19/07/2024 - Edição 550

True Colors

A vida como ela é

Publicado em 26/09/2014 12:00 - Guilherme Cavalcante

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Gays branquinhas, ricos, nas universidades, empregados e bem sucedidos é só o que se vê por aí. A realidade de LGBTs nas favelas – e as opressões que esse grupo muitas vezes à margem da inclusão pelo consumo – no entanto, continua invisível.

Nas favelas, não existe pink money. Estas pessoas não desfrutam das regalias que alguns gays de classe média usufruem. E é exatamente isso que poderá ser visto em “Favela Gay”, documentário dirigido por Rodrigo Felha, produzido por Renata Almeida Magalhães e Carlos Diegues, com o estúdio Luz Mágica (Riofilme e Canal Brasil também participam na co-produção).

O documentário é uma verdadeira etnografia que traz a público a realidade escancarada, porém, sempre empurrada para baixo do tapete: gays, lésbicas, travestis e transexuais na periferia do Rio de Janeiro, a luta diária contra a violência oriunda do tráfico, das igrejas evangélicas e, claro, da própria comunidade. Um que se vive após o outro.

Mas os personagens de Favela Gay também nos inspirarão com histórias de aceitação, quando as famílias aceitam identidade de gênero e orientação sexual dos filhos. Superação por meio das artes, como música e dança, por meio dos estudos e da política.

O filme tem estreia prevista durante o Festival Internacional de Cinema do Rio, nos próximos dias 3, 4 e 5 de outubro. Posteriormente, será exibido no Canal Brasil. Para saber outras datas de exibição e ficar por dentro das novidades do Favela Gay, visite a fanpage no Facebook.

Whaaaaaaat???


A rede social Facebook, que já foi aplaudida por várias ações pró-LGBT, resolveu vetar o uso de nomes artísticos por Drag Queens, Travestis e Transexuais! E como forma de retaliação, vários perfis começaram a ser notificados e excluídos da rede social. Para permanecer no site, só se conseguir comprovar a identidade (com nome social ou de batismo) ou se transformar o perfil em fanpage. Do contrário, bye bye Facebook.

Já existem vários relatos de artistas drags, travestis e trans que tiveram a conta bloqueada por não usarem nome social, tais como a humorista Nanny People. A drag queen Tchaka também foi notificada em seu perfil pessoal, mas diferentemente de Nanny People, que saiu da rede, Tchaka passou a usar o perfil com seu nome de batismo (o nome artístico ficou entre parênteses logo abaixo).

Esta não é a primeira vez que o Facebook promove celeuma em torno do uso de nomes. Em 2011, a rede foi alvo de críticas por exigir o uso do nome de batismo em detrimento do nome social.

No caso recente, mesmo com a insatisfação dos usuários, que até conseguiram uma reunião com a rede social, na Califórnia, o Facebook manteve seu posicionamento, dizendo que era importante usar “nomes reais” para evitar “maus comportamentos”. Em entrevista, a empresa destacou que não é contra travestis, transexuais e drag queens, mas que exige que a pessoa use seu nome civil ou seu nome social – neste caso, é preciso enviar algum tipo de comprovação (cartão de crédito, extrato de bancário, certidão de casamento, etc.).

Vai entender esse site…

Conte sua história

O projeto "Conte Sua História”, que reúne depoimentos muitas vezes emocionantes e com histórias de superação com o objetivo de promover a dignidade de pessoas e segmentos sociais esquecidos, terá sua continuação contemplando, desta vez, a história de pessoas trans.

Realizado pelo Museu da Pessoa e com apoio dos programa SOS Dignidade, o projeto contará com depoimentos como o de Heloísa, trans que viveu da prostituição compulsoriamente para pagar o próprio tratamento; a de Penélope Jolie, expulsa de casa após iniciar o tratamento hormonal; e o de Carla Bruna, que recebeu ameaças da avó após assumir-se mulher trans.

Uma prévia dos depoimentos pode ser vista no vídeo acima. Solta o play!

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Victor Barone

Jornalista, professor, mestre em Comunicação pela UFMS.


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