24/04/2024 - Edição 540

Ponte Aérea

Burrice + canalhice militante

Publicado em 24/02/2022 12:00 - Raphael Tsavkko Garcia

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

Na imagem (abaixo), print de um livro didático de história a ser usado por escolas públicas de São Paulo. Páginas 47 e 48 da versão preliminar do Livro do Professor de História 2022 da Rede Estadual de São Paulo.

Isso me deixa extremamente revoltado porque é todo argumento anti-ciência que o Bolsonaro e seus minions querem.

Professores espalhando fake news como se fosse verdade é a tal da "doutrinação" que a turma da escola sem partido precisa pra crescer.

Burrice + canalhice militante.

Um livro didático de história usando como "fonte" um link pra um hoax espalhado pelo Etna, por uma empresa. Não é link pra um estudo acadêmico, é pra uma empresa querendo aparecer e pagar de progressista!

Isso é doentio. É uma ignorância que não tem explicação. Militância identitária é câncer e só dá argumentos pros reaças que querem reclamar de doutrinação nas escolas, que dizem que "professores marxistas" não são sérios.

Estão dando todo argumento pra essa galera não sendo sérios, não respeitando qualquer metodologia, espalhando etimologia freestyle, fake news, mentira descarada inventada por uma maluca identitária pra aparecer e lacrar há coisa de 3 anos.

O reich de mil anos do Bolsonaro só não se torna realidade porque, pra nossa sorte, ele é burro demais. Mas a esquerda identitária se esforça pra ajudá-lo.

A Madeleine Lacsko destrinchou esse absurdo.

"Mentir sobre a origem de palavras serve, na prática, para quê? Para um grupo, o que cria as mentiras, conseguir fazer pressão comercial. Acusa qualquer um de racista e destrói a imagem pública de pessoas e empresas com base nisso. Com a outra mão, oferece consultorias em "letramento" racial."

O REVISIONISMO HISTÓRICO DESSA GALERA BEIRA A PSICOPATIA

Princesa Isabel virou racista do mal, Mascarenhas de Moraes comandou a FEB na II guerra, Presidente Kennedy? O.o

Benjamin Constant era militar na Guerra do Paraguai e PACIFISTA o resto da vida – que se saiba não tem qualquer relação com escravidão ou ditadura.

É uma coisa doentia. Especialmente o ódio que esse pessoal militante identitário tem da Princesa Isabel. E um ódio que muita gente passa a mão na cabeça, acha fofo, acha "militante", estão do lado certo da história.

Não, não estão.

Esse pessoal identitário é incapaz de entender a história sem um filtro de "esse é malvado e esse é bonzinho" e ainda assim o filtro parece estar quebrado, o vidro da lente rachado.

Alguém me explica como Kennedy participou da ditadura brasileira? Ou como a pessoa que libertou os escravos (sim, não foi sozinha, teve todo um movimento, etc) é escravocrata ou como um militar que lutou na Segunda Guerra contra os Nazi-Fascistas não merece homenagem, etc…?

Não tenho dúvida de que essa lei passou ou porque alguns acharam que era uma piada ou simplesmente estavam com medo de serem acusados de racismo caso se posicionassem contra. Eu não me oponho a leis que proíbam homenagear apoiadores da Ditadura Militar (pelo contrário, defendo que existam), mas quando a gente vai indo mais pro passado a situação complica.

A mentalidade era outra, o convívio social era diferente. Cada caso é um caso. Como escreveu o Antonio Riserio, muitas mulheres negras da Bahia tinham escravos, mas elas não merecem homenagens ou serem lembradas por seus feitos e sua relevância na construção de Salvador e do Candomblé?

E pra piorar, além da história ser complicada, ainda temos militantes despreparados com poder demais nas mãos pra ditar quem era malvado e quem era bonzinho de acordo com suas visões limitadas – e puramente estéticas do mundo.

LEIA AQUI

Leia outros artigos da coluna: Ponte Aérea

Victor Barone

Jornalista, professor, mestre em Comunicação pela UFMS.


Voltar


Comente sobre essa publicação...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *