18/06/2024 - Edição 540

True Colors

Dos ganhos e perdas da vida

Publicado em 20/11/2015 12:00 - Guilherme Cavalcante

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Perder um amigo é uma dor que não se consola. Mas, até na tristeza descobri alegrias e coisas bonitas de se ver. Eu tinha o Vitor Angelo – colunista da Folha de São Paulo, produtor e roteirista de diversos programas de TV e coautor do 'Aurélia – O Dicionário da Língua Afiada' –  como um amigo, muito embora ache que a atenção que ele tinha por mim se explicasse em parte pelo carinho que ele tinha com minha irmã. Mas o fato é que quando comecei a escrever a True Colors, em novembro de 2011, a opinião do Vitor Angelo era a que mais importava.

A bicha era daquelas fervidas, curtia uma balada, gente, música alta. Era sempre alto-astral, mesmo que por dentro não fosse. Se você chegasse chorando as pitangas ele era sempre o primeiro a colocar um disco da Clara Nunes para tocar (risos). Era o autor do Blogay, a excelente coluna LGBT da Folha de São Paulo, de onde eu tirei muita inspiração para escrever minhas colunas mais analíticas. Vitor também era militante, tinha muita experiência e conhecia todo o sub mundo de São Paulo.

Tenho profunda admiração por ele. No fundo, eu queria ser ele. Eu acho.

Na tarde da última sexta-feira (20) o coração dele parou de bater. Sem mais, nem menos. Dias antes ele foi ao hospital, reclamando de uma bronquite. Meses antes perdeu o pai, em Santos, com quem tinha um relacionamento um tanto quanto conturbado. A vida dele era assim, um livro aberto, ele colocava tudo, ou quase tudo, nos Facebooks da vida. E assim, eu acho, tornei-me um pouco mais íntimo dele. Nossas conversas na madrugada. no bate-papo do Facebook. em que ele dizia 'vem pra cá, bee. São Paulo foi feita pra você'. E eu nunca fui, nunca quis ir.

E por mais estranho que isso possa parecer, quando o Vitor morreu, foi lindo. Sim, lindo. Dezenas de colegas e amigos prestando suas homenagens, mas sem lamentar, um luto alegre, sei lá… Do jeito que o Vitor era, alegre. O Ivi Brasil, outro queridíssimo, segurou a onda e postou algumas informações no perfil do Victor. A Vivi Whiteman também, lembrou do amigo com saudade, mas sem lamúrias. O Alisson Gothz mandou ele preparar o chill in para o reencontro (aloka). Eu não postei nada até agora. Só abri meu Aurélia autografado e me senti feliz pelas oportunidades, pelas conversas, e pela certeza do reencontro.

Vitor Angelo, um cara tão legal, uma referência tão nobre para meu trabalho… Partiu tão cedo… O que me pergunto, agora, é se quando a morte bate a porta, penso eu, será o acaso ou será o destino que vem avisar que nosso tempo por aqui se cumpriu? Enfim… Paz e luz, meu amigo. Carinhos mil.

Mais trans na Câmara

Depois que a travesti Cris Steffany assumiu a Coordenadoria de Assuntos LGBT da Prefeitura de Campo Grande, a transexual Carla Lopes Catelan assumirá cargo de assessora parlamentar no mandato da vereadora Luiza Ribeiro (PPS), na Câmara dos Vereadores de Campo Grande. Nós aqui da True Colors desejamos todo o sucesso à ativista, que com certeza realizará um grande trabalho junto ao mandato de Ribeiro. Parabéns!

Letícia Lanz

Se tem uma pessoa que eu admiro profundamente por saber unir engenharia social e teoria, esta pessoa é Letícia Lanz, a psicanalista e transativista que lançará em breve seu livro 'A Roupa do Corpo', a primeira publicação sobre estudos queer desenvolvida por uma pessoa transgênero.

Enquanto militante do corpo neutro, Letícia tem alguns embates com integrantes dos movimentos sociais LGBT, sobretudo com militantes trans e travestis, que reivindicam a identidade de gênero. No entanto, a questão era um tanto quanto nebulosa para mim, até que assisti ao esclarecedor vídeo abaixo, que me ajudou a entender melhor as ideias de Lanz. Imperdível

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Victor Barone

Jornalista, professor, mestre em Comunicação pela UFMS.


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