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Pesquisa Meio Ideia mostra presidente cinco pontos à frente do senador em eventual segundo turno: levantamento também revela força de Michelle
Publicado em 08/07/2026 9:47 - Semana On
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma eventual disputa de segundo turno pela Presidência da República em 2026. Pesquisa Meio Ideia divulgada nesta quarta-feira (8) mostra o petista com 45% das intenções de voto, diante de 40% do parlamentar.
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A diferença entre os dois principais nomes testados permanece praticamente estável em relação à rodada anterior do levantamento, realizada em 28 de maio. Na ocasião, Lula registrava 46,5%, enquanto Flávio Bolsonaro aparecia com 41,4%.
Na pesquisa mais recente, votos brancos e nulos representam 10,5% das respostas, enquanto 4,5% dos entrevistados afirmaram não saber em quem votar.
O levantamento ouviu 1.500 pessoas em todo o país entre sexta-feira (3) e segunda-feira (6), por meio de entrevistas telefônicas. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-05628/2026.
No cenário estimulado de primeiro turno em que Flávio Bolsonaro representa o campo bolsonarista, Lula também ocupa a liderança. O presidente alcança 40,4% das intenções de voto, enquanto o senador do PL registra 32%.
Os demais candidatos aparecem distantes dos dois primeiros colocados. Ronaldo Caiado (PSD) tem 4%, seguido por Romeu Zema (Novo), com 2,5%. Aécio Neves (PSDB) e Renan Santos (Missão) registram 2% cada, enquanto Augusto Cury (Avante) aparece com 1,5%.
Nesse cenário, 4,1% dos entrevistados afirmam que votariam em branco ou anulariam o voto, e 9,5% ainda não sabem em quem votar.
A vantagem do presidente também aparece na pesquisa espontânea, modalidade em que os entrevistadores não apresentam previamente os nomes dos possíveis candidatos.
Lula é mencionado por 32,8% dos entrevistados, enquanto Flávio Bolsonaro recebe 20,3% das citações. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), inelegível e em prisão domiciliar, é lembrado por 1,3%.
O elevado percentual de eleitores sem candidato definido chama atenção nesse recorte: 33,1% afirmam não saber espontaneamente em quem votar, proporção superior à registrada por qualquer um dos nomes mencionados.
Michelle Bolsonaro também foi testada como possível representante do campo bolsonarista. Em eventual segundo turno contra a ex-primeira-dama, Lula aparece com 45%, enquanto Michelle registra 36%.
Na simulação de primeiro turno com Michelle como candidata, o presidente mantém os mesmos 40,4% observados no cenário com Flávio Bolsonaro. A ex-primeira-dama alcança 29,4%.
Ronaldo Caiado aparece, nesse caso, com 7%, seguido por Romeu Zema, com 4,4%; Renan Santos, com 3,5%; Aécio Neves, com 3,2%; e Augusto Cury, com 2,5%.
A pesquisa indica que Lula lidera todos os confrontos de segundo turno submetidos aos entrevistados. Contra Caiado, o presidente marca 45%, diante de 37,6% do governador de Goiás. Na disputa com Zema, o resultado é de 45% a 37%.
Lula também registra 45% contra 33% de Renan Santos e alcança os mesmos 45% diante de Joaquim Barbosa (DC), que aparece com 23%.
Apesar da liderança nas simulações eleitorais, o presidente enfrenta elevada resistência entre os entrevistados. Lula é citado por 46,4% quando os participantes são questionados sobre em quem não votariam de maneira alguma.
Flávio Bolsonaro apresenta índice semelhante de rejeição: 43,4% afirmam que não votariam no senador em nenhuma hipótese. A proximidade dos percentuais revela que os dois nomes que lideram os principais cenários eleitorais também concentram forte resistência no eleitorado.
Além das intenções de voto, o levantamento procurou medir a percepção dos brasileiros sobre a presença feminina nos espaços de poder.
