Entre em nosso grupo

2

WhatsApp Semana On

04/07/2026 - Desde 2009 informando com qualidade

Nos apoie:

Chave PIX:

19.485.790/0001-70

QR Code para doação

Teatro do Mundo

Nenhum pilar sustenta uma casa de cima

Quando o ego ocupa o lugar da causa, o coletivo enfraquece

Publicado em 04/07/2026 12:41 - Fernando Lopes Lima

Divulgação

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

Ser pilar não é ocupar o topo. Pilar sustenta. E sustentar exige outra lógica: estar por baixo, carregar junto, dividir peso, aceitar que muitas vezes o reconhecimento vai para aquilo que está visível — e não para quem tornou o visível possível.

SIGA A SEMANA ON NO YOUTUBE, INSTAGRAMFACEBOOK, TIKTOK, X E WHATSAPP

Há projetos que adoecem quando alguém começa a confundir protagonismo com importância. A causa deixa de ser o centro e passa a servir ao ego de quem deveria servi-la. Aos poucos, as decisões deixam de perguntar “o que fortalece o coletivo?” e começam a perguntar “o que mantém meu lugar?”.

Nenhuma construção permanece de pé quando os pilares querem aparecer mais do que a casa.

Ficar por baixo não significa submissão, apagamento ou aceitar exploração. Significa compreender que liderar, criar, organizar ou sustentar algo é também fazer parte do chão comum. É continuar entre as pessoas, escutar, dividir responsabilidades, aceitar que ninguém carrega sozinho e que ninguém é maior do que aquilo que diz defender.

Uma causa forte não precisa de heróis permanentes. Precisa de gente comprometida o suficiente para entender que, em alguns momentos, o papel mais importante é justamente deixar de ser o centro.

Não se sinta mais importante que a própria causa.

Porque quando o projeto vira extensão da vaidade de alguém, ele enfraquece. Mas quando quem sustenta permanece junto da equipe — no trabalho invisível, no esforço compartilhado, no risco dividido — nasce algo mais raro: pertencimento.

E pertencimento sustenta mais do que qualquer pedestal.

E existe uma pergunta difícil que todo mundo que ocupa um lugar de sustentação precisa fazer em algum momento: eu consigo permanecer quando não sou tratado como exceção? Consigo seguir quando minha opinião é apenas uma entre outras? Consigo continuar comprometido mesmo quando o aplauso diminui e o trabalho aumenta? Porque projeto coletivo não combina com hierarquias emocionais onde alguns exigem reconhecimento permanente para continuar contribuindo.

Se não se suporta a ideia de estar no mesmo nível, de dividir mérito, de ser atravessado pelas críticas que todos recebem e pelas dificuldades que todos enfrentam, talvez seja preciso reconsiderar o lugar que se ocupa. Não como derrota, mas como honestidade. Há quem queira palco — e isso não é um problema. O problema é chamar de causa aquilo que, no fundo, é necessidade de destaque. Quem escolhe construir junto precisa aceitar uma verdade simples e exigente: ninguém sustenta um projeto ficando acima dele.

SE FIZER SENTIDO PRA VOCÊ, APOIE O JORNALISMO DA SEMANA ON

FERNANDO LOPES LIMA

É ator, diretor, autor e palhaço. Artista da cena, dedica sua trajetória à pesquisa do teatro como espaço de encontro, afeto e provocação. Com forte atuação no teatro independente e de grupo. Fundador e integrante da Cia Teatro do Mundo e gestor da Estação Cultural Teatro do Mundo de Campo Grande MS.

Email

Cia. Teatro do Mundo

Estação Cultural Teatro do Mundo

Quem decide o que é uma atuação certa?

Leia outros artigos da coluna: Teatro do Mundo

Fernando Lopes Lima


Voltar


Comente sobre essa publicação...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *