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Saúde
Diagnóstico precoce garante mais de 90% de chances de cura
Publicado em 30/04/2025 10:49 - Semana On
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Rouquidão persistente é sintoma comum e, por isso mesmo, perigosamente subestimado. No entanto, especialistas alertam que ela pode ser o primeiro sinal de um câncer de laringe — doença que, quando diagnosticada tardiamente, compromete drasticamente a chance de cura. No Brasil, cerca de 80% dos casos só são identificados em estágios avançados, revelando uma realidade preocupante sobre a falta de atenção a sintomas considerados menores.
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A voz falha, o tom mais áspero ou um pigarro insistente, normalmente associados a infecções respiratórias ou abuso vocal, podem esconder algo mais grave. O câncer de laringe, responsável por aproximadamente 2% dos tumores malignos registrados no país, costuma se manifestar inicialmente por alterações discretas na voz. Segundo o otorrinolaringologista Daniel Dávila, membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial, “em dois terços dos casos, os tumores estão localizados na prega vocal — área diretamente relacionada à produção vocal”.
A boa notícia é que, quando detectado na fase inicial, o câncer de laringe apresenta índice de cura superior a 90%. O problema é que, de acordo com estimativas da área, oito em cada dez diagnósticos ocorrem já em estágio avançado da doença, comprometendo tanto a eficácia dos tratamentos quanto a qualidade de vida dos pacientes. Os principais métodos terapêuticos incluem cirurgia e radioterapia, geralmente com bons resultados quando aplicados precocemente.
A Associação Brasileira de Otorrinolaringologia reforça a necessidade de observar com atenção qualquer alteração vocal que persista por mais de duas semanas. “Outros sintomas como dor de garganta prolongada, sensação de bolo na garganta, nódulos endurecidos no pescoço ou dor de ouvido associada também devem acender o sinal de alerta”, complementa Dávila.
O câncer de laringe, assim como outros tipos de neoplasias, tem relação direta com hábitos e exposições de risco. “O principal agente etiológico para o paciente desenvolver lesões pré-malignas na prega vocal é o tabagismo. E se esse tabagismo vier associado ao consumo de álcool, existe uma sinergia entre esses fatores que pode aumentar em até 40 vezes as chances de o paciente ter um câncer de laringe”, enfatiza o especialista.
Essa sinergia entre álcool e cigarro está bem documentada na literatura médica. Um estudo publicado no Journal of Clinical Oncology mostra que a combinação dessas duas substâncias potencializa o efeito cancerígeno de ambas, afetando particularmente a região do trato aerodigestivo superior, que inclui boca, garganta e laringe.
Outros grupos de risco incluem trabalhadores expostos a substâncias químicas ou poeiras inaláveis, como os presentes em setores industriais, metalúrgicos e madeireiros. O diagnóstico precoce depende de uma avaliação clínica especializada, geralmente iniciada com exame físico e complementada com a videolaringoscopia — exame que permite a visualização direta das cordas vocais.
Apesar dos avanços no tratamento e diagnóstico, o desafio permanece na conscientização da população. A banalização de sintomas como rouquidão, comum em professores, cantores e outros profissionais da voz, contribui para a demora na procura por atendimento. A recomendação dos especialistas é clara: qualquer alteração vocal persistente deve ser investigada.
“O ideal é procurar um otorrinolaringologista sempre que houver alteração vocal que ultrapasse 14 dias, mesmo que pareça algo simples. O tempo é um fator determinante na cura”, conclui Dávila.