Questionados sobre quem consideram atualmente a mulher mais poderosa do Brasil, 15,4% dos entrevistados mencionaram Michelle Bolsonaro. A atual primeira-dama, Janja da Silva, aparece em seguida, com 9%.
A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia foi citada por 4,5%, enquanto a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) recebeu 2,5% das menções.
O protagonismo atribuído a Michelle ocorre em um momento de exposição pública das divergências internas no campo bolsonarista. A pesquisa abordou o vídeo publicado pela ex-primeira-dama em 24 de junho, no qual ela expôs desavenças com Flávio Bolsonaro, seu enteado.
Entre os entrevistados que tiveram conhecimento da publicação, 64% consideram que as declarações feitas por Michelle foram totalmente verdadeiras ou mais verdadeiras do que falsas.
Outros 29,3% avaliam que as afirmações foram mais falsas do que verdadeiras ou totalmente falsas.
Outro eixo do levantamento foi o caso Banco Master e seus possíveis reflexos sobre a disputa eleitoral.
Segundo a pesquisa, 56,8% dos entrevistados afirmaram ter visto, lido ou ouvido alguma informação sobre a nona fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, que cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao senador Jaques Wagner (PT-BA).
Outros 27,4% disseram não ter tido contato com informações sobre o episódio.
Quando questionados sobre as consequências eleitorais do caso para Lula, 42% afirmaram que o episódio não aumenta nem diminui a possibilidade de votar no presidente.
Para 17,3%, o caso reduz a chance de apoiar Lula, enquanto 7% declararam que as investigações aumentam a possibilidade de votar no petista.
Os efeitos percebidos sobre Flávio Bolsonaro são diferentes. Para 36,5% dos entrevistados, o caso Master não altera a possibilidade de votar no senador.
Outros 29,5% afirmam que o episódio diminui a chance de escolher Flávio Bolsonaro, enquanto 6,6% dizem que aumenta a possibilidade de votar no parlamentar.
A pesquisa também procurou identificar quem os entrevistados consideram mais associado ao caso Banco Master. Lula foi mencionado por 39%, enquanto Flávio Bolsonaro apareceu com 37,4%.
A diferença de 1,6 ponto percentual está dentro da margem de erro do levantamento e, portanto, não permite apontar vantagem estatisticamente significativa entre os dois nomes nesse quesito.
Os números eleitorais convivem ainda com uma avaliação predominantemente negativa da administração federal.
Para 41% dos entrevistados, o governo Lula é ruim ou péssimo. Outros 32,5% classificam a gestão como ótima ou boa, enquanto 24,5% consideram o desempenho do governo regular.
Na avaliação pessoal do presidente, 46,5% dos entrevistados aprovam Lula, enquanto 48,5% desaprovam sua atuação.
Em comparação com a pesquisa de 28 de maio, a aprovação permaneceu praticamente estável: passou de 46,6% para 46,5%.
A principal mudança ocorreu na desaprovação, que recuou de 51,4% para 48,5%.
O conjunto dos resultados mostra um cenário em que Lula conserva a dianteira nas simulações de primeiro e segundo turnos, mas enfrenta índices elevados de rejeição, desaprovação pessoal superior à aprovação e avaliação negativa do governo acima do percentual de avaliações positivas.
Ao mesmo tempo, Flávio Bolsonaro aparece consolidado como o adversário mais competitivo entre os nomes testados, embora também registre forte rejeição e seja associado por parcela expressiva do eleitorado às repercussões do caso Banco Master.
Michelle Bolsonaro, por sua vez, mantém desempenho eleitoral inferior ao de Flávio nos cenários apresentados, mas reúne elevada visibilidade pública, lidera as menções sobre a mulher considerada mais poderosa do país e obtém respaldo majoritário entre os entrevistados que tiveram conhecimento de suas declarações sobre as divergências familiares.
