14/06/2024 - Edição 540

Viver Bem

Cresce o número de academias de rua, mas faltam profissionais habilitados

Publicado em 09/09/2014 12:00 -

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As academias públicas ao ar livre se proliferam no país, com alguns bons exemplos espalhados e um aumento na pressão para que prefeituras coloquem profissionais habilitados na supervisão desses locais a fim de evitar lesões. Segundo empresas do setor, mais de 2.000 municípios já dispõem de equipamentos de exercícios em praças, parques e outros locais públicos.

A Prefeitura de Santos cercou as suas academias ao ar livre e estabeleceu horários em que há presença do educador físico. Exige ainda inscrição prévia do usuário, com atestado médico. 

No sul do país, há outro bom exemplo de academia pública, com vista para o mar e lista de espera. Em Balneário Camboriú (SC), ao menos cem pessoas aguardam uma vaga nos horários de pico (das 7h às 10h e das 17h às 20h). Há 600 pessoas matriculadas, muitas das quais egressas de academias privadas.

Instalada no Pontal Norte há quase um ano, o local tem 25 aparelhos de ginástica e musculação. Oito educadores físicos instruem os usuários durante o dia todo. Para se inscrever, a pessoa precisa ter atestado médico.

Exemplo errado

Mas nem todas as academias têm profissionais para orientar a prática dos exercícios físicos, e aí os problemas podem aparecer. Em abril deste ano, a Prefeitura de São José dos Campos foi condenada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo a indenizar em R$ 50 mil os pais de um menino de 13 anos que teve um dedo do pé amputado aos 11 depois de ter sofrido com a queda de um aparelho de ginástica em uma praça.

A prefeitura recorreu argumentando que havia sinalização indicando que o aparelho era inadequado para crianças e que o pai do menino tinha o dever de vigiá-lo.

Mas o relator do caso no TJ, desembargador Leonel Costa, entendeu que o município tem a obrigação de disponibilizar um profissional habilitado para orientar os usuários, além de fazer a manutenção dos aparelhos.

Em nota, a Prefeitura de São José dos Campos disse que hoje dispõe de 240 profissionais de educação física, que orientam frequentadores de 111 academias ao ar livre do município em períodos da manhã e da tarde.

Perigos

Nos últimos anos, os conselhos regionais de educação física têm enviado ofícios aos municípios alertando sobre os perigos do uso de aparelhos sem orientação, especialmente para idosos e crianças.

Para o professor Marcelo Ferreira Miranda, do Conselheiro Federal de Educação Física, sem orientação, as academias acabam sendo um "desserviço" à população. "As pessoas precisam de supervisão para aderir à prática de exercício. Senão desistem ou, pior, se machucam, e acabam voltando ao sedentarismo."


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