18/07/2024 - Edição 550

Ágora Digital

Corre que elas vêm aí

Publicado em 19/09/2018 12:00 - Victor Barone

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O general da reserva Hamilton Mourão (PRTB), vice na chapa de Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência, deu uma belíssima tropeçada na língua no último dia 17, em uma palestra, em São Paulo, para integrantes do Secovi-SP, sindicato do mercado imobiliário, ao afirmar que famílias pobres "sem pai e avô, mas com mãe e avó" são "fábricas de desajustados" que fornecem mão de obra ao narcotráfico. O resultado, previsível, foi uma enxurrada de críticas de mulheres de todas as idades garantindo que de desajustados seus filhos e netos nada tinham. Mais um tiro no pé da chapa liderada pelo capitão, que tem conseguido afastar cada vez mais as mulheres de seu entorno.

Elas contra eles

Até a musa da direita chiou

Conhecida como uma das porta-vozes da direita na imprensa brasileira, a jornalista Rachel Sheherazade causou polêmica no Twitter, ao aderir à campanha anti-Bolsonaro #elenão. A postagem foi uma resposta à declaração dada ontem pelo general Hamilton Mourão (PRTB), vice de Jair Bolsonaro (PSL), de que famílias pobres "sem pai e avô, mas com mãe e avó" são "fábricas de desajustados" que fornecem mão de obra ao narcotráfico.


Puxão de orelha

O general da reserva Antônio Hamilton Mourão (PRTB), candidato a vice de Jair Bolsonaro (PSL), foi repreendido por militares de seu entorno em razão de declarações dadas nos últimos dias. O entendimento de generais que participam da campanha é de que as falas de Mourão prejudicam a candidatura. Mourão disse que famílias em que mães e avós criam os filhos, em áreas carentes, acabam virando "fábrica de elementos desajustados que tendem a ingressar nessas narco-quadrilhas" (leia acima). As declarações provocaram uma forte reação contra o vice de Bolsonaro, inclusive em seu próprio entorno.

Mulambada

Em uma palestra para integrantes do Secovi-SP, sindicato do mercado imobiliário, o general da reserva Antônio Hamilton Mourão (PRTB), candidato a vice de Jair Bolsonaro (PSL), usou o termo "mulambada" para se referir a parceiros do Brasil na política externa com países do Hemisfério Sul, empreendida nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o vice de Bolsonaro, "nós nos ligamos com toda a mulambada, me perdoem o termo, do lado de lá e de cá do oceano na diplomacia Sul-Sul". Logo após as declarações e a imediata repercussão negativa das falas, Mourão recebeu ligações de generais que integram grupos de suporte à campanha de Bolsonaro. Ouviu que a fala com referência à "mulambada" foi "totalmente desnecessária". O vice reclamou que "hoje não se pode dizer mais nada".

Ele não, dizem elas

No rastro da página de Facebook Mulheres Unidas contra Bolsonaro, celebridades como Sasha, filha de Xuxa, e um sem-número de atrizes de televisão, entre elas Bruna Marquezine, Claudia Raia, Deborah Secco, Maria Ribeiro e Fernanda Paes Leme, vêm se pronunciando desde domingo com a hashtag #elenao por plataformas de mídia social. Como noticiado por F5 e outros, Sasha, no Insta Stories, que compartilha imagens que somem em 24 horas, divulgou um Guia Anti-Bolsonaro. A apresentadora Raquel Sheherazade, do SBT, conservadora como o candidato, reagiu à declaração do vice, general Hamilton Mourão, de que famílias pobres “sem pai e avô, mas com mãe e avó”, são “fábricas de desajustados” que fornecem mão de obra ao narcotráfico. Dela, por Twitter: “Sou mulher. Crio dois filhos sozinha. Fui criada por minha mãe e minha avó. Não. Não somos criminosas. Somos HEROÍNAS! #elenao.” No Washington Post, longa análise, destacando as declarações do próprio Bolsonaro e a resistência do voto feminino a ele nas pesquisas, encerrou dizendo que “as mulheres estão prestes a ser o eleitor-chave” no Brasil.

Ele não, diz Janot

O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot publicou em seu Twitter uma mensagem cifrada na qual afirma que não votaria em "homofóbico, misógino [que tem repulsa ou ódio por mulheres], preconceituoso, racista, [quem] promove apologia à violência, ao ódio e fosse populista". No tuíte, Janot faz uma alusão ao poema de Manuel Bandeira "Vou-me embora para Pasárgada". O ex-procurador conclui afirmando que "não votaria nele nem mesmo em uma ilha deserta". Janot não cita nomes, mas a mensagem foi interpretada por parte de seus seguidores, na seção de comentários, como um recado ao candidato do PSL Jair Bolsonaro.