A pesquisa, portanto, retrata uma disputa presidencial marcada pela vantagem numérica de Lula, pela persistência da polarização entre petismo e bolsonarismo e por um contingente relevante de eleitores ainda sem escolha consolidada, especialmente quando os nomes dos candidatos não são apresentados previamente aos entrevistados.
Investigações sobre aliados ampliam desgaste político no entorno de Flávio
A sucessão de investigações envolvendo integrantes do PL e personagens politicamente próximos a Flávio Bolsonaro acrescenta um novo foco de desgaste à pré-candidatura presidencial do senador. Enquanto tenta consolidar seu nome para a disputa pelo Palácio do Planalto, o parlamentar enfrenta o impacto político de operações policiais que alcançaram aliados no Rio de Janeiro e dirigentes de seu partido no Congresso Nacional.
O problema ganha contornos particularmente sensíveis porque parte das apurações está relacionada ao crime organizado no estado que constitui a principal base eleitoral da família Bolsonaro. A ofensiva das autoridades ocorre depois de Flávio defender articulações para que o governo dos Estados Unidos classificasse o Comando Vermelho como organização terrorista.
Nesse contexto, a nova fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal em 2 de julho, colocou sob escrutínio personagens vinculados à política fluminense.
A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo a cúpula do jogo do bicho e possíveis ramificações do esquema entre integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do Rio de Janeiro.
De acordo com a apuração, planilhas apreendidas em poder do contraventor Adilsinho, também alvo da operação, conteriam registros de pagamentos indevidos, doações eleitorais, transferências destinadas a agentes políticos e uma contabilidade paralela supostamente utilizada para esconder a movimentação de recursos ilícitos.
Entre os personagens atingidos pelos desdobramentos do caso está Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e ex-governador interino do estado. Aliado político de Flávio Bolsonaro no cenário fluminense, Bacellar, que já se encontrava preso, foi alvo de um novo pedido de prisão.
O nome dele e o do ex-governador Cláudio Castro, também aliado do senador, apareceriam nas planilhas apreendidas pelos investigadores como possíveis beneficiários do esquema sob apuração.
A situação de Bacellar tornou-se ainda mais grave com a decisão de encaminhá-lo para uma unidade prisional de segurança máxima. Segundo a Polícia Federal, o ex-presidente da Alerj é considerado um “criminoso de alta periculosidade”.
As investigações também alcançaram o pastor e empresário do setor de tabaco Márcio Poncio. Preso nesta semana, ele é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro e possível participação em esquemas relacionados à chamada “máfia dos cigarros” e ao jogo do bicho, atribuídos pelas autoridades ao grupo comandado por Adilsinho.
Conhecido como “pastor do cigarro”, Poncio mantém identificação pública com o bolsonarismo. Em manifestações anteriores, chegou a recorrer a referências bíblicas para defender a concessão de anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de Janeiro.
A proximidade política desses personagens com o campo bolsonarista amplia o custo eleitoral das investigações para Flávio Bolsonaro. Embora a responsabilidade penal seja individual e dependa das conclusões dos inquéritos e de eventuais decisões judiciais, a recorrência de operações envolvendo aliados fornece material para adversários associarem a candidatura do senador às sucessivas crises da política fluminense.
Outra frente de pressão surgiu com a Operação Galho Fraco II, que atingiu Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara dos Deputados e um dos principais representantes da bancada evangélica ligada ao partido.
A investigação apura a possível existência de um esquema de desvio de recursos da cota parlamentar por meio da contratação de empresas para o aluguel de veículos.
Segundo a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República, existem “fundamentadas razões” para suspeitar que Sóstenes tenha utilizado empresas de fachada em operações destinadas à lavagem de recursos desviados de verbas do Congresso Nacional.
Um dos elementos centrais da investigação remonta a dezembro, quando agentes encontraram R$ 468,7 mil em espécie em um imóvel ligado ao deputado. O dinheiro estava embalado em um saco plástico e escondido dentro de um guarda-roupa.
