21/07/2024 - Edição 550

Camaleoa

O patriotismo brasileiro exposto em 90 segundos

Publicado em 04/07/2014 12:00 - Cristina Livramento

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Cantar o Hino Nacional durante os jogos da Seleção Brasileira, na Copa do Mundo, além dos 90 segundos permitidos pela Fifa, parece uma demonstração  exemplar de patriotismo do brasileiro, mas ser patriota significa fazer algo de bom pelo seu país ou nação.

Estádios construídos às pressas, com atrasos e com 11 mortes registradas, segundo o UOL, lotados de torcedores entusiasmados com a possibilidade da vitória em mais um jogo, participam de uma histeria coletiva em que tudo parece perfeito. Dá aquele sentimento falso de unidade, coletividade em prol de um objetivo em comum.

Considerado como o ópio do povo brasileiro, o ditado para o futebol, em tempos de Copa, nunca foi tão apropriado. As redes sociais, que antes metralhavam a presidente Dilma Rousseff com críticas grosseiras e bradavam boicote aos jogos se renderam a torcida pelo gol e pela vitória.

Que tipo de patriotismo é esse que compartilhamos ao vestir a camiseta verde e amarelo em dia de jogo do Brasil?

Afinal, de qual vitória estamos falando? Que tipo de patriotismo é esse que compartilhamos ao vestir a camiseta verde e amarelo em dia de jogo do Brasil? Segundo o Wikipédia, o patriotismo,  diz o historiador britânico Lord Acton (1834-1902), prende-se com os deveres morais que temos para com a comunidade política. Para sermos patriotas precisamos ser indivíduos políticos.

Somos políticos quando pensamos no coletivo e exigimos nossos direitos e exercemos nossas obrigações como cidadão. Exigimos escolas públicas de qualidade porque é ali o lugar dos nossos filhos estudarem, exigimos saúde pública de qualidade porque é um direito básico que nos confere a Constituição Brasileira, exigimos um transporte público de qualidade porque entendemos que a cidade flui melhor e é uma obrigação do Estado e um direito da população. Rico e pobre – autor e vítima ao mesmo tempo de suas ignorâncias – unidos pelo bem comum de uma sociedade.

Quem sabe, um dia, os torcedores entenderão o significado do verde e amarelo riscado no rosto, marcado no peito. Como a minha vizinha grita, em dia de jogo do Brasil, “o país é nosso”, espero que um dia o país inteiro possa de fato tomar posse, não só com bandeiras e cornetas, mas com os pés na terra vermelha que nos dá o alimento e com as mãos dignas que plantam e colhem nosso alimento. Precisamos ser coletivo na prática para sermos indivíduos patriotas.

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Victor Barone

Jornalista, professor, mestre em Comunicação pela UFMS.


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