25/02/2024 - Edição 525

Campo Grande

Pressionado por taxistas, Marquinhos vai investir contra o Uber

Publicado em 09/02/2017 12:00 -

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Pressionada pelos taxistas de Campo Grande, a Prefeitura vai “regulamentar” o serviço do aplicativo Uber – empresa que oferece um cadastro digital para transporte no mundo todo. No entanto, a população, que já adotou o serviço, pode ser a mais prejudicada, com o aumento da tarifa do serviço, que pode ser resultado da “regulamentação” proposta por Marquinhos Trad (PSD).

A ideia do prefeito é limitar a 200 os caros operando com o serviço. Hoje, eles são cerca de 400 a 700.

O Uber, assim como outros serviços digitais, é de difícil compreensão para um país que ainda não se sente à vontade com a própria cidadania, especialmente para gestores que imaginam que privilégios de categorias específicas devam sobrepujar o bem comum: é o caso de Campo Grande, onde “associações” de taxistas que, de fato, representam os interesses de um seleto grupo que detém dezenas de concessões jogam pesado por seus interesses corporativos.

O trânsito e o transporte nas cidades são competências das Prefeituras, que tem obrigação de regulamentá-los. É o que alega Marquinhos.

“Estou vendo as normas de outras Capitais, então vamos fazer o decreto regulamentando (o Uber) para que todos os motoristas sejam identificados, que apresentem informações, que o veículo seja identificado. Vamos exigir escritório de atendimento aqui (em Campo Grande)", explicou.

Um dos pontos que a Prefeitura quer regulamentar é a ausência de seguro nos carros, para, de acordo com ele, "garantir a segurança do passageiro e as mesmas condições cobradas dos taxistas”. Ainda não há informações sobre como será a regulamentação, já que ela será por decreto, que deve ser divulgada na segunda-feira (13).

Qualquer tentativa de restringir o aplicativo encontra certa resistência entre os usuários.

Motoristas se unem

Motoristas que atuam pelo aplicativo Uber, em Campo Grande, estão indignados com a postura do prefeito Marquinhos Trad. Segundo os profissionais, ele não chamou a categoria para nenhuma conversa sobre a regulamentação na cidade nem sobre a concorrência com taxistas. 

Conforme o primeiro presidente da Associação de Transportes de Passageiros de Aplicativos de Carona Remunerada e de Motoristas Autonômos de Mato Grosso do Sul (Aplic-MS), Paulo Cesar Teodoro Pinheiro, conhecido como 'Caju', até agora não houve nenhuma tratativa da prefeitura com os motoristas. 

''Somos 1.500 motoristas de aplicativos de carona paga só em Campo Grande, e aí o prefeito anuncia que vai regulamentar o serviço e não ouve os profissionais? Isso é um absurdo'', reclama Caju. Ele acrescenta que a categoria tem uma série de demandas que precisam ser ouvidas antes da regulamentação. ''Não pode assinar um decreto sem a nossa presença'', conclui. 

O dirigente se refere ao encontro que Trad teve, na última segunda-feira, com representantes de taxistas e mototaxistas da Capital, no qual o assunto principal foi o próprio serviço de aplicativo na cidade. ''O prefeito discute sobre a gente mas não nos chama para participar da conversa. Temos que estar na mesa para conversar'', completou Paulo. 

''Já falei com um assessor do prefeito da nossa intenção de conversar. Queremos ser ouvidos e se não estivermos presentes, não haverá reunião'', avisa Paulo Cesar. 
Entre as reivindicações da primeira associação de motoristas de Uber no Estado à prefeitura, estão a igualdade de tratamento dado aos taxistas e aos mototaxistas.

''Queremos direitos como isenção de IPVA, desconto na vistoria semestral e desconto de 30% na compra de um veículo zero quilômetro'', descreveu. 

Outro ponto a ser discutida com a administração municipal será o valor dos tributos e se em Campo Grande será cobrado o valor de 10 centavos por quilômetro rodado, como é feito em São Paulo. ''Em São Paulo a prefeitura arrecada R$ 58 milhões por mês só com esses dez centavos e gostaríamos que isso fosse implantado aqui e o valor fosse para a prefeitura reverter em melhorias no trânsito'', explicou Paulo Cesar. 

Mototaxistas

Apesar do tiro no pé quanto ao Uber, a Prefeitura acerta ao apertar a fiscalização sobre os mototaxistas. Agora, eles terão de implantar mototaxímetros para regulamentar o valor cobrado por trecho. Os mototaxistas terão 180 dias para instalar os aparelhos.


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