Na ocasião, Sóstenes afirmou que os recursos eram provenientes da venda de um imóvel localizado em Minas Gerais.
A explicação, contudo, passou a ser questionada pelos investigadores depois que a Polícia Federal constatou que a formalização da negociação imobiliária em cartório ocorreu somente 11 dias após a apreensão do dinheiro.
Para os investigadores, a sequência dos acontecimentos pode indicar “uma possível tentativa de fabricar um lastro retroativo para conferir aparência de licitude ao montante localizado”.
A análise das cédulas acrescentou novos elementos à investigação. A partir dos identificadores de origem do dinheiro, a Polícia Federal chegou a uma rede de empresas instaladas no mesmo endereço.
Parte dessas companhias não possuiria funcionários formalmente registrados, circunstância considerada incompatível pelos investigadores com a elevada movimentação financeira identificada.
Segundo a apuração, os saques realizados pelas empresas ultrapassaram R$ 15 milhões nos últimos anos.
Os desdobramentos prosseguiram em nova ação policial realizada em 1º de julho. Agentes apreenderam aproximadamente R$ 160 mil e US$ 502 em espécie em endereços relacionados a pessoas ligadas ao parlamentar.
Parte do dinheiro, segundo a investigação, estava escondida dentro de livros falsos.
A permanência de Sóstenes Cavalcante na liderança do PL na Câmara transforma a investigação em um problema que ultrapassa a dimensão individual do caso. Sete meses depois da primeira ofensiva da Polícia Federal envolvendo o deputado, ele continua ocupando um dos cargos mais importantes da estrutura partidária no Congresso.
O contraste com a reação adotada diante da investigação envolvendo Jaques Wagner tornou-se inevitável no debate político. O senador deixou a liderança do governo no Senado seis dias depois de ser alvo de uma operação de busca e apreensão.
A diferença de tratamento oferece aos adversários de Flávio Bolsonaro espaço para questionar os critérios utilizados pelo PL na manutenção de dirigentes investigados em posições estratégicas e aumenta a pressão para que o senador se manifeste sobre a situação de seus aliados.
O acúmulo dessas crises acrescenta obstáculos à tentativa de Flávio de construir uma candidatura presidencial competitiva para além do eleitorado identificado com o bolsonarismo.
As investigações envolvendo figuras próximas não representam, por si mesmas, responsabilidade jurídica do senador. Politicamente, entretanto, tornam mais difícil separar a imagem do candidato das controvérsias que cercam seu grupo.
Ao longo dos últimos meses, diferentes episódios passaram a disputar espaço na agenda pública em torno da pré-candidatura: investigações envolvendo aliados, vazamentos de informações politicamente sensíveis, divergências com Michelle Bolsonaro, controvérsias sobre articulações internacionais e operações policiais que alcançaram dirigentes partidários.
A multiplicação dessas frentes cria um problema estratégico. Em uma campanha presidencial, candidatos precisam ampliar alianças, controlar a agenda pública e concentrar esforços na apresentação de propostas. Flávio Bolsonaro, ao contrário, corre o risco de consumir parte significativa de seu capital político respondendo a crises produzidas dentro do próprio campo.
A situação é especialmente delicada porque as investigações permanecem em andamento. Novas diligências, documentos, depoimentos ou decisões judiciais podem alterar a dimensão política dos casos e prolongar sua presença no debate eleitoral.
Para Flávio Bolsonaro, portanto, o desafio já não se limita à consolidação de seu nome como herdeiro eleitoral do pai. A pré-candidatura passa a depender também da capacidade de estabelecer distância política das suspeitas envolvendo aliados, responder às cobranças sobre a permanência de investigados em posições relevantes e impedir que a sucessão de operações policiais se transforme em uma das narrativas centrais da campanha presidencial.
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