21/02/2024 - Edição 525

Viver Bem

Prazo de validade dos alimentos

Publicado em 21/10/2016 12:00 -

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Faz mal comer um iogurte cujo prazo de validade expirou no dia anterior? Quanto tempo posso guardar a maionese no frigorífico depois de aberta? O chocolate esbranquiçado está estragado? Vamos esclarecer estes e outros mistérios.

Em 2008 um homem britânico foi notícia porque decidiu efetuar uma experiência comendo apenas alimentos fora do prazo de validade durante duas semanas. O objetivo era provar que se deitam fora toneladas de comida quando ainda se poderiam comer sem prejuízo para a saúde. Parece que não morreu nem sofreu de indigestão, mas a questão é pertinente. Afinal, que critérios presidem à definição dos prazos de validade dos alimentos? Hugo Vieira, consultor alimentar da 4HSA, uma empresa de consultoria em segurança alimentar, diz-nos até quando podemos comer:

Iogurtes. Podem ser consumidos um ou dois dias depois do prazo sem problema, apesar de começarem a perder características nutricionais.  Em qualquer destes casos, "considere alterações de cheiro e sabor como alertas vermelhos, já que podem indiciar multiplicação de microorganismos potencialmente perigosos como staphilococus ou mesmo salmonelas".

Leite. O UHT pode eventualmente ser consumido até alguns dias depois do prazo. Já no leite do dia a margem é menor e não convém ultrapassar o prazo indicado. "Isto acontece porque o primeiro é sujeito a uma temperatura muito elevada num período de tempo muito curto, o que elimina praticamente todas as potenciais bactérias. No segundo, a esterilização é feita a uma temperatura menor e num tempo mais alargado, o que apesar de contribuir para o leite manter as características em termos de sabor, o torna mais sujeito a contaminação", explica Hugo Vieira.

Queijos. Com o tempo costuma aparecer bolor que pode conter toxinas nocivas. "Um ponto pequeno poderá ser retirado sem prejuízo, mas há sempre algum grau de perigo já que o bolor (à exceção dos queijos onde é suposto tal acontecer) indicia sempre uma quebra da barreira biológica do alimento, o que permite a entrada de toxinas que podem estar presentes mesmo de forma não visível".

Sobremesas do tipo pudin flan, mousse de chocolate ou leite-creme. Não convém deixar passar o prazo já que são produtos processados e com muitos nutrientes, nomeadamente ovos, pelo que o risco de contaminação com staphilococus e salmonelas é grande.

Alimentos congelados. Em geral podem ser conservados quase um ano a um ano e meio sem problemas, desde que sejam mantidos a menos de 18ºC, já que o frio impede o desenvolvimento de micro organismos. Em regra, quanto menos processado for o alimento mais tempo irá conservar-se sem alterações. Refeições prontas e gelados, por exemplo, têm mais elementos na composição o que os torna menos estáveis mas não perigosos. As gorduras poderão alterar-se e desenvolver-se algum sabor a ranço.

Os alimentos congelados à saída da fábrica, sofrem uma congelação muito rápida que mantém os nutrientes intactos, e serão mais seguros do que os congelados em casa. Mas em qualquer caso, o elemento determinante é sempre a manutenção da cadeia de frio. Uma quebra nesta cadeia (seja no transporte para o supermercado ou para sua casa) diminui a margem de conservação. Sinais disto mesmo são a formação de cristais de gelo no interior ou a presença de humidade na embalagem de cartão. Neste caso, não deverá deixar passar o prazo.

Molhos. Antes de abertos conservam-se bastante bem algumas semanas para além do prazo indicado, mas depois convém ter mais precaução.

Maionese. É um produto muito sensível e a sua conservação vai depender do cuidado que se tiver na manipulação. "É fácil haver contaminação com staphilococus ou salmonelas. Basta um descuido com a colher que se usa para retirá-la do frasco, por exemplo.

Ketchup. É mais ácido e por isso mais resistente. Pode durar um mês conservado no frigorífico, assim como a mostarda.

Molhos de tomate para cozinhar. São bastante sensíveis e podem criar fungos e bolores que produzem toxinas prejudiciais mesmo dentro do prazo. Mesmo que retire o bolor visível, é provável que haja mais microorganismos presentes pelo que não deve consumi-los de todo neste caso".

Carne fresca. Pode deixar passar um ou dois dias se mantiver a cadeia de frio intacta e não houver sinais de alteração. "No caso da carne picada não dê margem alguma. É que ao picar-se quebra-se a sua barreira biológica, o que facilita o desenvolvimento de bactérias e permite a proliferação de micro organismos".

Frios. Como os fiambres e mortadelas são produtos sensíveis, devem ser consumidos apenas dentro do prazo. Tenha especial atenção à formação de um biofilme de gordura no exterior, "possível sinal de microorganismos que podem causar febres e diarreias ou até malformações do feto em grávidas".

Produtos fumados. São mais estáveis porque a fumagem destrói grande parte dos microorganismos e o sal que contêm também atua como conservante. Se vieram embalados em vácuo conservam-se bastante tempo e podem ser consumidos eventualmente algumas semanas depois do prazo sem risco.

Farinha. Pode durar anos sem que se estrague. Poderá eventualmente haver alteração da propriedade das leveduras, o que faz com que se torne menos eficaz a levedar um bolo ou a fazer pão.

Leite em pó. Também dura bastante tempo desde que não apanhe humidade e esteja numa embalagem fechada.

Bolachas. Quando muito poderão ficar moles com o tempo, um sinal de migração de oxigénio para dentro da embalagem, mas em geral duram bastante tempo, especialmente se as embalagens não forem abertas.

Café e chá. Duram anos, sobretudo se estiverem hermeticamente fechados. Como são confeccionados com água a ferver o perigo de contaminação também é menor. Se cheirarem a mofo, contudo, é preferível deitar fora.

Chocolate de culinária. Pode durar indefinidamente, mesmo que perca algumas propriedades (costuma embranquecer) não apresentará perigo para a saúde.

Enlatados. Duram anos, devendo apenas estar atenta a sinais de empolamento ou outros danos nas latas. Neste caso, não facilite.

Azeite. Aconselha-se o consumo no espaço de um ano, mas tudo depende da forma de acondicionamento. Deve sempre ser guardado no escuro já que a luz altera as suas propriedades. Se estiver exposto à luz no espaço de venda ou em casa poderá sofrer alterações. Cheiro a ranço é sempre um indicador disto mesmo.

Vinagre. Também dura bastante tempo e mesmo que perca qualidades não apresentará perigo para a saúde.

Sucos e refrigerantes. Sucos de fruta em garrafas de vidro não devem ser expostos pois a luz solar degrada rapidamente a vitamina C que contêm. Esta é um dos elementos conservantes pelo que a sua degradação pode comprometer a conservação no tempo recomendado. Já os refrigerantes duram mais tempo ainda que possam perder propriedades comerciais.

Uma questão de prazo

A menção do prazo de validade na embalagem é obrigatória. Apenas os produtos hortícolas frescos sem processamento estão dispensados desta obrigação, tendo no entanto de exibir a data em que foram embalados. Obviamente, o principal objetivo é garantir a segurança do consumo, mas não só.

"O prazo também garante características comerciais como o sabor, cor ou textura, que o fabricante assegura que se manterão estáveis durante o período indicado", explica o consultor alimentar. Depois da data indicada no rótulo, o alimento não está forçosamente estragado mas pode não corresponder aos parâmetros de qualidade da altura da compra.

Claro que consumir alimentos fora do prazo de validade deve ser a exceção e não a regra, mas nem sempre o lixo terá de ser o destino final de um produto que pode estar em perfeitas condições, apesar de expirado. Em todo o caso, para consumi-lo em segurança há factos que convém saber:

– Por regra, quanto mais reduzido é um prazo e mais específica a sua data de validade, menos margem haverá para o consumir depois.

– Em geral, quanto mais água e gordura tiver na sua composição, mais rapidamente um alimento se irá deteriorar e menos flexibilidade haverá no seu consumo para além do prazo.

– Mesmo dentro do prazo, um alimento pode deteriorar-se rapidamente se for sujeito a uma manipulação ou conservação deficientes (calor ou contaminação).

– Qualquer embalagem que esteja empolada deve ser rejeitada já que este ‘inchaço' é um provável indício da existência de dióxido de carbono no interior, uma reação que se dá quando há proliferação de microorganismos."


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