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Teatro do Mundo
Quando o ego ocupa o lugar da causa, o coletivo enfraquece
Publicado em 04/07/2026 12:41 - Fernando Lopes Lima
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Ser pilar não é ocupar o topo. Pilar sustenta. E sustentar exige outra lógica: estar por baixo, carregar junto, dividir peso, aceitar que muitas vezes o reconhecimento vai para aquilo que está visível — e não para quem tornou o visível possível.
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Há projetos que adoecem quando alguém começa a confundir protagonismo com importância. A causa deixa de ser o centro e passa a servir ao ego de quem deveria servi-la. Aos poucos, as decisões deixam de perguntar “o que fortalece o coletivo?” e começam a perguntar “o que mantém meu lugar?”.
Nenhuma construção permanece de pé quando os pilares querem aparecer mais do que a casa.
Ficar por baixo não significa submissão, apagamento ou aceitar exploração. Significa compreender que liderar, criar, organizar ou sustentar algo é também fazer parte do chão comum. É continuar entre as pessoas, escutar, dividir responsabilidades, aceitar que ninguém carrega sozinho e que ninguém é maior do que aquilo que diz defender.
Uma causa forte não precisa de heróis permanentes. Precisa de gente comprometida o suficiente para entender que, em alguns momentos, o papel mais importante é justamente deixar de ser o centro.
Não se sinta mais importante que a própria causa.
Porque quando o projeto vira extensão da vaidade de alguém, ele enfraquece. Mas quando quem sustenta permanece junto da equipe — no trabalho invisível, no esforço compartilhado, no risco dividido — nasce algo mais raro: pertencimento.
E pertencimento sustenta mais do que qualquer pedestal.
E existe uma pergunta difícil que todo mundo que ocupa um lugar de sustentação precisa fazer em algum momento: eu consigo permanecer quando não sou tratado como exceção? Consigo seguir quando minha opinião é apenas uma entre outras? Consigo continuar comprometido mesmo quando o aplauso diminui e o trabalho aumenta? Porque projeto coletivo não combina com hierarquias emocionais onde alguns exigem reconhecimento permanente para continuar contribuindo.
Se não se suporta a ideia de estar no mesmo nível, de dividir mérito, de ser atravessado pelas críticas que todos recebem e pelas dificuldades que todos enfrentam, talvez seja preciso reconsiderar o lugar que se ocupa. Não como derrota, mas como honestidade. Há quem queira palco — e isso não é um problema. O problema é chamar de causa aquilo que, no fundo, é necessidade de destaque. Quem escolhe construir junto precisa aceitar uma verdade simples e exigente: ninguém sustenta um projeto ficando acima dele.
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FERNANDO LOPES LIMA
É ator, diretor, autor e palhaço. Artista da cena, dedica sua trajetória à pesquisa do teatro como espaço de encontro, afeto e provocação. Com forte atuação no teatro independente e de grupo. Fundador e integrante da Cia Teatro do Mundo e gestor da Estação Cultural Teatro do Mundo de Campo Grande MS.
Estação Cultural Teatro do Mundo
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