15/06/2024 - Edição 540

Viver Bem

Como a bicicleta é usada pelo mundo?

Há cerca de um bilhão de bicicletas em uso no mundo, seja para ir à escola ou ao trabalho, ou mesmo como mera prática de esporte ou lazer. Conheça as principais tendências no ciclismo

Publicado em 26/08/2023 8:33 - Gero Rueter - DW

Divulgação Pixabay

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1. Chegada ao destino de forma rápida e barata

Nos últimos 100 anos, as bicicletas têm ficado cada vez mais baratas, mais leves e mais rápidas. As versões elétricas da famosa “magrela” são cinco vezes mais rápidas do que caminhar e as bicicletas cargueiras facilitam o transporte de cargas.

Na Índia e na China, por exemplo, as bicicletas foram um dos meios de transporte mais importantes até a década de 1970, tendo sido usadas em muitas cidades em mais da metade de todos os trajetos. Elas perderam o espaço quando os carros se tornaram acessíveis e viraram um sinal de prosperidade e progresso. Hoje, carros e motocicletas são maioria em quase todos os lugares, e o número de ciclistas caiu significativamente.

A fim de reduzir a poluição do ar e os problemas de trânsito, cada vez mais cidades em todo o mundo têm promovido o ciclismo com a inauguração de novas ciclovias ou sistemas de aluguel de bicicletas.

2. Bicicleta proporciona maior frequência escolar

Nas áreas rurais, crianças muitas vezes têm que percorrer um longo caminho até a escola, onde frequentemente não há sistemas de transporte público ou as passagens de ônibus são muito caras. Muitas delas têm que caminhar durante horas.

Em diversos países, as bicicletas são particularmente importantes na ida às aulas. Em Bangladesh, alguns alunos inclusive ganham bicicletas para que possam concluir seus estudos.

As bicicletas fazem uma grande diferença especialmente na vida das meninas, que muitas vezes têm ainda menos tempo para a escola porque precisam ajudar mais em casa, no campo ou no transporte de água. Elas ainda ficam mais expostas à violência em longos trajetos. As bicicletas ajudam a tornar o caminho para a escola mais seguro. Isso já foi demonstrado em projetos realizados em diferentes países, como Zâmbia, Índia e Malawi, onde a ausência escolar das meninas caiu desde que centenas delas passaram a usar bicicletas. E não para por aí: houve um aumento na pontualidade e nas notas.

3. Repressão de ciclistas por carros

Em contraste, quase não há ciclistas em muitas cidades dos EUA. Lá, os carros são de longe o meio de transporte mais presente, e até jovens de 16 anos já vão para a escola de carro. Na terra do Tio Sam, os ciclistas vivem perigosamente.

Em algumas cidades, como Nova York, no entanto, tem havido um renascimento da cultura do ciclismo nos últimos anos. Cidadãos e políticos se mostram empenhados com a causa e, com a criação de mais ciclovias e o estabelecimento de sistemas de aluguel de bicicletas, mais pessoas voltaram a pedalar.

4. Andar de bicicleta aumenta a qualidade de vida

Em uma comparação global, quem mais pedala são os holandeses. Após a crise do petróleo na década de 1970, cidadãos e políticos se engajaram na expansão de uma rede nacional de ciclovias, algo único no mundo. Isso também inclui grandes estacionamento para bicicletas nas estações de trem.

O reflexo disso é que hoje, seja criança ou aposentado, cada um dos cerca de 17 milhões de holandeses possui, estatisticamente, 1,3 bicicleta per capita. E como os ciclistas têm a preferência no trânsito, os acidentes envolvendo bicicletas na Holanda são menos comuns do que em outros lugares.

Políticos holandeses, em particular, adoram ser fotografados andando de bicicleta. As ciclovias do país são atualmente um modelo para os planejadores urbanos em todo o mundo.

5. Mais ciclovias por conta da pandemia

Durante a pandemia de covid, muitos evitaram usar meios de transporte público, como ônibus e trem. Como alternativa, mais pessoas adotaram a bicicleta para locomover e manter a forma.

Muitos prefeitos apoiaram a tendência com a implantação de ciclovias nas ruas e limites de velocidade para carros. Ao mesmo tempo, houve uma queda no número de acidentes de trânsito, assim como nos índices de ruído, poluição do ar e emissões de CO2.

Na América Latina, um grande exemplo pode ser observado em Bogotá. Nos últimos anos, a capital colombiana conseguiu expandir significativamente o tráfego de bicicletas, tornando-se pioneira na América do Sul.

Na Europa, quem também vem servindo de modelo é a capital francesa. Paris dá uma verdadeira mostra de como uma rápida reviravolta no trânsito é possível, com limite de 30 quilômetros por hora na cidade, muitas novas ciclovias e ruas fechadas para carros.

No futuro, muitas outras cidades europeias também devem se tornar ainda mais adaptadas para os ciclistas, pois até 2030, o Parlamento Europeu pretende dobrar a participação de bicicletas no trânsito.

6. E-bikes e melhor infraestrutura fortalecem o ciclismo

No mundo todo, o ciclismo tem sofrido mudanças impulsionadas pelos motores elétricos. Com as bicicletas elétricas, são possíveis distâncias maiores, longas subidas e transporte de cargas. Embora elas sejam significativamente mais caras, a oferta é cada vez maior, incluindo modelos com baterias e armações mais leves.

Na Holanda, Alemanha e países escandinavos, uma em cada duas bicicletas novas é elétrica. Elas geralmente atingem uma velocidade de 25 quilômetros por hora, com os modelos mais rápidos chegando a até 45 quilômetros por hora.

A tendência para as bicicletas elétricas é particularmente visível na capital dinamarquesa. Em Copenhague, cada vez mais pessoas adotam as e-bikes para levar crianças à escola ou para transportar compras.

Entregadores de encomendas, serviços de entrega e trabalhadores manuais também têm usado cada vez mais bicicletas cargueiras para se locomover pela cidade. De acordo com um estudo financiado pela União Europeia, mais de metade de todo o transporte nas cidades europeias poderá ser transferido para bicicletas de carga no futuro. Isso se aplica a transportes de até cinco quilômetros e 200 quilos de peso.


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