13/06/2024 - Edição 540

Ágora Digital

Entre tapas e escrachos… os vídeos que nos fizeram rir da política em 2017

Publicado em 05/01/2018 12:00 - Victor Barone

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Conturbado: assim foi o cenário político em 2017. As muitas peripécias e artes protagonizadas pelos nossos nobres representantes nos deixaram de cabelo em pé, preocupados com o que eles aprontam para o ano que começou nesta semana. Para começarmos 2018 de bom humor, elencamos nesta primeira edição do ano alguns vídeos bem característicos nos quais eles, nos nossos “representantes” se digladiam e são escrachados publicamente.

No início de maio, nervos à flor da pele durante discussão da reforma da Previdência na Câmara:

No Senado, em 23 de maio, clima quentíssimo na Comissão de Assuntos Econômicos, um dos três colegiados que discutiram a reforma trabalhista:

O final da discussão anterior registrou dois enfurecidos senadores, Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Ataídes de Oliveira (PSDB-TO), avançando um sobre o outro:

O plenário da Câmara transformado em ringue, em 24 de maio:

Ringue, aliás, que quase subiu à Mesa na mesma sessão…

Em 11 de julho, senadoras ocuparam o comando do plenário para impedir a votação da reforma trabalhista:

Presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE) não conseguiu conduzir a sessão e, irritado, mandou desligar luz e som do plenário:

No início de agosto, a confusão na Câmara foi tão grande que impossibilitou discursos:

No final de agosto, Eunício Oliveira presidia sessão do Congresso quando se irritou e bradou: “Baixe o dedo, não sou nega sua”

Na CPI da JBS, em 17 de outubro, o deputado Carlos Marun (MDB-MS) chama de “vira-latas”o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que rebate: “Lambe-botas de Temer”!

Entre os escrachos públicos, um que se espalhou pelas redes sociais foi o da senadora Gleisi Hoffmann (PR), presidente nacional do PT e ex-ministra da Casa Civil de Dilma Rousseff. Durante o episódio, Gleisi solicitou a detenção da passageira, no que foi atendida. “2018 está chegando, a senhora será jogada na lata do lixo!”, diz a passageira, tentando desvencilhar-se do que parece ser um assessor de Gleisi.

Em maio, quando começaram as discussões sobre a reforma da Previdência, o deputado Marcelo Castro (MDB-PI) enfrentou a fúria de sindicalistas da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Pouco antes do chegar ao primeiro minuto, o vídeo flagra o peemedebista, ex-ministro da Saúde, desferindo um chute “ao vento”, como sua assessoria alegou a este site na época.

Em junho, o deputado Heráclito Fortes (PSB-PI) foi recebido no aeroporto de Teresina com xingamentos como, entre outros, “bandido”, “traidor do povo” e “golpista”. “Cadê a propina?”, diz o rapaz que faz a imagem abaixo.

Em julho, o senador Cristovam Buarque (PPS-DF) foi lançar um livro na UFMG, mas desistiu. Foi recebido por um coro de professores e alunos que o chamaram de golpista. Este foi o primeiro de uma série de escrachos públicos que o senador sofreu durante o ano.

Há cerca de cinco meses, em agosto, foi a vez de o senador Romário (Pode-RJ) ser chamado de “golpista”:

Em outubro, o então deputado federal Carlos Marun (PMDB) foi vaiado e teve dificuldades em se pronunciar durante seminário sobre esportes realizado na Câmara Municipal de Campo Grande. Sob gritos de "fora, Marun", declarou que nunca fez política para ser bem quisto.

Em meados de novembro, um passageiro indignado chama de ”inútil” e “vagabundo” o deputado Pauderney Avelino (DEM-AM), um dos membros da base de Michel Temer na Câmara. E dispara: “Você não representa o povo brasileiro, o povo do Norte! Está acabando com o Brasil”!

Também em novembro, o então deputado federal Carlos Marun (MDB-MS) chamou eleitores de vagabundos após ter sido chamado de ladrão por um casal, nas ruas de Campo Grande (MS).

Mais para o fim de novembro, o senador Romero Jucá (MDB-RR), um dos homens fortes do governo Temer, é lembrado por uma moradora de Blumenau (SC) por ter vocalizado o “grande acordo nacional, com o Supremo, com tudo”, que culminou no impeachment de Dilma. Servidora do Instituto Federal Catarinense (IFC), Rúbia Sagaz quase teve o celular arrancado de sua mão pelo senador:

Também em novembro, o deputado estadual Beto Pereira (PSDB-MS) ouviu poucas e boas de uma aposentada após a aprovação do trâmite do projeto de lei da Reforma da Previdência Estadual.

Em dezembro, o deputado federal Mauro Pereira (MDB-RS) um dos que compuseram a tropa de choque de Eduardo Cunha, que votou para salvar Temer de denúncias e favorável as reformas, foi alvo de escracho em Caxias do Sul (RS), o mesmo tentou atribuir o protesto a “petistas” mas logo foi surpreendido, o deputado também foi alvo de protesto de aposentados em frente a sua casa contra a reforma da previdência.

Aberração jurídica

“A forma de condução do processo contra Lula é uma aberração jurídica. Primeiro, Sergio Moro o condenou sem provas, num julgamento político. As cartas estavam marcadas. Agora, o TRF4 acelera todos os ritos e antecipa o julgamento, no pior estilo sumário dos tribunais de exceção. Ninguém está acima da lei, mas também ninguém pode estar abaixo. Lula não está tendo um julgamento justo até aqui. Espero que o tribunal acate o recurso de Lula e desmonte esse absurdo. O MTST estará dia 24 em Porto Alegre com toda sua militância para defender essa posição nas ruas”, avisa Guilherme Boulos, 35, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), cotado para disputar a Presidência pelo PSOL.

Empresários coitadinhos

O procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, um dos líderes da força-tarefa da Lava Jato, considera que deve haver um balcão único de negociação das leniências, que são as delações das empresas. Órgãos, alguns do Executivo, como a Advocacia-Geral da União (AGU), e outros sob influência do Legislativo, como o Tribunal de Contas da União (TCU), também negociam acordos paralelos aos já firmados com a Procuradoria e criam dificuldades que podem comprometer a sobrevivência de uma companhia. Lima diz que procurador não deve se preocupar em salvar corporações. "Meu interesse não é esse. Meu interesse é: me traga provas dos outros crimes." E conclui: "não podemos transformar as empresas em coitadinhas".

Campeões em governismo

No Ceará e na Bahia, são aliados do governo do PT. No Pará, apoiam o PSDB. Também firmaram alianças com governadores do PSB, do MDB, do PP e do PCdoB. O PDT, legenda que na esfera federal faz oposição ao presidente Michel Temer (MDB) e lançou o nome de Ciro Gomes como candidato ao Planalto em 2018, tem filiados ocupando 22 secretarias estaduais em 13 unidades da federação. É o partido que mais cargos de primeiro escalão ocupa em governos de outros partidos. A conclusão é resultado de um levantamento que apurou o perfil e a filiação partidária dos 547 secretários dos governos dos 26 Estados e do Distrito Federal. Ao todo, são 180 secretários filiados ao mesmo partido do governador, 180 filiados ou indicados por partidos aliados e 184 sem filiação partidária. Depois do PDT, completam o topo do ranking de cargos em primeiro escalão em governos aliados MDB, PSB, PSDB e PSD, nesta ordem.

Ativistas de sofá

Os brasileiros que declaram voto em Jair Bolsonaro (PSC-RJ) para presidente são, proporcionalmente, os que mais compartilham notícias sobre política e eleições no Facebook e no WhatsApp, segundo pesquisa realizada no fim de novembro pelo Datafolha.  Entre os eleitores do deputado federal com acesso à internet, 87% têm conta no Facebook, e 40% deles dizem compartilhar noticiário político-eleitoral na plataforma; 93% têm conta no WhatsApp, e 43% declaram disseminar o conteúdo.  Entre os eleitores do ex-presidente Lula (PT), que lidera na intenção de voto, 74% têm conta no Facebook, e 31% compartilham noticiário político-eleitoral; 79% têm conta no WhatsApp, e 30% disseminam o conteúdo. Os de Marina Silva (Rede) têm números próximos aos de Bolsonaro quanto ao alcance (86% no Facebook, 91% no WhatsApp), mas inferiores quanto ao engajamento (28% e 27%, respectivamente).

