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Teatro do Mundo
MS recebe investimentos federais significativos, mas perde oportunidades por ausência de estratégia
Publicado em 17/04/2026 4:10 - Fernando Lopes Lima
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Nos últimos anos, é impossível falar de cultura em Mato Grosso do Sul sem reconhecer um dado concreto: houve investimento federal relevante chegando ao estado. Ainda que de forma desigual e, muitas vezes, atravessada por entraves estruturais, o volume de recursos destinados à cultura sul-mato-grossense — especialmente por meio das leis emergenciais — revela um esforço claro de reconstrução e fortalecimento do setor.
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A atuação do Ministério da Cultura, sobretudo com a implementação da Lei Aldir Blanc e da Lei Paulo Gustavo, foi decisiva. Juntas, essas políticas injetaram algo entre R$ 110 milhões e R$ 150 milhões em Mato Grosso do Sul nos últimos anos — um valor que, por si só, supera com folga qualquer histórico recente de investimento estruturado no setor cultural local. Trata-se de uma ação que não apenas socorreu artistas durante a crise, mas também reacendeu circuitos, coletivos e produções que estavam à beira do colapso.
Esse movimento evidencia um governo federal que, com todas as suas limitações, entende a cultura como política pública estratégica, e não como acessório. Há planejamento, há mecanismos, há tentativa de descentralização.
Mas quando o olhar se volta para dentro do estado, o contraste é inevitável.
Se por um lado há um fluxo expressivo de recursos federais, por outro, falta protagonismo local. O governo estadual ainda atua de forma tímida, com investimentos próprios pouco expressivos e, sobretudo, com uma ausência preocupante de articulação com o setor privado. Isso se torna ainda mais evidente quando observamos os dados da Lei Rouanet.
Empresas sediadas em Mato Grosso do Sul investiram cerca de R$ 14,6 milhões via Rouanet, mas apenas uma pequena fração desse valor permaneceu no estado. Ou seja: o dinheiro existe, as empresas estão dispostas a investir — mas não há uma política local eficaz que conecte esse recurso à produção cultural sul-mato-grossense.
Esse dado é revelador. Não se trata apenas de falta de verba, mas de falta de mediação, de articulação, de presença política. Falta ao governo estadual ocupar esse espaço, dialogar com empresas, fomentar redes, criar pontes entre quem pode investir e quem produz cultura aqui.
O resultado é um cenário paradoxal:
Mato Grosso do Sul recebe investimentos federais significativos, mas continua perdendo oportunidades por ausência de estratégia local.
A cultura não se sustenta apenas com editais emergenciais. Ela precisa de continuidade, de ecossistema, de compromisso político permanente. E isso passa, necessariamente, por um governo estadual mais ativo — não apenas como gestor de recursos, mas como indutor de desenvolvimento cultural.
Enquanto isso não acontece, seguimos dependentes de políticas federais para manter o básico funcionando — quando poderíamos estar construindo algo muito maior.
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FERNANDO LOPES LIMA
É ator, diretor, autor e palhaço. Artista da cena, dedica sua trajetória à pesquisa do teatro como espaço de encontro, afeto e provocação. Com forte atuação no teatro independente e de grupo. Fundador e integrante da Cia Teatro do Mundo e gestor da Estação Cultural Teatro do Mundo de Campo Grande MS.
Estação Cultural Teatro do Mundo
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Muito
Bom Fernando! E digo mais, talvez problema maior é onde estão sendo aplicados esses recursos!! Quem faz a cultura, “quem fala da gente pra gente”, os artistas comprometido não só com o entretenimento, mas com uma preocupação de propor a sociedade uma reflexão sobre ela mesma, para sermos melhores a cada dia como sociedade, esse nunca é contemplado com esses recursos! Sempre os recursos vão pra atividades exclusivas de entretenimento, onde os que são “contemplados” traz visibilidade aos que estão no poder!! Parece que estão querendo calar as vozes daqueles que tem alguma coisa pra falar, alguma proposta que faça com que a sociedade se enxergue, se valorize enquanto sociedade sul-mato-grossense . Mas somos resistência e não vamos desistir nunca de fazer nossa parte!! Aqui já se vão 40 anos desse mesmo discurso!!! E se preciso for continuaremos por mais 40!!!????????????????????????