25/04/2024 - Edição 540

Conexão Brasília

Quem grita, já não tem autoridade

Os fortes sinais de que a era Lira está próxima do fim

Publicado em 15/02/2024 10:43 - Rafael Paredes

Divulgação Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Ninguém chega três vezes à Presidência da República em um país democrático à toa. Ainda mais depois de ser preso, enfrentar forte campanha de destruição de reputação, além de estar em espectro político oposto às mais importantes elites econômicas do país. Lula é um animal político e enfrentá-lo é uma tarefa inglória. O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) vem dando demonstrações de que só agora começa a entender o tempo, o espaço e o Lula.

Parece que Lula marcou na agenda o momento em que iria passar um risco no chão e demonstrar que, daquele ponto o alagoano não passaria. A primeira ação foi no ano passado, quando enviou uma medida provisória onerando novamente 17 setores da economia que vinham sendo sistematicamente desonerados e que, dessa vez, tinham conquistado a desoneração por meio de projeto de lei, vetado pelo presidente – veto derrubado pelo Congresso Nacional. A medida foi tomada no campo da política, com razoabilidade, poderia ser pior e ter sido judicializada, não foi. Mesmo assim Arthur Lira não gostou nada.

O presidente da República já cedeu o possível ao “colega”. Já deu Ministérios, as joias da coroa dentro de uma “Caixa”. Lira é insaciável e não se constrange em colocar a faca no pescoço de ninguém. Fez isso com Bolsonaro, alguém que não queria governar, queria passear de jet-ski, tirar férias, desonerar jogos de videogame e fazer discursos distópicos a envergonhar a todos. Com Bolsonaro deu certo, com Lula o jogo começa a virar. Lula não é Bolsonaro. Lula já governou, gosta de governar, está meio ressentidão com as elites…

Lula recebeu em mãos pesquisas que mostram que sua popularidade não cai e até aumentou um pouquinho (52%). É o único político de projeção nacional com a aprovação acima da reprovação. Começou a rodar o país e encantar governadores até mesmo de oposição, com seu carisma, o seu charme e o cofre do Governo Federal com recursos que podem garantir a reeleição de quem não quer trocar o certo pelo duvidoso. Na incursão a São Paulo, arrancou risadas e afagos do governador bolsonarista Tarcísio de Freitas (REPUBLICANOS). Pregou a política em substituição ao ódio. E fez bem. No ódio o outro campo é especialista, na política o especialista é ele. O mesmo aconteceu no Rio de Janeiro com o também governador Bolsonarista Cláudio Castro (PL).

Na outra ponta está Arthur Lira, com mandato chegando ao fim e reprovando mais uma atitude do Governo Federal: o corte de R$ 5 bilhões em emendas parlamentares para o orçamento deste ano. A medida deixou Lira enfurecido e ele começou a dar respostas com suas ausências, como foi o caso do aniversário do Dia da Infâmia (08/01), na abertura dos trabalhos do Judiciário e na posse do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. O presidente da Câmara também está incomodado com as discussões antecipadas de sua sucessão e enxerga seu vice, deputado Marcos Pereira (REPUBLICANOS-SP) para lá e para cá de carona no avião presidencial.

Ainda sobre o orçamento, a forma com que o Congresso Nacional o abocanhou é outro fato histórico sem precedentes. Enquanto o parlamento de outros países como Estados Unidos, França, México, Espanha detém menos de 2% do orçamento público federal, os nossos parlamentares comandam 20%. A conta não fecha.

Lira já pediu a cabeça do ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha. Pedido negado. E, como ato mais revelador da perda de sua força fez um forte e ameaçador discurso no Plenário da Câmara na abertura das atividades legislativas. Lula pescou: quem grita já perdeu a autoridade. O presidente da República passou a desmarcar reuniões suas e de seus ministros com o presidente da Câmara. Essa é a oportunidade de colocar as coisas em seus devido lugares.

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Rafael Paredes


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