Conservadores e despudorados

Em Paris, estudantes ocuparam as faculdades e trabalhadores pararam as fábricas, protestando contra o capitalismo. Nos EUA, milhares se revoltaram contra o assassinato de Martin Luther King Jr. e contra a Guerra do Vietnã. No Brasil, o assassinato do estudante Edson Luís carregou multidões para as ruas, contra a ditadura. Cinquenta anos depois, o legado de 68 está vivo e forte: nunca o movimento feminista, o gay, o negro e o ecológico foram tão atuantes. Ao mesmo tempo, nunca o movimento conservador foi tão "despudorado". Esse é o balanço que o escritor Zuenir Ventura, autor do best-seller "1968, O Ano que Não Terminou", faz daquele ano revolucionário e seu espólio. "Tivemos muitos avanços, principalmente na luta pelos direitos das mulheres, dos negros, dos gays; mas estamos vivendo um momento em que o conservadorismo perdeu a vergonha", diz Ventura.

Ditadura de toga não, diz Dirceu

Às vésperas do julgamento que pode tornar Lula (PT-SP) inelegível, José Dirceu levou à internet um vídeo no qual chama de “golpistas” os desembargadores do Tribunal Federal de Recursos da 4ª Região. Acusa-os de agir com o propósito deliberado de impedir a candidatura presidencial do líder máximo do PT. A peça foi divulgada no site ‘Nocaute’, do escritor Fernando Morais. Disse Dirceu, a certa altura: “Por isso o povo está de costas para eles, para os golpistas, para aqueles que querem refundar a República quando não receberam esse mandato da nação. São juízes, não foram eleitos, mas fazem algo mais grave. Querem usurpar o poder do Legislativo e do próprio Executivo, violando direitos fundamentais. Tudo em nome de impedir Lula de ser candidato. Mas nós derrotamos a ditadura militar, que governava por Atos Institucionais, e nāo vamos permitir a ditadura da toga.”

Serraglio santinho..

Apontado na Operação Carne Fraca como ''líder da organização criminosa'' que agia no setor de fiscalização agropecuária, Daniel Gonçalves Filho, ex-superintendente do Ministério da Agricultura no Paraná, acusou o deputado e ex-ministro da Justiça Osmar Serraglio (PMDB-PR) de receber propinas. O ex-fiscal celebrou um acordo de colaboração judicial. Sua delação já foi homologada pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal.

Vai homenagear o capeta!

Arcebispo de Olinda e Recife, Dom Antônio Fernando Saburido não gostou da homenagem póstuma de Michel Temer (MDB-SP) a Dom Hélder Câmara. O presidente concedeu ao ícone da igreja brasileira o título de “Patrono Brasileiro dos Direitos Humanos”. Em nota divulgada na terça-feira (2), Dom Saburido disse que o companheiro de batina, que se notabilizou pelo combate às arbitrariedades da ditadura militar, merece o reconhecimento. Mas insinuou que, partindo de Temer, o gesto é incoerente. “O que significa essa medida vir de um governo que justamente esvaziou a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e comprometeu todo o trabalho que vinha sendo feito na luta contra todo tipo de discriminações? Será que nomear Dom Helder patrono brasileiro dos Direitos Humanos fará o governo voltar atrás da decisão de reduzir substancialmente os gastos públicos em saúde e educação, deixando os milhões de pobres abandonados à própria sorte?”, questionou.

Intervindo demais

O general Eduardo Villas Bôas, comandante do Exército, disse estar preocupado com a utilização excessiva dos militares em “intervenções” para restabelecer a segurança nos Estados. São as chamadas Operações de GLO, Garantia da Lei e da Ordem. Em mensagem postada no Twitter, Villas Bôas realçou: “Só no Rio Grande do Norte, as Forças Armadas já foram usadas três vezes em 18 meses”. Em tom de apelo, o general emendou: “A segurança pública precisa ser tratada pelos Estados com prioridade ‘Zero’. Os números da violência corroboram as minhas palavras.”

Preocupa-me o constante emprego do @exercitooficial em “intervenções” (GLO) nos Estados. Só no RN, as FA já foram usadas 3 X, em 18 meses. A segurança pública precisa ser tratada pelos Estados com prioridade “Zero”. Os números da violência corroboram as minhas palavras.

