21/02/2024 - Edição 525

Brasil

Para rir deles

Publicado em 24/02/2017 12:00 -

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Mesmo em época de carnaval, ainda há espaço para protestos contra a situação política brasileira. As tradicionais marchinhas não perdoam ninguém. Se em 2016, a ex-presidente Dilma (PT) e o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB) foram os preferidos dos compositores, neste ano os personagens são outros.

O presidente Michel Temer (PMDB) e o prefeito de São Paulo, João Dória (PSDB), são o preferidos dos foliões. Na internet, Temer foi fantasiado de vampiro. No caso de Dória, o foco são as primeiras ações do prefeito, que pintou de cinza as paredes pichadas e grafitadas da capital paulista.

A Operação Lava Jato também não poderia ficar de fora. Desta vez, o grupo Orquestra Royal – que abastece a internet com marchinhas desde 2012 – focou nos vazamentos da operação com a marchinha “Solta o Cano”. Entre as inúmeras letras do grupo, são homenageados os tucanos e os botequeiros de Belo Horizonte –cidade onde a banda se apresenta.

Vitor Velloso é administrador de empresa, mas durante o carnaval troca de fantasia e se transforma em músico e compositor da Orquestra Royal. Ele conta que as inspirações veem do noticiário político nacional. “Nós temos que agradecer aos políticos que nos dão matéria prima para trabalhar diariamente”, brinca o carnavalesco. “Nós não conseguimos homenagear todo mundo, como queríamos”, afirma.

“É preciso fazer uma escolha quando lemos notícias sobre os políticos: rir ou chorar. Nós preferimos rir e brincar com toda a situação – que não deixa de ser trágico”, contou Vitor. Além dos vídeos no YouTube, quem quiser pode ouvir as marchinhas da Orquestra por aplicativos como o Spotify.

Rodrigo Maia, Botafogo e angorá embalam músicas políticas de carnaval

Um grupo de músicos de Campinas (SP) faz de seu canal no YouTube um verdadeiro portal de notícias, mas com matérias cantadas em ritmo de marchinhas de carnaval ou paródias. Os Marcheiros, como são chamados, não perdoam ninguém. “Fazemos músicas para todos os gostos e todas as cores”, conta Daniel Azevedo, integrante da banda.

Os três músicos da banda aproveitam as manchetes dos jornais para suas composições. Chamado de Botafogo na lista da Odebrecht, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ganhou uma paródia com o hino do próprio time do coração. O empresário Eike Batista também não escapou das garras dos Marcheiros, assim como o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) – que teve seu habbeas corpus negado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Responsável pela maioria das composições, o advogado Thiago de Souza diz que o objetivo é sempre mostrar os fatos, mas não atingir as pessoas. “Os políticos zoam tanto a gente que temos que revidar de algum jeito. Nós optamos pela piada”, conta Thiago. Ao todo, o grupo já tem quase 600 mil visualizações em seus vídeos.

Trocadilhos estão sempre nas letras dos Marcheiros – que adoraram a lista de apelidos da Odebrecht. Além do Botafogo, de Rodrigo Maia, também foi homenageado o ministro da Secretaria de Governo de Temer, Moreira Franco – que aparece como “gato angorá” na lista divulgada pela empreiteira.

Os Marcheiros ganharam notoriedade quando viralizou a música do grupo sobre o “Japonês da Federal” – que aparecia sempre ao lado dos presos da Operação Lava Jato. Desde então, a produção de músicas tem sido intensa, às vezes com mais de uma canção por semana.

Todos os políticos citados na lista da Odebrecht negam ter recebido repasses ilícitos da empreiteira. Rodrigo Maia, afirmou que todas as doações recebidas foram legais e declaradas ao TSE e disse que nunca recebeu vantagem indevida para voltar qualquer matéria na Câmara dos Deputados. Moreira Franco, o Angorá, também nega ter cometido irregularidades.

Confira as marchuinhas

Hino do Botafogo da lista da Odebrecht

Marchinha do Moreira Franco

Marchinha do Cunha

Temer da Transilvânia

Dória “todo pinta”

Vazamentos na Lava Jato

Dória “pinto por cima”

Tucanus Nobres Inocentis

Cidadão de bem


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