21/05/2024 - Edição 540

Campo Grande

Em Campo Grande, crianças esperam mais de 5 anos por cirurgia de catarata na Santa Casa

Capital recebe R$ 62,4 milhões em transferências do Governo Federal para a Saúde

Publicado em 30/04/2024 10:17 - Semana On

Divulgação

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A 76ª Promotoria de Justiça iniciou um inquérito para investigar a situação das cirurgias de catarata congênita na Santa Casa de Campo Grande. O inquérito, assinado pela promotora Daniela Cristina Guiotti, foi motivado por denúncias de uma fila de espera com mais de 40 pacientes, alguns aguardando há pelo menos 5 anos.

Uma mãe denunciou a demora no procedimento de correção da catarata congênita bilateral de seu bebê, que foi diagnosticado com a condição em ambos os olhos. Foi revelado que apenas uma médica está habilitada pelo SUS para realizar esse tipo de cirurgia no estado de Mato Grosso do Sul, e a consulta inicial ocorreu em 21 de fevereiro. A médica solicitou um laudo para autorizar a internação e a cirurgia, sujeitas à necessidade do paciente e à disponibilidade do centro cirúrgico.

A mãe relatou sua preocupação à promotoria devido à longa espera, temendo que o mesmo destino de outras crianças que perderam a visão na fila de espera pudesse recair sobre seu filho.
De acordo com a promotoria, o bebê foi encaminhado para uma consulta em Brasília por meio de um programa governamental de tratamento fora do domicílio, com uma consulta pré-operatória marcada para 20 de março. Um ofício do Sistema de Regulação indicou uma fila de 41 pacientes aguardando consulta na especialidade de catarata congênita e infantil, com o pedido mais antigo datando de 25 de abril de 2023.

Em março, uma reunião na promotoria com o chefe de Serviço de Oftalmologia da Santa Casa de Campo Grande revelou que ele desconhecia a fila de espera para essas consultas. Ele se comprometeu a propor um mutirão para zerar a fila de espera e avaliar casos já indicados para cirurgia.

O Sistema de Regulação indicou que 7 pacientes estavam prontos para cirurgia, com o mais antigo esperando desde 18 de janeiro de 2019. A Santa Casa confirmou a necessidade de reduzir a fila e garantiu assistência integral aos pacientes, sugerindo um Mutirão da Catarata Congênita como a melhor solução.

A presidente da Santa Casa também expressou desconhecimento sobre a fila de espera, mas assegurou a disposição do hospital em adotar medidas para reduzi-la. Foi apurado que a médica habilitada para a cirurgia realizou apenas três procedimentos em 2023: um em fevereiro, um em agosto e outro em dezembro.

Em um esforço paralelo, o Ministério da Saúde, por meio da ministra Nísia Trindade Lima, anunciou um incremento temporário ao custeio de serviços de Atenção Especializada à Saúde, beneficiando Campo Grande e outros municípios. A capital receberá R$ 62,4 milhões em 12 repasses por meio do Fundo Nacional de Saúde, enquanto outros municípios como Chapadão do Sul, Coxim, Dourados, Rio Brilhante e Três Lagoas também receberão montantes consideráveis.


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