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Brasil
Discurso antidemocrático circula em partidos, parlamentos e redes sociais
Publicado em 05/06/2025 9:41 - Semana On
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O Brasil está no centro de um alerta internacional. Um relatório contundente da Organização das Nações Unidas denuncia a disseminação de células neonazistas, o avanço do discurso de ódio e a permanência de um racismo sistêmico profundamente enraizado no país, mostra reportagem do jornalista Jamil Chade, do UOL. O documento, que será debatido em julho no Conselho de Direitos Humanos da ONU, exige respostas urgentes das autoridades brasileiras, incluindo medidas concretas contra a violência policial e o extremismo de direita — fenômenos que se retroalimentam e ameaçam a democracia.
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Num país onde a palavra “democracia” é frequentemente invocada, mas raramente traduzida em políticas concretas para os mais vulneráveis, o relatório da ONU apresentado pela relatora especial Ashwini K.P. traz um diagnóstico alarmante: o Brasil vive uma escalada do extremismo neonazista, amplificado pelo racismo estrutural e pela inação institucional diante de uma violência sistêmica, em especial contra a população negra e pobre.
A relatora visitou o Brasil em 2024, percorrendo seis capitais e ouvindo mais de 120 representantes da sociedade civil. O resultado é um dossiê que não apenas denuncia, mas exige respostas. Um dos trechos mais preocupantes do documento diz respeito ao crescimento de células neonazistas, especialmente no Sul do país, com destaque para o estado de Santa Catarina.
“A relatora especial está preocupada com a apatia demonstrada por funcionários do Estado e pelo governo nos estados afetados”, afirma o texto. O alerta torna-se ainda mais grave ao mencionar que essas células estão diretamente ligadas a crimes violentos, ameaças em escolas, grafites com símbolos nazistas em instituições educacionais e até à produção de bens que glorificam o regime de Hitler.
Essa denúncia não é isolada. Segundo o Instituto Brasileiro de Direito Humanos, que teve acesso ao documento, os casos de racismo e abuso racial em 2023 somaram quase 25 mil ocorrências — 13.897 de abuso racial e 11.610 de racismo. A ONU destaca que, mesmo com esse volume alarmante, as taxas de acusação e condenação permanecem baixas, revelando falhas sistêmicas de responsabilização.
Neonazismo e a falácia da “nova direita democrática”
O crescimento do neonazismo no Brasil não ocorre num vácuo. Ele é parte de uma conjuntura onde setores da política — ainda que não adotem explicitamente símbolos extremistas — normalizam o discurso de ódio, o revisionismo histórico e a negação da diversidade. Como destaca o filósofo Theodor Adorno, que estudou a ascensão do nazismo, “a intolerância começa quando se permite que o inaceitável seja dito com naturalidade”.
No Brasil contemporâneo, o discurso antidemocrático já não está apenas nas margens. Ele circula em partidos, parlamentos e redes sociais, muitas vezes travestido de patriotismo, liberdade de expressão ou discurso religioso. O alerta da ONU expõe uma contradição perversa: enquanto líderes da direita tentam se afastar formalmente do bolsonarismo radical, seus projetos eleitorais seguem sustentados pelas mesmas bases discursivas e ideológicas que alimentam o extremismo.
A estrutura que sustenta o abismo
O núcleo do informe da ONU, no entanto, é a persistência do racismo sistêmico. O termo não é usado de forma genérica: ele aparece com base em observações feitas diretamente com comunidades quilombolas, povos indígenas, ciganos, migrantes e, sobretudo, com a população negra que vive nas periferias urbanas.
A relatora identificou violações multifacetadas e interseccionais, que combinam raça, classe, gênero, deficiência e orientação sexual como fatores agravantes de exclusão. A violência policial ocupa lugar central nesse sistema.
Em suas palavras, o Brasil convive com o “uso endêmico do uso excessivo e letal da força por agentes da lei”, direcionado de forma desproporcional contra afrodescendentes. Ela cita incursões militares em favelas, disparos indiscriminados, uso de metralhadoras em áreas densamente povoadas, mortes de civis — incluindo mulheres grávidas e crianças — e outras formas de violência, como agressões sexuais.
Essas práticas, embora justifiquem-se sob o pretexto do combate ao tráfico, muitas vezes revelam um padrão de punição coletiva e uma naturalização da brutalidade contra populações que historicamente foram excluídas do pacto republicano.
A socióloga Angela Davis já alertava que “as prisões e a violência policial não são respostas ao crime, mas à existência dos pobres e racializados” (“A liberdade é uma luta constante”, Boitempo, 2018). O relatório da ONU dá corpo a essa constatação: a violência estatal não é exceção, é método.
A urgência de uma resposta institucional real
Embora o documento reconheça ações positivas do governo brasileiro, como a criação de uma relatoria específica no Conselho Nacional de Direitos Humanos para monitorar o crescimento do neonazismo, a avaliação geral é de que as medidas adotadas ainda são insuficientes e fragmentadas.
A relatora da ONU recomenda:
– A inclusão explícita do discurso de ódio no ordenamento jurídico brasileiro, em linha com o artigo 4.º da Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial;
– Medidas legais e educacionais para enfrentar o discurso de ódio online, em parceria com empresas de tecnologia;
– Adoção de câmeras corporais em todas as operações policiais, de forma efetiva e com controle público;
– Um paradigma novo de segurança pública, que substitua a lógica da guerra às drogas pela proteção da vida e da dignidade.
As recomendações revelam que o combate ao extremismo e ao racismo exige muito mais do que repúdio formal. Ele passa por reformas profundas no sistema de justiça, nas polícias, no currículo escolar e na cultura política. Passa também por uma decisão coletiva: se o Brasil continuará a ser uma democracia apenas no nome, ou se finalmente construirá uma república de iguais.
O relatório da ONU é um espelho incômodo. Ele nos mostra um país onde o nazismo cresce, o racismo resiste e a resposta do Estado ainda é tímida. Mais que uma denúncia, é um convite à ação. Como disse o jurista e filósofo Norberto Bobbio, “a democracia não é apenas o governo da maioria, mas o respeito às minorias e aos direitos fundamentais de todos” (“O Futuro da Democracia”, Paz e Terra, 1986).
Se queremos que a democracia brasileira sobreviva ao século XXI, será preciso mais que discursos. Será preciso justiça — e coragem.
Quaest mostra empate técnico entre Lula e principais nomes da direita
Incrível como a parcialidade recheia seu artigo. Por favor , me diz que vai poder dizer o que é discurso de ódio? Me diz quais representantes civis essa consultora da ONU visitou? Qual o viés político desses representantes? O que de fato tem o bolsonarismo com o suposto crescimento de neonazistas? Seu artigo se baseia em narrativas , pura e simplesmente. Por favor assista ao documentário entre lobos da Brasil Paralelo. Aí sim você irá conhecer o que é violência e discurso de ódio. Pra saber como o nosso sistema judiciário chegou a essa lamentável situação, assista brasileirinhos n° 5 , está disponível no YouTube. Mas corre, porque daqui a pouco será tirado do ar , porque estão sendo censurados , por aqueles que deveriam guardar nossa constituição.
Olá, bom dia Anderson. Faça uma busca no google sobre o significado de “discurso de ódio”, é fácil achar boas referências e compreender o significado. A ONU é uma entidade isenta e respeitada mundialmente por quem valoriza a democracia e os direitos humanos – apesar de sua ineficiência inerente ao direito de veto exercido por China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos. Agradecemos sua sugestão, mas consideramos o Brasil Paralelo uma péssima fonte de informação. Gratos e boa leitura.