— General Villas Boas (@Gen_VillasBoas) 30 de dezembro de 2017

Decorrência natural

O procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato, declarou em entrevista ao Blog do Josias: se o TRF-4 confirmar a sentença em que Sergio Moro impôs nove anos e meio de cadeia a Lula, a prisão do ex-presidente petista “é uma decorrência natural da condenação em segundo grau.” E acrescentou: “Não vejo razão para distinguir entre Francisco e Chico. A lei vale para todos.”

Marun boca aberta

Após admitir publicamente que o Palácio do Planalto está condicionando a liberação de financiamentos da Caixa Econômica Federal aos Estados à pressão de governadores sobre deputados federais pela aprovação da Reforma da Previdência, o ministro da Secretaria de Governo Carlos Marun (MDB-MS) disse que não disse o que disse. ''Financiamentos da Caixa Econômica Federal são ações de governo, o governador poderia tomar esse financiamento no Bradesco, não sei aonde. Nesse sentido, entendemos que deve sim ser discutido com esses governantes alguma reciprocidade no sentido de que seja aprovada a Reforma da Previdência'', havia afirmado o ministro. Na ocasião, disse também que isso não se chama ''chantagem'', mas ''ação de governo''. Diante da avalanche de críticas à sua declaração, ele tenta, agora, explicar que não disse aquilo que disse.

De olho no tratorzão

O Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate), que reúne 29 das mais influentes entidades do funcionalismo, protocolou representação pedindo sanções contra o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun (MDB-MS), e apuração de possível “uso imoral da máquina estatal em troca de votos”. O documento se fundamenta nas declarações em que o ministro vinculou a liberação de recursos aos estados ao apoio à reforma da Previdência (leia a nota acima). Para o Fonacate, a atitude de Marun foi o “máximo do escárnio e uso da máquina pública de maneira totalmente inconstitucional, ilegal e contrário a qualquer resquício de ética pública”. O ministro minimizou a representação protocolada contra ele na Comissão de Ética Pública da Presidência da República. Em entrevista à rádio Jovem Pan na quarta-feira (3), afirmou que a representação “não faz parte do rol de coisas que me preocupa”.

Pode prender

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP) minimizou – em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo os reflexos na sociedade de uma eventual prisão do ex-presidente Lula (PT-SP). Segundo o tucano, o país não “tremerá” caso a Justiça determine o início do cumprimento da pena a nove anos de prisão imposta em primeira instância pelo juiz Sérgio Moro ao petista no caso do triplex do Guarujá (SP). “Do ponto de vista do país, é sempre ruim. É ruim para o país e para a memória, mas não acredito que a população vai tremer nas suas bases por causa disso. Não acho que o país vai tremer em função disso. É claro que existe também uma estratégia política do PT: a perseguição. Se o julgamento terminar em condenação, tem que aceitar”, afirma.

Jogo rápido

O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) deu celeridade de maneira incomum ao processo por corrupção e lavagem de dinheiro pelo tríplex do Guarujá (SP) contra o ex-presidente Lula (PT-SP). Em 2017, apenas dois processos públicos por corrupção foram decididos em menos de 150 dias no TRF-4. A previsão para o caso de Lula é de 154 dias.

Corrupção em alta

Pesquisa Ibope aponta que a corrupção é a grande preocupação do brasileiro, superando até mesmo a saúde e a segurança pública, que costumam liderar esse ranking. É a primeira vez que a série histórica do instituto chega a essa conclusão. O levantamento mostra que disparou de 9%, em 2011, para 62%, em 2017, o índice de entrevistados que consideram a corrupção o grande problema do país no momento. Há seis anos, a saúde, com 52%, e a segurança, com 33%, ocupavam as duas primeiras colocações na relação dos cinco grandes temas para o eleitorado. A corrupção estava apenas na quinta posição.

