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Saúde
Anvisa investiga mortes no Brasil e pede notificação de eventos adversos
Publicado em 17/02/2026 10:04 - Semana On
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) voltou a alertar para os riscos associados ao uso indevido das chamadas “canetas emagrecedoras”, medicamentos injetáveis indicados originalmente para o tratamento do diabetes tipo 2 e que passaram a ser amplamente utilizados para perda de peso. Entre os eventos adversos monitorados está a pancreatite aguda — inflamação do pâncreas que pode evoluir para quadros graves e até fatais.
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Embora o risco já esteja descrito nas bulas, a agência decidiu reforçar o comunicado após observar um aumento global de casos de pancreatite em usuários desses fármacos. No Brasil, entre 2020 e 7 de dezembro de 2025, foram registradas 145 notificações de suspeitas de eventos adversos relacionados a esses medicamentos. Seis mortes estão sob investigação para apurar possível vínculo com o uso das injeções.
Segundo a Anvisa, a utilização fora das indicações aprovadas — especialmente para emagrecimento sem necessidade clínica — eleva de forma significativa os riscos à saúde.
O que são as “canetas emagrecedoras”
O termo popular designa uma classe de medicamentos injetáveis que inclui substâncias como dulaglutida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida. Entre os produtos comercializados no Brasil estão Ozempic e Wegovy (à base de semaglutida), Saxenda e Victoza (liraglutida), além do Mounjaro (tirzepatida).
Esses medicamentos atuam mimetizando o hormônio GLP-1 (peptídeo-1 semelhante ao glucagon), produzido no intestino. A substância estimula a liberação de insulina quando os níveis de glicose estão elevados, promove sensação de saciedade ao agir no sistema nervoso central e retarda o esvaziamento gástrico. O resultado é o melhor controle glicêmico e, como efeito associado, a redução do apetite.
Administrados por via subcutânea — na camada de gordura sob a pele —, esses fármacos foram desenvolvidos para o tratamento do diabetes tipo 2. Posteriormente, passaram a ser indicados também para obesidade, dentro de critérios clínicos específicos. A agência reguladora enfatiza que o uso deve ocorrer exclusivamente conforme prescrição médica e orientação constante de um profissional de saúde.
O que é pancreatite e por que preocupa
A pancreatite é caracterizada pela inflamação do pâncreas, órgão responsável tanto pela produção de hormônios que regulam a glicose — como insulina, glucagon e somatostatina — quanto pela liberação de enzimas digestivas, como amilase, lipase e tripsina.
A doença ocorre quando essas enzimas são ativadas ainda no interior do pâncreas, desencadeando um processo de autodigestão do tecido pancreático. A inflamação resultante pode permitir que as enzimas atinjam a corrente sanguínea ou a cavidade abdominal, provocando irritação e comprometendo outros órgãos.
Os sintomas mais comuns incluem dor abdominal intensa e persistente — frequentemente irradiada para as costas —, náuseas, vômitos e febre. O diagnóstico precoce é decisivo para evitar complicações graves.
Formas aguda e crônica
A pancreatite pode se manifestar de duas maneiras:
Aguda: surge de forma súbita e dura dias. Pode evoluir rapidamente e, sem tratamento adequado, levar à morte.
Crônica: caracteriza-se por inflamação persistente ao longo de anos, com crises recorrentes e perda progressiva da função pancreática.
Entre as principais causas da pancreatite aguda estão a presença de cálculos biliares e o consumo excessivo de álcool. Já a forma crônica está fortemente associada ao uso abusivo de bebidas alcoólicas. Tabagismo e dieta rica em gordura também figuram como fatores de risco.
Orientação aos pacientes
Diante de sintomas compatíveis com pancreatite — especialmente dor abdominal intensa acompanhada de náuseas e vômitos —, a recomendação é procurar atendimento médico imediato. Confirmado o diagnóstico, o uso do medicamento deve ser interrompido.
O acompanhamento é realizado, em geral, por gastroenterologista. A Anvisa orienta que qualquer evento adverso relacionado a esses medicamentos seja comunicado pelo sistema VigiMed, ferramenta que permite o monitoramento contínuo da segurança de produtos farmacêuticos em circulação no país.
Com pouco mais de cinco anos de presença no mercado brasileiro, as chamadas canetas emagrecedoras consolidaram-se como alternativa terapêutica relevante. O alerta da agência reguladora, contudo, reforça que seu uso exige critério clínico, prescrição formal e vigilância permanente — condições indispensáveis para que os benefícios superem os riscos.
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