26/02/2024 - Edição 525

Poder

PF recebe do FBI e-mails com mensagens de Cid sobre recompra ilegal do Rolex de Bolsonaro

Brasil dividido: 46% são a favor e 46% são contra punição a Bolsonaro pelo 8 de janeiro

Publicado em 27/11/2023 10:10 - Yurick Luz e Caique Lima (DCM), ICL Notícias – Edição Semana On

Divulgação

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

A Polícia Federal (PF), em colaboração com o FBI, obteve uma série de e-mails entre o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e a Precision Watches, a loja onde ilegalmente o Rolex do ex-capitão foi recomprado, de acordo com informações da colunista Bela Megale, do Globo.

Na troca de mensagens, Cid discute o pagamento em espécie e é alertado sobre a necessidade de assinar um documento devido à transação ultrapassar US$ 10 mil. Ele indica que o comprador seria o advogado Frederick Wassef.

Esses e-mails contradizem a declaração anterior de Wassef. Em agosto, o advogado de Bolsonaro admitiu ter ido aos Estados Unidos para recuperar o Rolex presenteado ao ex-presidente, mas negou qualquer orientação de Cid para a operação.

Wassef exibiu um recibo de US$ 49 mil como prova da recompra, revelando que o Rolex foi ilegalmente comercializado nos EUA por Mauro Cid. Sendo um presente de Estado, sua venda era proibida.

O relógio de luxo da marca Rolex foi um presente de autoridades sauditas a Bolsonaro durante uma viagem oficial do então presidente da República em 2019 à Arábia Saudita e ao Catar.

A análise do celular de Mauro Cid pela PF também revelou um rascunho de mensagem para alguém identificado como Chase Leonard, o mesmo nome registrado no recibo do relógio adquirido por Wassef.

Em sua delação premiada, Cid afirmou que a venda ilegal do Rolex foi por ordem direta de Bolsonaro, alegando descontentamento do ex-mandatário com gastos em condenações judiciais, multas de motociatas, custos da mudança do Palácio do Alvorada e transporte de presentes.

Bolsonaro já tem 3 condenações após governo e é alvo de 8 processos

O ex-presidente Jair Bolsonaro já sofreu três condenações na Justiça desde que deixou o governo e ainda responde a outros oito inquéritos e processos. Além de ações por atos durante o mandato, ele ainda foi incluído em inquéritos do Supremo Tribunal Federal (STF) que apuram o ataque terrorista de 8 de janeiro.

Fake news e ataques ao sistema eleitoral

Bolsonaro foi condenado e se tornou inelegível por oito anos em junho pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por reunião em julho do ano passado com embaixadores estrangeiros no Palácio da Alvorada. Na ocasião, ele fez uma série de ataques ao sistema eleitoral e divulgou fake news contra as urnas eletrônicas.

Ele ficará fora das eleições até 2030 após a decisão do tribunal. A maioria dos ministros entendeu que houve abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação por parte do ex-presidente.

Uso eleitoral do 7 de Setembro

O ex-mandatário também foi condenado por abuso de poder e promoção de campanha com dinheiro público nas comemorações do Bicentenário da Independência, no 7 de Setembro de 2022. O julgamento ocorreu em outubro deste ano e declarou sua inelegibilidade por oito anos mais uma vez.

Ataque a jornalistas

Ele também foi condenado por dano moral coletivo a jornalistas em ação movida pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo. A entidade entrou com a ação em 2021 e acusou Bolsonaro de praticar assédio moral contra toda a categoria, além de afrontar a imagem e honra dos profissionais durante o mandato.

Segundo levantamento da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), Bolsonaro promoveu ao menos 557 agressões a meios de comunicação ou jornalistas em 2022. No ano anterior, foram 453 ofensas, e, em 2019, foram registrados 130 episódios. Nesta segunda (13), ele afirmou que pagou R$ 72.551,74 pela ação.

Inquéritos no STF

O ex-presidente foi incluído em procedimentos da Corte que investigam incitadores e autores intelectuais do ataque de 8 de janeiro. Ele se tornou alvo da apuração porque compartilhou um vídeo com ataques e fake news sobre o STF e o TSE dois dias depois do episódio.

Bolsonaro ainda é investigado no inquérito das milícias digitais, aberto por Alexandre de Moraes em 2021. Foi no âmbito desta apuração que a delação de seu ex-ajudante de ordens Mauro Cid foi homologada. O processo envolve diferentes frentes, como a venda de presentes oficiais recebidos no exterior, a falsificação de cartões de vacina e a minuta golpista.

A Corte também apura seu comportamento durante a pandemia de Covid-19 no país e uma outra frente, da Polícia Federal, investiga se ele cometeu crime ao estimular pessoas a não usarem máscaras e associar o uso da vacina contra a doença com o desenvolvimento de HIV.

Bolsonaro também é réu no Supremo desde 2016 por apologia ao estupro. O processo trata da incitação ao estupro e injúria contra a deputada Maria do Rosário (PT-RS). A tramitação do caso foi interrompida quando ele assumiu a presidência, retomado após o fim do seu mandato e enviado à primeira instância.

Investigações do TSE

O ex-presidente pode sofrer mais quatro condenações no TSE. O tribunal eleitoral avalia o desvirtuamento de eventos oficiais durante o governo para obtenção de vantagem eleitoral, como seu discurso na Assembleia-Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) e sua viagem para o velório da Rainha Elizabeth 2ª.

Ele também foi incluído em ação que investiga o “ecossistema de desinformação bolsonarista”. O inquérito apura uso das redes sociais para divulgação de dados falsos para impactar o resultado das eleições.

Há ainda outras duas ações no TSE: a primeira investiga as operações da Polícia Rodoviária Federal (PRF) durante o segundo turno e a segunda, questiona a concessão de benefícios às vésperas da eleição e investiga se o objetivo da ação era influenciar a escolha de eleitores.

Brasil dividido

Pesquisa da Atlas Intel mostra que o Brasil está realmente dividido. De acordo com o levantamento, 46% dos brasileiros são a favor de uma punição a Jair Bolsonaro pelos ataques golpistas de 8 de janeiro, em Brasília. Outros 46% são contra aplicação de pena ao ex-presidente — 8% dos entrevistados não souberam responder.

Realizada entre os dias 17 e 20 de novembro, a pesquisa ouviu um total de 5.211 pessoas. Segundo a Atlas Intel, a margem de erro é de um ponto percentual para mais ou para menos. Já o nível de confiança é de 95%.

Jair Bolsonaro foi incluído no inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que investiga os ataques de 8 de janeiro. A Corte acolheu pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). Nele, foi pedido que o ex-presidente seja investigado como um dos autores intelectuais por incitação aos ataques golpistas.

De acordo com a representação da PGR ao STF, Jair Bolsonaro divulgou vídeo, dois dias depois dos atos golpitas, com ataques ao Supremo, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e também ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de Janeiro também apontou Jair Bolsonaro como “o verdadeiro autor, seja intelectual, seja moral, dos ataques perpetrados contra as instituições”.

O documento da CPMI, assinado pela relatora, a senadora Eliziane Gama (PSD-MA), ainda diz que o ex-presidente “explorou a vulnerabilidade e a esperança de milhares de pessoas” na ocasião.

O STF já condenou 25 réus, com penas que vão até 17 anos, por conta dos ataques golpistas de 8 de janeiro. No total, 2.151 pessoas foram presas em flagrante na ocasião e 1.345 foram denunciadas pela PGR e se tornaram réus.


Voltar


Comente sobre essa publicação...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *