Jogar lá também não adianta nada. Temos que cuidar dos índios com muito carinho, porque nós não deixamos até hoje eles virarem cidadãos brasileiros realmente. Tem que criar uma lei para que o governo indenize o produtor, dê a terra e resolva isso. Tem que dar a terra e assistência para eles produzirem, senão eles vão ficar sentados lá, fazendo o quê?

Qual a sua opinião sobre a regulamentação do uso da maconha?

Sou absolutamente contra o uso da maconha e de qualquer tipo de drogas. Agora, medicamentos a base da cannabis sativa é outra coisa. Não é liberar para a pessoa sair fumando, não. Tem medicamento a base de maconha que tem componentes que ajudam a curar doenças. Todos os medicamentos devem ser liberados na medida da receita médica. Agora liberar o uso da maconha, isso é coisa para louco. Vamos liberar o uso de tudo. Eu já acho que liberar o uso da cerveja é um absurdo, pinga, uísque. Se liberar a maconha, depois vão querer liberar cocaína, crack. Não tem que liberar nada.

Como senador, como o senhor se posicionará a respeito do debate sobre a reforma tributária?

Se não fizer reforma tributária nós estamos liquidados. O Brasil cobra impostos do comércio, da indústria e do povo que nenhum país no mundo cobra. Tem que se fazer uma reforma com a máxima urgência. O problema é saber se os políticos vão aceitar isso. Não é o governo não, os governos até que tentam.

Mas quando chega lá no Congresso eles deformam tudo. É emenda, remenda, vira uma parafernália. Cada um age de acordo com seus interesses não sai reforma nenhuma. Aí saem as tais das mini reformas que não resolvem nada.

É só tapeação. Então tem que fazer realmente uma reforma legal, boa, para que todo mundo consiga pagar, porque hoje os impostos são tão altos que, se o cara não virar sonegador, ele não vai ter mais empresa. Eles empurram o cidadão para o crime e depois, ainda quando pegam, matam ele com a empresa e tudo.

É uma covardia o que se faz com o sistema  produtivo brasileiro e com o cidadão brasileiro, que paga 27% de imposto de renda. Isso é um pouco menos de um terço do que você ganha na sua vida, então é um negócio de doido.  E o governo não produz nada, só faz Copa do Mundo que não dá em nada. Não faz hospital, não faz nada. Faturam todas as contas, é uma ladroagem só. E os dirigentes do PT estão todos presos, uma boa parte deles na Papuda (Presídio federal em Brasília).

Sou absolutamente contra o uso da maconha e de qualquer tipo de drogas. Agora, medicamentos a base da cannabis sativa é outra coisa.

Que opinião o senhor tem a respeito da redução da maioridade penal?

Se o menino com 16 anos pode votar, pode fazer sexo e ter filho, por que não vai responder pelo que faz? Isso é uma hipocrisia. Desse jeito todo guri vai preferir servir ao crime porque assim ele pode dar um tiro no outro e em três dias está solto. Até pistolagem vai fazer com o menor, daqui a pouco. Tem menino batendo em professor na sala de aula todo santo dia. O país onde os professores sofrem mais violência é o Brasil. Eles agridem, xingam o professor e brigam entre eles também e não dá nada. Então é por isso que o Brasil está assim. Não pode nem corrigir o filho mais.

Qual sua posição diante da política de cotas?

Eu não vejo o negro, eu vejo pessoas. A cor pra mim não faz diferença. São todos iguais, mas é importante ter um espaço para mostrarem suas idéias não só para mim, que quero representá-los no Senado, mas também aos demais políticos, para que eles possam criar políticas públicas voltadas ao interesse dos afro descendentes.

Poucas atividades econômicas tem um impacto ambiental tão nocivo quanto a pecuária. Como Senador, de que forma o senhor pretende contribuir para conciliar a competitividade de uma das maiores cadeias produtivas do Estado com a necessidade de preservação de nosso ecossistema?

Se a gente olhar para a pecuária como algo que não pode existir, de onde a gente vai tirar carne, proteína? O que o brasileiro vai comer? Vai ficar igual ao chinês que come grilo, escorpião para buscar proteína? E lá eles criam o gado sim, mas é insuficiente. E olha o tamanho daquele país. Então a busca pela proteína é pelo gado. O problema é que ele solta gases, assim como nós. Acontece que a quantidade de gases que o gado solta é muito grande e afeta a camada de ozônio. Mas afeta porque o desmatamento é muito grande. E isso não é culpa da agropecuária, nem da agricultura. Conforme a cidades crescem, ocorre o desmatamento.

Tem que enfrentar o problema com atitudes para proteger o meio ambiente, mas sem barrar o crescimento. E como faz isso? Elegendo políticos bons. Cabe a nós políticos resolvermos isso. Cabe ao eleitor, que escolhe os políticos, descobrir e entender a força, a capacidade que ele tem de fazer o melhor time. Se ele faz o pior time, cabe a ele (eleitor) pagar a conta.

Os cidadãos de bem têm que olhar os candidatos de bem e convencer os outros  a votar no bem. Não adianta votar no cara que faz gracinha não.

O que precisa ser aperfeiçoado no legislativo federal?

É preciso eleger políticos bons. O eleitor é quem elege o bom ou o mal político. Não cabe a nós políticos resolver isso. Cabe ao eleitor descobrir a força, a capacidade que tem de montar o melhor time. Se ele escolhe o pior, acaba pagando a conta. Daí não é culpa dos políticos.

Os cidadãos de bem precisam olhar os candidatos do bem e convencer as pessoas que precisam votar nos políticos do bem. Dessa forma não vai adiantar fazer gracinha que o povo não vai dar crédito.


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