Ministros candidatos

Até abril, prazo final de desincompatibilização para ministros que vão disputar as eleições de outubro, mais 13 ministros podem deixar a equipe do presidente Michel Temer (MDB-SP). Dentro do Palácio do Planalto, a pergunta é quem deve ser o próximo a pedir demissão, depois das últimas baixas. Nas últimas duas semanas, os ministros Ronaldo Nogueira (Trabalho) e Marcos Pereira (Indústria, Comércio Exterior e Serviços) resolveram antecipar o desembarque da Esplanada dos Ministérios. Na fila, estão dez ministros que pretendem disputar uma vaga de deputado federal e, por enquanto, querem ficar até o prazo final previsto em lei, que determina que ministros deixem o cargo até seis meses antes da eleição.

Veja quem são os ministros que devem deixar o governo até o início de abril:

Ricardo Barros (Saúde, do PP)

Mendonça Filho (Educação, DEM)

Fernando Coelho (Minas e Energia, sem partido)

Helder Barbalho (Integração Nacional, MDB)

Sarney Filho (Meio Ambiente, do PV)

Leonardo Picciani (Esportes, MDB)

Marx Beltrão (Turismo, MDB)

Maurício Quintela (Transportes, PR)

Raul Jungmann (Defesa, PPS)

Osmar Terra (Desenvolvimento Social, MDB)

Muita em emoção

“O nome dela surgiu, não foi uma indicação. Nós estávamos conversando, aí, falou, ‘Roberto, e a Cristiane, por que não a Cristiane?’. Foi da cabeça do presidente. Ela é uma menina experimentada, foi secretária municipal em vários governos na cidade do Rio de Janeiro, por que não? Falei, ‘presidente, aí o senhor me surpreende, eu vou ter que consultar’. Aí liguei para ela. Ela disse: ‘pai, eu aceito’.” Súbito, as lágrimas inundaram os olhos de Roberto Jefferson diante das câmeras. Está emocionado?, indagou uma repórter. O entrevistado confirmou. Delator do mensalão, Jefferson fpoi defenestrado do mandato de deputado. Condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 7 anos e 14 meses de cadeia, puxou 1 ano e 2 meses de cana. Com esse currículo nada exemplar, disse ter enxergado na elevação da filha a ministra um resgate da imagem da família.

Rata no galinheiro

A futura ministra do Trabalho, Cristiane Brasil (PTB-RJ) – leia a nota acima – foi condenada pela Justiça a pagar dívida trabalhista a um motorista que prestou serviço para a sua família por três anos. Ela também firmou acordo com outro profissional da mesma categoria para evitar nova sentença desfavorável. Os dois casos foram encerrados este ano, com condenação para pagamento de, no total, R$ 74 mil.

Mais um criminoso no Congresso

Condenado a 12 anos de prisão por exploração sexual de menor, Nelson Nahim (PSD-RJ) deverá assumir a vaga de deputado federal a ser aberta com a licença de Cristiane Brasil (PTB-RJ), que se afastará para ser ministra do Trabalho – leia as duas notas acima. Ex-presidente da Câmara de Campos dos Goytacazes (RJ), Nahim chegou a ficar preso por mais de quatro meses, mas foi solto em outubro do ano passado graças a um habeas corpus.  Ele foi condenado a 12 anos de prisão por estupro de vulnerável, coação no curso do processo e exploração sexual de adolescentes no caso que ficou conhecido como "Meninas de Guarus".  Nahim é irmão do ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho.

Auxílio terninho

A grade de proteção da Assembleia Legislativa do Amapá virou um grande varal na última quinta-feira (4). Dezenas de manifestantes penduraram paletós, camisas, cuecas e outras peças de roupa como doação aos deputados estaduais. O ato foi um protesto bem-humorado contra um projeto de lei aprovado a toque de caixa, no fim de dezembro, que garante aos parlamentares amapaenses dois novos benefícios: um “subsídio natalino”, espécie de 14º salário a ser pago em dezembro, e um “subsídio adicional”, também apelidado de “auxílio-vestimenta”, sem valor definido. Pelo texto aprovado, o novo auxílio para a compra de roupas será pago em fevereiro para custear despesas dos deputados com a “confecção e manutenção de vestuário condigno com o exercício do mandato”. Somados o salário e os benefícios atrelados ao mandato, cada deputado estadual do Amapá tem direito a cerca de R$ 60 mil por mês. Desse total, R$ 25.332,25 são apenas de salário. Os parlamentares dispõem, ainda, de uma cota de quase R$ 35 mil para despesas com combustível, alimentação, serviços de consultoria, publicidade, aluguel, entre outros…

Assíduos na Babilônia

Em 2017, um dos anos mais conturbados da história do Congresso Nacional, apenas 18 deputados (3,5% do total) compareceram a todos os 119 dias reservados a votação, nos quais a presença era obrigatória. Entre os senadores, apenas três compareceram a todas as sessões de 2017.

