23/02/2024 - Edição 525

Campo Grande

Uso desaconselhado de hidroxicloroquina, deixa pacientes de doenças que dependem da droga sem opção em Campo Grande

Publicado em 14/07/2020 12:00 -

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Medicamentos que passaram a ser indicados na contramão da ciência para atuar no tratamento precoce ou profilático da Covid-19 praticamente sumiram das farmácias. Para manipulação, os preços subiram consideravelmente. O uso destes remédios é visto pela esmagadora maioria dos médicos como um perigo à saúde das pessoas que não possuem doença relacionada a eles. De outro lado, pacientes que faziam uso contínuo da medicação, a exemplo da hidroxicloroquina, para tratar outras doenças não conseguem seguir o tratamento. A dificuldade foi debatida em Audiência Pública na Câmara Municipal de Campo Grande.    

O debate foi presidido pelo vereador Betinho, que integra a Comissão Especial em Apoio ao Combate à Covid-19, e secretariado pela vereadora Enfermeira Cida Amaral.  Além de defensores do uso destes remédios no combate à Covi-19, especialmente ligados à Prefeitura de Campo Grande, como integrantes da Secretaria Municipal de Saúde. Também estiveram no debate representantes do Conselho Regional de Farmácia e da Superintendência de Defesa do Consumidor (Procon).

Além deles, pacientes que fazem uso contínuo da hidroxicloroquina e não estão conseguindo adquirir o medicamento, nem nas farmácias ou na rede pública, relataram as dificuldades e apresentaram questionamentos. 

O assessor jurídico do Procon, Erivaldo Marques Pereira, afirmou que alguns medicamentos, como a Azitromnicina, chegaram a ficar 300% mais caros, e a Ivermectina subiu 100%. Pereira ressaltou que, segundo o Código de Defesa do Consumidor, “toda e qualquer elevação de preço tem que ter motivo justo”. Ele detalhou que o órgão já tem atuado para coibir os aumentos abusivos. “O Procon tem notificado, feito fiscalização in loco para verificar se o fornecedor está dentro do que a lei determina”, afirmou.

A Azitromicina, por exemplo, teve aumento de 300%. Já a Ivermectina, que também já era comprada pela administração municipal, subiu mais de 400%. 

Não existe preço tabelado, entretanto se o lucro exceder um quinto do valor corrente pode configurar crime contra a economia popular. Ele ressaltou que as denúncias devem ser formalizadas e o Procon tem mantido atendimento pelo 151 e atendimento local, limitado a 25 no período da manhã e 25 no período da tarde. Também podem ser feitas denúncias no site procon.ms.gov.br. 

Flavio Shinzato, presidente do Conselho Regional de Farmácia, destacou a preocupação com a polarização da discussão sobre medicamentos, salientando a necessidade de prescrição médica para evitar malefícios futuros. “Somos um órgão fiscalizador e buscamos o cumprimento de leis. Nossa preocupação neste momento de pandemia é que as leis não podem ser jogadas fora”, disse.

O Conselho ressaltou a preocupação com os pacientes que dependem destes medicamentos e ressaltou a necessidade de bom sendo e equilíbrio. A hidroxicloroquina industrializada, por exemplo, não está sendo vendida nas farmácias pelos fabricantes, sendo fornecida somente aos hospitais. 

A Sesau efetuou a compra recentemente de alguns medicamentos que devem compor o “kit de prevenção” ao coronavírus, medida que é encarada pela maior parte da comunidade científica como uma banalização do combate à doença, além de causar danos a quem, de fato, precisa dos medicamentos para o tratamento de outras doenças.

A jornalista Luane Morais, portadora de Lupus desde 2011, usa a hidroxicloroquina desde 2012. “Pela primeira vez fiquei 25 dias sem o medicamento. Tenho alergia ao manipulado e ao genérico. Temos grupo no Whats e muitas pacientes não consegue o remédio e nem tem dinheiro para manipular”, afirmou. Na Sesau, há disponível atualmente apenas o disfofato de cloroquina e, por conta da prescrição, não são dispensados os medicamentos. Ainda, há os pacientes que não conseguem fazer a substituição. 

O vereador Chiquinho Telles também foi procurado por pacientes que não encontram a hidroxicloroquina e, há algumas semanas, já tinha acionado o Procon depois de ter encontrado diferença de R$ 210 a R$ 790 nos preços do mesmo remédio. “É algo muito sério porque  algumas pessoas estão sem tomar os remédios”, disse.  O Procon confirmou que fez a fiscalização e autuações baseadas na denúncia. 


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