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Campo Grande

Capela da Fraternidade São Pio X em Campo Grande integra grupo declarado em cisma pelo Vaticano

Ruptura ocorreu após consagração de quatro novos bispos na Suíça sem autorização do papa: bispos e novos prelados foram excomungados

Publicado em 04/07/2026 12:26 - Semana On

Divulgação Reprodução

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A decisão do Vaticano de declarar oficialmente a Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) em estado de cisma repercute diretamente em Campo Grande, onde a organização mantém atividades na Capela São Pio X, localizada no bairro Monte Castelo. Com o novo decreto da Santa Sé, a fraternidade deixa definitivamente a condição de situação canônica irregular para ser considerada formalmente separada da Igreja Católica.

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Segundo o decreto publicado pelo Dicastério para a Doutrina da Fé, a ruptura ocorreu após a realização da consagração de quatro novos bispos na Suíça sem autorização do papa, apesar das advertências feitas pela Santa Sé. Como consequência, os bispos responsáveis pelas ordenações e os novos prelados foram automaticamente excomungados pelo crime canônico de cisma.

A decisão representa o desfecho de um conflito que se arrasta há décadas entre Roma e a Fraternidade São Pio X.

Fundada pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre, a FSSPX surgiu como reação às reformas introduzidas pelo Concílio Vaticano II, entre elas a celebração da missa nas línguas locais, a ampliação da participação dos leigos na liturgia e a abertura ao diálogo ecumênico. Em 1988, Lefebvre rompeu com a autoridade papal ao ordenar quatro bispos sem o mandato do então papa João Paulo II, ato que resultou em sua excomunhão e marcou o início da crise institucional.

Ao longo dos anos seguintes, houve tentativas de aproximação entre Roma e a fraternidade. Em 2009, o papa Bento XVI retirou a excomunhão dos bispos remanescentes como gesto de reconciliação. Posteriormente, o papa Francisco concedeu aos sacerdotes da FSSPX faculdades temporárias para ouvir confissões e assistir casamentos em circunstâncias específicas, embora a organização jamais tenha recuperado uma situação canônica regular perante a Igreja.

A nova consagração de bispos sem autorização pontifícia encerrou esse processo de diálogo e levou o Vaticano a declarar oficialmente a existência de um cisma.

Presença em Campo Grande

Em Campo Grande, a FSSPX mantém suas atividades na Capela São Pio X, no bairro Monte Castelo, onde reúne fiéis interessados na liturgia tradicional em latim, conhecida como Missa Tridentina.

A Arquidiocese de Campo Grande reforça que a fraternidade não possui jurisdição canônica nem autorização para atuar na Igreja local.

Segundo as orientações da Igreja, os sacramentos celebrados pelos sacerdotes da FSSPX são considerados ilícitos. O decreto também estabelece que confissões e casamentos realizados por ministros da fraternidade não produzem efeitos perante o direito canônico da Igreja Católica.

A Santa Sé também adverte que a adesão formal às posições defendidas pela fraternidade — especialmente quando envolve a rejeição da autoridade do papa ou das decisões do Concílio Vaticano II — configura participação no cisma e pode acarretar excomunhão aos fiéis.

Para os católicos que frequentavam a capela apenas por devoção à liturgia tradicional ou pelo apreço à missa em latim, a orientação oficial é interromper a participação nas celebrações da FSSPX e buscar comunidades em plena comunhão com Roma.

Missa em latim autorizada

A Arquidiocese de Campo Grande oferece aos fiéis a possibilidade de participar da Missa Tridentina sem romper a comunhão com a Igreja Católica.

As celebrações ocorrem na Capela Nossa Senhora Aparecida, vinculada à Paróquia São Sebastião, localizada na Rua Ismael Silva, nº 10, na Vila Margarida.

No local, a missa em latim é celebrada aos domingos, às 16 horas, além de celebrações durante a semana, preservando o rito tradicional com plena autorização do bispo diocesano e da Santa Sé.

Com isso, a Arquidiocese orienta que os fiéis que desejam manter a espiritualidade ligada ao rito tridentino procurem essa comunidade, onde todos os sacramentos são reconhecidos como válidos e lícitos pela Igreja Católica.

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