Senhor fraude

O candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL) apareceu em um vídeo gravado ao vivo pela primeira vez desde sofreu um atentado a faca em Minas Gerais.  E não foi para dizer nada de construtivo. No vídeo, gravado pelo filho do candidato, Eduardo, Bolsonaro defende o voto impresso, que foi rejeitado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e fala em "possibilidade de fraude" nas eleições deste ano que, acusa o deputado sem oferecer evidências ou fatos, seria arquitetada pelo PT. Há duas maneiras de interpretar a declaração infundada de Bolsonaro: ou o candidato quer acirrar a mobilização do eleitorado contra seus rivais do PT, ou quer deixar uma porta aberta para contestar o resultado das urnas se for derrotado. Nos dois casos, a estratégia é irresponsável.

Mui amigo

Um dia depois de o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) colocar em dúvida a lisura da eleição de outubro devido à inexistência do voto impresso (veja acima), seu companheiro de chapa pediu para "relevar o que ele disse". "O homem quase morreu há uma semana, passou por duas cirurgias graves. O cara está fragilizado. Temos de relevar o que ele disse", afirmou o general da reserva Hamilton Mourão (PRTB), seu candidato a vice-presidente. A frase acentuou o desconforto no entorno de Bolsonaro

Tutelado

Embalados pelo desempenho ascendente na disputa do primeiro turno, integrantes do núcleo duro da campanha de Jair Bolsonaro (PSL) fizeram uma reunião para lavar roupa suja e tentar unificar o discurso. Uma das decisões foi a de tutelar o polêmico vice do presidenciável, o general da reserva Hamilton Mourão (PRTB). Desde que o presidenciável foi esfaqueado, no dia 6, grupos rivais de seu entorno buscaram protagonismo, aumentando a já notória cacofonia da cadeia decisória do bolsonarismo. Mourão sobressaiu-se nesse movimento, reivindicando participação em debates no lugar do candidato, só para depois retroceder.

Palanque hospitalar

A expectativa do grupo político de Jair Bolsonaro (PSL) é trazer a figura hospitalizada do candidato para o debate eleitoral. O primeiro passo foi dado nesta sexta (21). O presidenciável concedeu breve entrevista pelo telefone à Folha de SP

Como eles nos veem

Para a revista francesa Le Point, citando fatos como “Lula aprisionado e o candidato de extrema direita esfaqueado”, a nossa campanha presidencial reflete “a erosão da democracia brasileira”, mais até, “o estado de decomposição política, em que o edifício está ruindo sob seu próprio peso”.

The Economist contra ele

A revista The Economist, referência liberal em todo o mundo, dedica a capa desta semana a Jair Bolsonaro, "A mais recente ameaça da América Latina". No editorial que repete a manchete, acrescenta o enunciado "Ele seria um presidente desastroso". O texto abre dizendo que os brasileiros devem estar se perguntando se Deus, que também seria brasileiro, saiu de férias. "A economia é um desastre, as finanças públicas estão sob pressão e a política está completamente apodrecida. A criminalidade está crescendo, também." E nas eleições "parece bastante possível" que a vitória seja de Bolsonaro, ou seja, "eles [brasileiros] arriscam tornar tudo pior". Ele "promete salvação; na verdade, é uma ameaça para o Brasil e a América Latina".


Vergonha de Garcia

Falando das barbaridades ditas continuamente pelo candidato do PSL, Jair Bolsonaro, e seu vice, o general Hamilton Mourão (leia acima), vale lembrar a proposta do general de pijama de uma constituição feita por “notáveis”, sem eleição. Alexandre Garcia, um dos mais antigos e principais comentaristas políticos de Globo e GloboNews, deu duas vezes apoio à proposta —e depois apagou. Vergonha alheia…

Democracia à deriva

“Se você quiser eleger Bolsonaro, aproveite, porque deve ser seu último voto. Depois da última semana, não há mais dúvida de que o plano dos bolsonaristas é dar um golpe. Golpe mesmo, golpe raiz, não esses golpes Nutella de hoje em dia. Sejamos honestos, nunca houve motivo para suspeitar que Jair Bolsonaro fosse um democrata.” A reflexão é de Celso Rocha de Barros, doutor em sociologia pela Universidade de Oxford, em artigo na Folha.

Cacareco feliz

A pouco menos de um mês das eleições, 13% dos eleitores se dizem dispostos a anular seu voto ou votar em branco para presidente, segundo pesquisa Datafolha divulgada no dia 14. Dos que optam pelo voto nulo ou branco, 61% dizem que não mudarão de opinião. O índice é bem superior ao encontrado em pesquisas Datafolha feitas cerca de um mês antes das eleições de 2014, 2010, 2006 e 2002 — era 6% em 2014 e 4% nas demais.  Em 2014, 9,6% dos eleitores de fato anularam ou votaram em branco. Em 2010, foram 7%.

Atentado não rendeu

O atentado que sofreu o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) no último dia 6, em Juiz de Fora, não tem influência na escolha de candidato para 98% dos eleitores, de acordo com a nova pesquisa realizada pelo instituto Datafolha. Segundo o levantamento, a facada em Bolsonaro fez com que apenas 2% das pessoas tenham decidido trocar de candidato.

