Entre em nosso grupo

2

WhatsApp Semana On

21/06/2026 - Desde 2009 informando com qualidade

Nos apoie:

Chave PIX:

19.485.790/0001-70

QR Code para doação

Teatro do Mundo

Teatro é uma forma de oração

De ver, escutar, engolir e digerir

Publicado em 08/05/2026 3:08 - Fernando Lopes Lima

Divulgação

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

Fazer teatro não é contar piada. Quem faz teatro apenas para arrancar aplauso rápido talvez ainda não tenha encontrado o tamanho dessa arte. Parafraseando a canção de João Gilberto: teatro é uma forma de oração.

E toda oração exige presença.

SIGA A SEMANA ON NO YOUTUBE, INSTAGRAMFACEBOOK, TIKTOK, X E WHATSAPP

No começo, quase todo artista chega ao teatro pela paixão da novidade. Pelo encantamento. Pela vontade de pertencer. Muitos chegam também pela necessidade de cura. E o teatro cura mesmo. Ele organiza nossos abismos, ilumina nossas contradições, nos devolve perguntas que a vida cotidiana tenta esconder. Há algo profundamente terapêutico no ato de ensaiar, de jogar, de escutar, de estar em coletivo.

Mas isso, sozinho, não sustenta uma trajetória artística.

Se alguém deseja seguir no teatro como ofício, como linguagem, como pesquisa de vida, essa fase inicial precisa amadurecer rapidamente. Porque depois do encantamento vem o trabalho. Depois da paixão vem a disciplina. Depois da euforia vem a dúvida — e é justamente ela que separa o impulso da investigação.

Teatro é estudo.

Teatro é observação.

Teatro é método.

Teatro é ciência humana feita com carne, voz, tempo e presença.

Um artista não se constrói apenas com talento ou espontaneidade. Constrói-se com leitura, repertório, escuta, fracasso, repetição, silêncio, referências, treinamento e rigor. Não existe aprofundamento sem cuidado. Não existe linguagem sem pesquisa. Não existe cena verdadeira sem compromisso.

O teatro de pesquisa não tem pressa do resultado. Ele se apaixona pelo processo. Ama o caminho mais do que o troféu. Entende que um ensaio não serve apenas para “montar uma peça”, mas para investigar o humano, suas tensões, seus vazios, suas máscaras e seus delírios.

E talvez seja isso que precise ser dito aos artistas iniciantes com firmeza e ternura: não tenham medo da complexidade.

Não transformem o teatro apenas em vitrine de vaidade ou mecanismo de aprovação. O palco não é um lugar para provar genialidade instantânea. É um lugar de escuta profunda. De construção lenta. De responsabilidade.

Porque o teatro exige cuidado com o outro.

Cuidado com o corpo.

Com a palavra.

Com o tempo.

Com o coletivo.

Com aquilo que se desperta numa sala de ensaio.

Fazer teatro é também aprender a suportar a dúvida. E toda verdadeira pesquisa nasce dela. O artista que acredita já saber tudo paralisa. O artista que continua perguntando permanece vivo.

Talvez por isso o teatro sobreviva há milênios. Porque ele não oferece respostas definitivas. Ele produz presença, conflito, espanto, consciência.

E isso exige muito mais do que talento.

Exige presença e escuta. Escutar a si, aos outros; escutar o espaço, escutar as tensões. Fazer teatro não é opinião, o teatro é o lugar de ver, olhar não é ver. Escutar – ver – engolir – digerir. O Teatro é tudo, mas não é qualquer coisa.

Teatralize-se!!!

SE FIZER SENTIDO PRA VOCÊ, APOIE O JORNALISMO DA SEMANA ON

FERNANDO LOPES LIMA

É ator, diretor, autor e palhaço. Artista da cena, dedica sua trajetória à pesquisa do teatro como espaço de encontro, afeto e provocação. Com forte atuação no teatro independente e de grupo. Fundador e integrante da Cia Teatro do Mundo e gestor da Estação Cultural Teatro do Mundo de Campo Grande MS.

Email

Cia. Teatro do Mundo

Estação Cultural Teatro do Mundo

O Poder e o Abismo

Leia outros artigos da coluna: Teatro do Mundo

Fernando Lopes Lima


Voltar


Comente sobre essa publicação...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *