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Turquia se comove com histórias de desastre em mina de carvão

Publicado em 16/05/2014 12:00 -

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O drama as famílias dos cerca de 500 mineiros mortos ou desaparecidos no desastre na mina de carvão de Soma, 480 quilômetros a sudoeste de Istambul (Turquia), que já contabilizou quase 300 mortos, está sendo ampliado com a divulgação de relatos emocionantes das próprias vítimas e das equipes de resgate.

Um dos casos mais comoventes é o de 14 mineiros que tentaram se refugiar em uma sala dentro da mina logo após a explosão. Segundo os bombeiros, o grupo percebeu que não seria possível sair da mina e foi até um local chamado de "quarto do pânico". A sala de cinco metros quadrados é preparada exatamente para este tipo de acidente e contém água, comida e oxigênio. Eles conseguiram se abrigar no local, mas a quantidade de oxigênio armazenada em cilindros não era suficiente para todos.

O ar no interior da mina rapidamente se contaminou com monóxido e dióxido de carbono, gases tóxicos. Por isso, os mineiros tentaram revezar o oxigênio até o resgate chegar. As equipes, porém, só conseguiram alcançar a câmara nesta quinta-feira. Segundo os relatos, os corpos foram encontrados amontoados na sala, já sem vida.

A descoberta de que a mina contém apenas uma sala de pânico causou polêmica no país – 6.500 pessoas trabalham no local.

O proprietário, Alp Gürkan, havia dito em uma entrevista ao jornal "Dünya" em abril que existiam diversas destas câmaras. Na ocasião, ele afirmou ainda que as salas continham oxigênio e comida para 20 dias.

Bilhete

Em outra história revelada, um bilhete foi encontrado pelos bombeiros ao lado do corpo de outra das vítimas. Continha um recado a seu filho. "Por favor, me dê sua bênção, filho", estava escrito, segundo foi informado pelo representante do sindicato dos mineiros, Osman Tutkun, ao canal de televisão local NTV.

A revelação causou comoção entre os familiares que acompanham o resgate.

As autoridades acreditam que dificilmente ainda serão encontrados sobreviventes. As equipes de resgate encontraram dificuldade para avançar devido a um incêndio no interior da mina que consumiu um corredor com cerca de 200 metros.

A estimativa oficial é que 142 pessoas ainda estejam desaparecidas, embora o número não seja exato porque a explosão aconteceu durante a troca de turno dos trabalhadores.

Nenhum sobrevivente é resgatado desde o anoitecer da última quarta-feira (14). Na ocasião, seis mineiros foram retirados depois de passarem 18 horas presos e foram saudados com palmas.

Moradores de Soma revelaram que sempre temeram os acidentes nas minas. "As mulheres dos mineiros beijam seus maridos pela manhã. Quando eles voltam, mesmo se só estiverem cinco minutos atrasados, você começa a ligar. Você nunca sabe o que vai acontecer", disse Gulizar Donmez, filha e mulher de mineiros e vizinha de uma das vítimas.


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