23/07/2024 - Edição 550

Ágora Digital

Algo está cheirando mal para as bandas da Câmara

Publicado em 07/07/2017 12:00 - Victor Barone

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A batata do presidente Michel Temer (PMDB-SP) está assando, literalmente. E o cheirinho de queimado não vem da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde a denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) está sendo analisada por um "impoluto" time de deputados federais, mas da presidência da Casa. De olho no trono, Rodrigo Maia (DEM-RJ) tem articulado forte. Nesta semana, conversou com o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), presidente interino do tucanato, a quem garantiu que, caso seja alçado à presidência, manterá a equipe econômica, retomaará a reforma da Previdência e fará uma limpeza no gabinete ministerial.

Em que mundo vive?

O presidente Michel Temer (PMDB-SP) parece estar em outro mundo. Na sexta-feira (7) – ao desembarcar em Hamburgo, na Alemanha, onde participa da cúpula do G20 – disse que não há crise econômica no Brasil. "Crise econômica no Brasil não existe. Vocês têm visto os últimos dados. Pode levantar os dados e você verá que estamos crescendo no emprego, estamos crescendo na indústria, estamos crescendo no agronegócio. Lá não existe crise econômica."

Fazendo a Kátia Cega

Não é de hoje que Michel Temer (PMDB-SP) "faz a Kátia Cega". De costas para a sociedade brasileira, que lhe atribui uma taxa de aprovação de 7%, a mais baixa desde José Sarney, o presidente ignora a imensa rejeição. Oferece cargos e verbas aos deputados em troca de silêncio institucional e moral. Num instante em que muitos chegaram a imaginar que a Lava Jato representaria um marco civilizatório, "Temer e seus aliados cutucam a plateia com o pé pra ver se ela morde", como disse estes dias o colunista Josias de Souza.

Iluminados

O presidente Michel Temer (PMDB-SP) disse na quinta-feira (6) que no país há autoridades que tentam desarmonizar os poderes do Estado e se acham "iluminadas por uma centelha divina". Ele discursou durante um evento no Palácio do Planalto, onde anunciou novas regras para o Financiamento Estudantil (Fies). A declaração veio um dia após seu advogado ter entregue na Câmara Federal a defesa do presidente contra a denúncia da Procuradoria Geral da República que o acusou de corrupção passiva.

Ética?

Quase um terço dos senadores está enrolado na Lava Jato. Não se pode esperar absolutamente nada de lá. Reflexo disso foi a decisão do Conselho de Ética que, por 11 votos a 4, confirmou o arquivamento do pedido de cassação do mandato de Aécio Neves (PSDB-MG), flagrado em gravações pedindo R$ 2 milhões ao delator Joesley Batista, da JBS. Em qualquer país onde a democracia seja sólida, senadores não ousariam arquivar acusações de corrupção antes de um exame profundo.

Muito amigo

De acordo com o IBGE, há no Brasil pouco mais de 207 milhões de habitantes. Mas o presidente da República passou a governar para cerca de 200 deputados federais. Michel Temer (PMDB-SP) está suando a camisa para manter ao seu lado os 172 deputados dos quais necessita para enterrar a investigação pedida pela Procuradoria Geral da República (PGR). Para isso, tem "investido na lealdade" dos nobres com dinheiro público: liberou R$ 529 milhões em emendas orçamentárias só no mês de junho, contra R$ 959 milhões liberados nos cinco primeiros meses do ano.

Comunas, pero no mucho

Recente pesquisa Datafolha concluiu que as posições de esquerda ganharam espaço entre os brasileiros de 2014 para cá. Ao analisar as perguntas feitas e qual a metodologia usada para tabular as respostas, o professor Idelber Avelar chegou a algumas conclusões interessantes:

“No geral, é difícil concordar com a conclusão da matéria da Folha de que as posições de esquerda ganharam espaço desde 2014. O que ganhou espaço foram as posições pró-autonomia individual nas questões comportamentais (aceitação da homossexualidade, por exemplo, que passou de 64% para 74%), que são em geral defendidas por pessoas de esquerda, mas que não são exclusivas dela. O apoio ao porte de armas, por exemplo, posição que a esquerda costuma rechaçar, subiu de 35% para 43%. A defesa da proibição do porte de armas caiu de 62% para 55%.

Em suma: o Brasil é um país que mantém uma divisão quase equitativa entre posições social-democratas e posições liberais em economia, com ligeira vantagem para aquelas quando o tema é a legislação trabalhista. A simpatia aos sindicatos caiu e a oposição às leis trabalhistas aumentou, embora o apoio a elas tenha se mantido inalterado.

O que continua com apoio estratosférico é o punitivismo: proibição, penalização e cadeia, esses aí continuam campeões, à direita e à esquerda.”

