22/07/2024 - Edição 550

True Colors

Vai ter educação e diversidade, sim

Publicado em 27/11/2015 12:00 - Guilherme Cavalcante

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Um dos principais argumentos em acusação do conteúdo pró-diversidade em sala de aula é que o assunto é tabu e deve ser promovido pelos pais, e não pela escola. Particularmente, eu chamo isso de 'mimimi', porque de repente a escola no país tem o dever até de alimentar os filhos dos outros, mas não pode orientar a criança a ser mais tolerante a um mundo com tantas diferenças.

Mas nem esse argumento se sustenta mais (já era insustentável, na verdade), já que existem bastantes conteúdos pedagógicos que trabalham bem essa seara. Existem livros pró-diversidade, que combatem o bullying e que mostram, por exemplo, que há diferentes formatos de família e de orientações sexuais e identidades de gênero. Sendo assim, o que resta é a hipocrisia do segmento da sociedade que simplesmente acha que o falso tabu da diversidade não deve ser tocado.

E nem é só a diversidade que é jogada para baixo do tapete nas escolas. O sistema de ensino é tão quadrado que exclui várias outras minorias. Não sabe lidar, ainda, com as meninas que questionam os papéis de gênero, com estudantes com deficiência que protestam por espaço, com pessoas negras que também não silenciam mais diante do racismo. E as escolas (e as forças políticas por trás delas) optaram por parar no tempo.

Eu acredito bastante – e me apego a isso – na ideia de que o mundo está mudando. Vendo os jovens fazendo uma verdadeira revolução em São Paulo, contra uma 'reorganização' arbitrária das escolas estaduais que só visa a economia em detrimento da qualidade de ensino, eu creio num futuro melhor para nossas crianças na escola. A cada dia, o que se vê é a corrupção e o conservadorismo sendo desmascarados e o brasileiro, além de indignar-se, decidir agir. E só com ação a gente consegue mudar.

Para todos, todas e todos

A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) deu um importante passo na luta pelo respeito à identidade de gênero. Para a instituição, qualquer pessoa "é livre para usar o banheiro correspondente ao gênero com que se identifica". A decisão começou a valer no fim de novembro, com direito até a campanha local, com frases com a hashtag #liberameuxixi.

"O principal objetivo é criar dentro da Universidade um ambiente que aceite, acolha e respeite as várias orientações, e as formas que as pessoas são e se enxergam no mundo", disse a diretora de Ações Afirmativas da UFJF, Carolina dos Santos Bezerra. Por enquanto, os cartazes estão sendo colados apenas no prédio da Reitoria, mas a ideia é que as unidades também façam parte do projeto.

Cuecas para homens que menstruam

Pensando nos homens que menstruam (sim, os homens trans), a marca de roupas íntimas Thinx lançou a boyshort, uma cueca que dispensa o uso de absorventes e que é reutilizável. A ideia é uma evolução das calcinhas que também seguram a menstruação, já no mercado há dois anos.

A iniciativa da Thinx é muito bem-vinda porque para muitos homens trans, ter que recorrer aos absorventes íntimos remete ao período antes da transição, quando o corpo da pessoa ainda não estava em sintonia com a identidade de gênero.

A cueca especial possui duas camadas de absorção, uma delas, antibacteriana. E tem também uma camada que impede vazamentos. E dá pra lavar na máquina, se assim a pessoa desejar. Elas saem por 34 dólares no site oficial da marca (cerca de R$ 130).

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Victor Barone

Jornalista, professor, mestre em Comunicação pela UFMS.


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