25/02/2024 - Edição 525

Campo Grande

Professores de Escola Agrícola reclamam de abandono por parte da Prefeitura

Publicado em 28/07/2017 12:00 -

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Desanimados com a situação de completo abandono da Escola Municipal Agrícola Governador Arnaldo Estevão de Figueiredo, localizada na rodovia MS-040, na região do Distrito de Três Barras, a 35 quilômetros da zona urbana de Campo Grande, alguns professores do estabelecimento de ensino cobram providências.

Em carta enviada a Câmara Municipal, uma das docentes, cujo nome será preservado para evitar represálias, conta que atua no estabelecimento de ensino e revela a triste realidade dos profissionais que lá desempenham suas funções. Se já não bastasse a falta de infraestrutura básica no local, os professores foram atingidos por um duro golpe desferido sem dó e piedade pela atual gestão municipal: a redução da gratificação aos professores que desempenham suas atividades em locais de difícil acesso.

No caso da zona rural, Marquinhos Trad determinou que o percentual fosse reduzido de 50% para 25%, o que gerou muita insatisfação, descontentamento e uma sensação de desrespeito à classe, tendo em vista a forma abrupta, sem diálogo e sem levar em conta o impacto que isso geraria na vida das famílias dos professores que trabalham nas escolas agrícolas do município.

A medida do atual prefeito deixou transparecer também que os secretários municipais responsáveis por autorizar tal medida desconhecem a importância e o tipo diferenciado de trabalho ao qual se submetem e se dedicam os professores das zonas rurais de Campo Grande. Para quem não sabe, alguns fatores a ser considerado, tais como o deslocamento até essas escolas envolvem, sobretudo, riscos maiores para os professores por terem de enfrentar rodovias movimentadas todos os dias.

Além disso, tirando os gastos com combustível, os professores ainda têm despesas grandes com a manutenção de seus veículos, pois muitos locais têm grandes trechos não pavimentados. Outro agravante é que o trabalho desenvolvido pelos professores nas escolas rurais é diferenciado, exigindo desses profissionais pesquisas e adequações na sua metodologia de ensino que envolve investimento em material, tempo de estudo e dedicação que faz merecer incentivos para que seja constante na sua prática.

Tendo em vista a distância da escola, a maioria dos professores se sujeita a passar o dia todo longe de suas casas, de suas famílias e em locais onde muitas vezes não há estabilidade no sinal de telefonia e Internet, o que torna mais difícil o desempenho de suas funções, sendo necessária a compensação por meio de uma gratificação condizente com esses obstáculos.

Por isso, os professores da Escola Municipal Agrícola Governador Arnaldo Estevão de Figueiredo ficaram indignados com a decisão do prefeito Marquinhos Trad e a forma como se posicionaram alguns vereadores da capital, que têm feito elogios aos cortes implementados, como se os docentes recebessem privilégios, justificando que há crise e precisam economizar.

Cortar na carne, nada

No entanto, esses mesmos parlamentares não cortam na própria carne, ou seja, revendo suas gratificações, suas verbas indenizatórias e o grande número de cargos comissionados que o MPE (Ministério Público Estadual) já recomendou que diminuíssem.

Porém, os professores estão atentos às informações contidas no Portal da Transparência sobre gastos de combustíveis, publicidade e outras despesas dos vereadores que também são desnecessários nesse tempo de crise. Nesse sentido, os docentes das escolas rurais questionam:

Por que somente a categoria deve arcar com o prejuízo por conta das despesas da Prefeitura? Será que justifica um vereador gastar cerca de R$ 4 mil por mês em combustível e manutenção de veículos? Ou R$ 3,6 mil por mês em divulgação de atividade parlamentar?


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