21/02/2024 - Edição 525

Campo Grande

Campo Grande já registrou 598 tentativas de suicídio só em 2015

Publicado em 19/11/2015 12:00 -

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Dados alarmantes sobre o suicídio em Campo Grande chamaram atenção de autoridades e especialistas que debateram ações de prevenção deste ato que, só em 2014, ceifou 53 vidas na Capital. O debate ocorreu durante Audiência Pública realizada na manhã de quarta-feira (18) na Câmara Municipal.

Representando a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), a enfermeira do Núcleo de Prevenção de Violências, Laura Maria Souza de Linhares afirmou que no ano passado foram registrados 53 óbitos e 750 tentativas. Em 2015 já foram registradas 598 tentativas até o mês de outubro.

Segundo ela, a Sesau tem registrado o crescimento destes números nos últimos anos, e os dados podem ser mais graves, pois muitos familiares têm vergonha de dizer que a pessoa se matou e não registram o suicídio. Professor, pesquisador do Hospital Universitário e capelão do Corpo de Bombeiros, Edílson dos Reis revelou que “quando um caso de suicídio é notificado, quatro outros não são.

A principal faixa etária que pratica o suicídio é de 15 a 34 anos. “É triste quando vemos crianças de 10 anos tentando suicídio, um adolescente de 14 anos querendo tirar a própria vida e uma menina de 12 anos que quer por fim à vida. Essas crianças estão dentro das unidades escolares”, afirma Reis.

Segundo ele, a UFMS tem condições de capacitar os professores da Rede Municipal de Ensino (Reme) a trabalharem com a prevenção ao suicídio. “Precisamos trazer isso como pauta. Temos que marcar audiência com a ACP para começarmos esse discurso com os professores. A lei já foi sancionada e agora o que precisa é normatizarmos isso para capacitar os professores”, disse, referindo-se a Lei nº 5.613/15, de autoria do vereador Carlão, que dispõe sobre a implantação de medidas de prevenção ao suicídio nas escolas municipais de Campo Grande MS, sancionada e publicada no Diário Oficial no dia 30 de setembro deste ano.

A Saúde também tem papel fundamental na prevenção. Em Campo Grande, quando uma pessoa tenta o suicídio e dá entrada na Unidade de Saúde 24 horas, um assistente social está presente fazendo o acolhimento do paciente e seus familiares. Em seguida ele é encaminhado para um dos seis Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

Tabu

A assistente social do Setor Psicossocial de Apoio ao Servidor Penitenciário, Maria Roseneuza dos Santos salientou que o suicídio ainda é tratado como tabu. “Vejo um assunto permeado pelo preconceito. Lidamos com a depressão de forma errada e muito preconceituosa. Este é um problema da nova geração, a geração do tudo pronto, que não está disposta a construir e com a falta do construir e o vazio se instala, culminando com o suicídio. Temos que romper esse preconceito, é uma coisa que deve ser levada a sério”, disse.


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