Futurologia

É possível prever, um ano antes da eleição, o resultado das urnas? Tome-se um caso concreto e atual: Lula (PT-SP) e Jair Bolsonaro (PSC-RJ) lideram até o momento a corrida presidencial deste ano. Em pesquisa Datafolha divulgada no início de dezembro de 2017, o ex-presidente aparece em primeiro lugar, com 34% a 37% das intenções de voto, a depender da simulação; o deputado federal vem em segundo, com 17% a 22%. Mas qual é a probabilidade de os dois candidatos serem os mais votados em outubro de 2018? Levando em conta as derradeiras pesquisas divulgadas pelo Datafolha nos anos anteriores às seis últimas eleições para a Presidência da República, de 1994 a 2014, o nome mais bem colocado quase um ano antes do pleito confirmou favoritismo nas urnas em quatro pleitos. Nos outros dois, o candidato favorito no início da campanha não foi eleito.

Fanfarrão

O mais recente exemplo de fanfarronice na política nacional vem de Porto Alegre (RS), onde o prefeito do MBL, quer dizer, do PSDB, resolveu pedir que o Exército e a Força Nacional impeçam algo como uma horda sanguinária de saquear a cidade durante o julgamento do recurso de Lula (PT-SP) no dia 24, como se estivesse na Bagdá cercada pelos mongóis em 1258.

Cabo eleitoral ruim

Sem partido desde que foi expulsa do PMDB, a senadora Kátia Abreu (TO) ironizou as discussões sobre a declaração de apoio do presidente Michel Temer (MDB-SP) a algum candidato à Presidência em 2018. “O governo propaga possível apoio para candidatos a presidente. Será que já perguntaram se alguém quer? Só se for doido. Com 3% de aprovação? Beira ao ridículo. Cabo eleitoral mais odiado do Brasil. Enganar trouxa para aprovar a reforma da previdência”, publicou no Twitter.

O Governo propaga possível apoio p/ candidatos a Presidente. Será que já perguntaram se alguém quer? Só se for doido. Com 3% de aprovação? Beira ao ridículo.Cabo eleitoral mais odiado do Brasil.

— Senadora Katia Abreu (@KatiaAbreu) 4 de janeiro de 2018

Paraíba masculino, deputado macho sim sinhô

O deputado André Amaral (MDB-PB) desferiu socos em um vereador durante depoimento que prestava na Câmara Municipal de Bayeux, na região metropolitana de João Pessoa. Irritado com perguntas feitas pelo vereador Roberto da Silva (Podemos), o Betinho da RS, Amaral se levantou e agrediu o interlocutor, que estava sentado. O deputado era ouvido como testemunha de acusação no processo de cassação do prefeito interino, Luiz Antônio Alvino (PSDB), investigado por corrupção. Amaral também acusa Luiz Antônio de fazer campanha de difamação contra ele.

Veja o momento da agressão:

Depois da agressão, o vereador foi até uma delegacia registrar queixa contra o deputado por lesões corporais. Em vídeo publicado pouco após o episódio, André Amaral disse que reagiu aos ataques do vereador “em defesa da honra” e chamou Betinho de “capacho” do prefeito. “Quando eu cheguei na Câmara, ele disse que eu era deputado meia-tigela e que tinha capangas. Eu defendi a minha honra”, declarou. O vereador afirmou que foi “atacado covardemente” por exercer sua função como membro da comissão processante.

A explicação do deputado:

Betinho adiantou que vai enviar as imagens da sessão à Câmara para que sejam tomadas as “medidas cabíveis contra o agressor”. Luiz Antônio assumiu o cargo em julho do ano passado após a prisão do titular, Berg Lima, flagrado pedindo propina a um fornecedor da prefeitura. Solto em novembro, ele ainda tenta na Justiça voltar ao cargo.

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Victor Barone

Jornalista, professor, mestre em Comunicação pela UFMS.


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