17/07/2024 - Edição 550

Campo Grande

Moradores do Jockey Club comemoram fim dos alagamentos

Publicado em 25/07/2014 12:00 -

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As obras de drenagem e controle de enchentes implantadas na região de influência dos córregos Areias e Cabaças, que a Prefeitura concluiu há dois meses, passou pelo primeiro teste de uma chuva intensa. Pela primeira vez em 15 anos, os moradores do bairro Jockey Club conseguiram passar uma noite sem os sobressaltos de ter suas casas alagadas, preocupados em salvar o mobiliário, mesmo tendo chovido em seis horas quase o dobro do que havia chovido no restante do mês,

“Não me lembrava de ter passado por uma noite, com chuva forte, de sono tão tranqüilo . E olha que eu moro aqui desde criança, há mais de 50 anos”, assegura o aposentado Vicente de Jesus da Costa, que mora exatamente onde era um dos locais mais críticos de alagamento: a rua Amapolas quase na esquina com a rua Ouro Negro. “Perdi as contas das vezes que minha casa ficou alagada, perdi quase todos os imóveis", relata.

O problema se acentuou desde a retirada dos trilhos, que serviam como uma barragem natural da enxurrada que desce dos bairros Progresso, Jardim América e Paulista. No ano passado, ele ainda conviveu com o problema. “Desde que a obra de drenagem ficou pronta, esta foi a segunda chuva forte que passamos sem problemas”, conta.

Quem também tem o mesmo sentimento de alívio, com o fim do ciclo de enchentes no Jockey Club, é o serralheiro Valter Vieira, morador na rua das Hortênsias, que era um dos pontos mais críticos. “A drenagem que fizeram quando o bairro foi asfalto não suportou a quantidade de enxurrada, principalmente depois da retirada dos trilhos”, avalia.

Ele contabiliza como prejuízo, neste período de sofrimento com os alagamentos, além dos mobiliários, os estragos do carro que usa no seu trabalho (uma Belina ). “Tive que fazer o motor duas vezes, porque a enxurrada foi tão forte que a água quase cobriu o teto”, conta. Valter tem viva na memória uma tragédia que tem viva na memória, a morte de uma vizinha, dona Fátima que morava em frente. Hipertensa, ela ficou nervosa ao ficar ilhada dentro de casa e quando os bombeiros chegaram, ela já tinha morrido.

Quem mora na rua Ouro Verde também tem razões para comemorar. A via que foi cortada em toda sua extensão (da avenida Ernesto Geisel até a Via Morena) pela rede de drenagem, foi toda recapeada. “Esta obra foi uma benção. Acabaram os alagamentos e com certeza, teremos valorização do bairro, que fica muito próximo ao centro”, observa a comerciante Maria de Jesus, dona de uma loja de roupas.

Para evitar que a enxurrada alagasse a parte baixa do bairro, foi preciso enterrar numa profundidade de cinco metros manilhas com 3,5 metros de diâmetro. Parte deste trecho é uma região de fundo de vale, onde o lençol freático é próximo da superfície, fazendo com que a água aflore depois de poucos metros de escavação.

O projeto

As obras de drenagem que livraram o Jockey Club das enchentes foram iniciadas em agosto de 2012. Ficaram interrompidas boa parte da gestão anterior e, somente a partir de abril, tiveram seu ritmo normal retomado. Foram investidos R$ 16 milhões no chamado complexo Areias e mais R$ 9 milhões no Cabaça, na região da Vila Carlota, que também impactavam o Jockey e o Marcos Roberto. Foram executados 16 mil metros de drenagem; 12,5 quilômetros de pavimentação; recapeamento de 16,9 km de ruas e 717,8 metros de ciclovia. Está na fase de acabamento o recapeamento em trechos como o da rua Aguiar Pereira de Souza.


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