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Teatro do Mundo

Manifesto: Fazer Juntos Ou Não Fazer

Como sustentar algo coletivo em um mundo que empurra para o individualismo

Publicado em 23/01/2026 7:28 - Fernando Lopes Lima

Divulgação Reprodução

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Todos os dias, grupos de teatro nascem e morrem.

Alguns duram meses, outros resistem por anos. Mas quase todos enfrentam o mesmo dilema: como sustentar algo coletivo em um mundo que empurra para o individualismo? Como insistir em um processo horizontal quando tudo à nossa volta opera por hierarquias, competições e urgências?

Este manifesto nasce da experiência e da frustração, mas também da esperança teimosa de que o teatro de grupo ainda é possível — e necessário.

  1. O teatro de grupo é coletivo ou não é nada

Fazer teatro em grupo não é apenas dividir tarefas ou ensaiar junto. É assumir uma responsabilidade mútua: pelo processo, pelas decisões, pelas dificuldades e pelos afetos. É reconhecer que a criação não nasce de um gênio solitário, mas do atrito e da convivência.

É aceitar o tempo do outro, o conflito como parte do caminho e a escuta como ferramenta de criação.

  1. A sustentabilidade é política

Sustentar um grupo não é só garantir recursos. É construir um espaço onde as pessoas possam permanecer, criar, se desenvolver e se cuidar mutuamente.

É pensar como gerar renda, sim — mas também como gerar vínculo. É entender que o dinheiro é meio, não fim. E que não adianta ter edital se não há confiança, continuidade e partilha.

  1. A horizontalidade não é uma utopia, é um método.

Não se trata de negar lideranças naturais ou momentos de protagonismo, mas de recusar a lógica da chefia, da centralização e do controle.

A horizontalidade exige mais trabalho, mais conversa, mais tempo. Mas é a única forma possível de criar algo que não dependa apenas de uma pessoa — e que, por isso mesmo, possa durar.

  1. Queremos processos que durem mais que os projetos

Não estamos atrás de resultados imediatos, de likes ou de visibilidade instantânea. O que nos move é a possibilidade de criar um território artístico e afetivo* onde seja possível errar, refazer, começar de novo.

Queremos um grupo que seja mais que uma parceria de ocasião: um espaço onde seja possível crescer junto, aprender junto e sustentar junto o que se constrói.

  1. Não estamos procurando ajudantes. Estamos procurando cúmplices.

Montar um grupo é fácil. Sustentar um grupo é raro. Por isso, este manifesto não é um convite para “participar” de algo pronto — mas para criar junto desde o início.

É preciso responsabilidade, entrega e disposição real para o trabalho coletivo. Porque se não for pra fazer junto, é melhor nem começar.

FERNANDO LOPES LIMA

É ator, diretor, autor e palhaço. Artista da cena, dedica sua trajetória à pesquisa do teatro como espaço de encontro, afeto e provocação. Com forte atuação no teatro independente e de grupo. Fundador e integrante da Cia Teatro do Mundo e gestor da Estação Cultural Teatro do Mundo de Campo Grande MS.

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