Tiriricando

O deputado federal Tiririca (PR-SP) está sendo acusado de assédio sexual pela ex-empregada doméstica Maria Lúcia Gonçalves. Ela entrou com um processo trabalhista, no qual diz ter sofrido assédio em pelo menos duas viagens, uma a São Paulo e outra a Fortaleza, em 2016. As afirmações também foram reforçadas em depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal, após a esposa de Tiririca, Nana Magalhães, ter feito queixa contra a mulher por extorsão. Por se tratar de um deputado federal, com foro privilegiado, o caso foi para o Supremo Tribunal Federal (STF). O relator da ação será o ministro Celso de Mello.

Vivas à morta

O senador Magno Malta (PR) cometeu uma gafe daquelas estes dias. Em entrevista para uma rádio do Espírito Santo, o parlamentar disse que a vice-presidência do seu partido é exercida por "um travesti chamado Moa". Acontece que a travesti Moa, ex-vereadora do município de Nova Venécia, Espírito Santo, morreu em maio. Sua morte chegou a ser lamentada em vídeo publicado nas redes sociais pelo próprio senador. A assessoria de malta afirmou que o cargo de vice-presidente do PR no Espírito Santo segue vago, mas que "Moa está bem vivo na memória e no coração de Magno".

Mamão azedo

O advogado Ilmar renato, o ex-BBB Mamão vai deixar de vez o Mato Grosso do Sul. Em São Paulo desde o dia 23, ele deve migrar para o Rio de Janeiro e investir na carreira de "cozinheiro das estrelas". A saída de MS se dá por falta de oportunidades e espaço político, afirma Mamão. O ex-global diz que não teve propostas de trabalho no Estado e também não emplacou projeto político no PT, partido no qual milita desde sementinha.

Cavaleiro do Apocalipse

O deputado estadual Cabo Almi (PT) chamou o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) de “cavaleiro do apocalipse” em discurso inflamado no qual criticou o chefe do executivo sul-mato-grossense e a proposta de reajuste de 2,94% para os servidores do Estado. O parlamentar afirmou que a postura de Azambuja desvalorizava os profissionais. No troco, o deputado Eduardo Rocha (PMDB), da base do governador, acusou os governos Lula e Dilma (PT) como responsáveis pela má situação financeira do país e do Estado, o que gerou gritaria e troca de ofensas entre os parlamentares. Bafão.

Vira casaca

O1º secretário da Assembleia Legislativa, deputado Zé Teixeira (DEM), criticou a mudança de posicionamento da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), ex-ministra da Agricultura. Segundo o parlamentar, a senadora teve ascensão política graças ao agronegócio e hoje ‘virou as costas’ para o setor. De acordo com o deputado, Abreu obteve o respeito dos produtores brasileiros quando foi contra a forma do PT administrar o país, o modelo de reforma agrária e o populismo. “De repente, ela integrou o governo da ex-presidente Dilma Rousseff, mudando totalmente de postura”, lamentou Zé do Boi.

Vivinho da Silva

Depois de ser “morto” pela segunda vez nas redes sociais (na semana pasada), o ex-governador Wilson Barbosa Martins apresenta melhoras. Ele está internado desde última quinta (29). Barbosa Martins completou 100 anos de idade no dia 21 passado. Devido a sua longevidade incomum e, especialmente, a sua importância para a história política do Estado, tem estado sob as lupas dos arautos de plantão, todos ávidos a noticiar em primeira mão um fato novo.

Coffee Break

A decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ-MS) que levou ao bloqueio de bens de denunciados na Operação Coffee Break fez com que o ex-governador André Puccinelli (PMDB) recorre-se ao Tribunal. Além de negar qualquer participação nas articulações que levaram a cassação do ex-prefeito Alcides Bernal (PP), o ex-governador afirma que o Ministério Público Estadual (MPE-MS) está ingerindo sobre temas políticos. A defesa do “italiano” diz que o Ministério Público “pretende criminalizar sua atividade política, punindo participação em reunião política, orientação política a correligionários, e rotulando como ato de improbidade o oferecimento de filiação partidária – sem conotação de vantagem econômica – o que não se pode admitir”.

Criminoso em série

O Ministério Público Federal afirmou no pedido de prisão do ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) que o peemedebista é um "criminoso em série" e que faz dos crimes financeiros e contra a administração pública "sua própria carreira profissional". A prisão de Geddel foi decretada pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara da Justiça Federal do Distrito Federal. O ex-ministro é suspeito de agir para atrapalhar investigações da Operação Cui Bono, que apura fraudes na liberação de crédito da Caixa Econômica – ele foi vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa entre 2011 e 2013, no governo Dilma Rousseff.

Bambu e flecha

O procurador-geral da República Rodrigo Janot participou do 12º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo promovido pela Abraji, a Associação Brasileira de Jornalismo investigativo, em São Paulo. Sob mediação da jornalista Renata Lo Prete, concedeu uma entrevista. Instado a dizer o que planeja fazer no período que lhe resta de mandato, declarou: ''Enquanto houver bambu, lá vai flecha. Até o 17 de setembro, a caneta está na minha mão.'' Quer dizer: estão no forno da Procuradoria novas denúncias contra Michel Temer.

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Victor Barone

Jornalista, professor, mestre em Comunicação pela UFMS.


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