Ciro sendo Ciro

O candidato à Presidência da República Ciro Gomes (PDT) reagiu a uma pergunta durante ato de campanha em Boa Vista (RR) no último dia 15. O candidato xingou um homem que acompanhava a coletiva de imprensa de “filho da puta” e exigiu que ele fosse retirado da coletiva e preso, acusando-o de “ser do Romero Jucá”, senador do MDB pelo estado.  A pergunta feita pelo homem foi encarada pelo candidato como provocação. “Vá pra casa do Romero Jucá, seu filho da puta. Pode tirar esse daqui, esse daqui é do Romero Jucá. É do Romero Jucá, tira ele. Prende ele aí”, reage Ciro.

Fascismo no esporte

O fascismo tupiniquim chegou a esporte. Nas últimas semanas, esportistas e torcidas organizadas manifestaram-se pela candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) e com ofensas homofóbicas. O volante palmeirense Felipe Melo dedicou seu gol no empate em 1 a 1 contra o Bahia, pelo Campeonato Brasileiro, ao capitão aposentado. A manifestação a favor do presidenciável levantou imediatamente uma série de questionamentos nas redes sociais. Uma parcela de torcedores do Palmeiras, inclusive, condenou a atitude do atleta. O clube se posicionou por meio de uma nota no site oficial. No comunicado, afirma que a manifestação de Felipe Melo "reflete, única e exclusivamente, uma manifestação particular, e não da instituição."

Dois jogadores da seleção brasileira de vôlei também resolveram passar vergonha publicamente: Wallace e Maurício Souza fizeram gestos de apoio a Bolsonaro. Foram duas imagens, ambas publicadas no Instagram oficial da CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) e no site da Federação Internacional de Vôlei (FIVB) respectivamente após as vitórias sobre o Egito (dia 12) e os franceses na quinta (13). Nelas, Souza faz um sinal de 1 com as mãos, enquanto Wallace faz o 7, formando o número do candidato. Ambas as fotos foram deletadas da rede social da CBV, mas permaneciam à disposição no site da FIVB no momento da publicação deste texto.

Outro exemplo de que a extrema direita e o preconceito encontraram um nicho nas arquibancadas foi protagonizado por parte da torcida do Atlético-MG que compareceu ao Mineirão no último dia 16, pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro. A turba tentou provocar o arquirrival Cruzeiro com um grito homofóbico. O cântico faz menção a Jair Bolsonaro, candidato a presidente pelo PSL. No intervalo do jogo, quando o Cruzeiro, mandante da partida, fez uma ação com membros do programa Sócio do Futebol, uma parcela da torcida atleticana respondeu à provocação de um dos sócios com um grito homofóbico e alusivo ao candidato. "Cruzeirense, toma cuidado, o Bolsonaro vai matar veado", cantou parte da torcida que esteve no principal estádio de Belo Horizonte.

A diretoria alvinegra se manifestou sobre o caso e repudiou o teor do cântico


Outro grupo de torcedores levou um cartaz de apoio ao candidato Jair Bolsonaro ao Mineirão. A gestora do estádio pediu que o objeto fosse retirado. Membros da segurança explicaram que a orientação é evitar cartazes e faixas provocativas ou com manifestação política.

Gosta de um Fake

No último dia 12, uma página de Facebook em apoio ao candidato Jair Bolsonaro (PSL) publicou imagem que diz que o presidenciável estaria muito próximo de vencer as eleições em primeiro turno. Junto com o texto, um gráfico mostrava que no dia 9 de setembro, o candidato encontrava-se com 45,6% das projeções de votos válidos, seguido por Ciro Gomes (PDT) e Fernando Haddad (PT), ambos com 9,7%, Marina Silva (REDE) e Geraldo Alckmin (PSDB) com 7,6% e Álvaro Dias (Podemos) com 5,4%. A postagem foi compartilhada por mais de 18 mil pessoas e teve mais de mil likes até as 17 horas do dia 13 de setembro. Trata-se de uma informação inverídica: o famoso fake.

Caindo de Maduro

Ao retornar de uma viagem à China, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, fez escala em Istambul. Ao lado de sua mulher, Cilia Flores, foi filmado desfrutando de farta refeição no restaurante caro e badalado do chef turco Nusret Gökçe, conhecido como Salt Bae. Divulgadas nas redes sociais, as imagens causaram indignação entre os venezuelanos, submetidos ao flagelo da desnutrição, potencializado por um racionamento alimentar implacável. Não bastasse o banquete, Maduro deixou-se filmar sorvendo um charuto cubano, retirado de uma caixa que tinha o seu nome gravado numa placa dourada. Enquanto soltava baforadas de fumaça, o gestor da falência venezuelana observava, junto com a mulher, camisetas presenteadas pelo anfitrião.

Alckmin bt Adnet

No terceiro episódio da série "Tutorial dos Candidatos", Marcelo Adnet interpreta Geraldo Alckmin, candidato à Presidência pelo PSDB.

Marina by Adnet

No quarto episódio da série "Tutorial dos Candidatos", Marcelo Adnet imita Marina Silva, candidata à Presidência da Rede Sustentabilidade.

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Victor Barone

Jornalista, professor, mestre em Comunicação pela UFMS.


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