02/03/2024 - Edição 525

Poder

Lesa Pátria faz busca e apreensão na casa do deputado Carlos Jordy

Visita da Polícia Federal ao bolsonarista vem bem, mas chega tarde

Publicado em 18/01/2024 11:35 - Pedro Peduzzi (Agência Brasil), Aguirre Talento, Ana Paula Bimbati e Josias de Souza(UOL) – Edição Semana On

Divulgação Billy Boss/Câmara dos Deputados

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A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (18) mais uma fase da Operação Lesa Pátria. A 24ª etapa está focada na identificação dos mentores intelectuais e responsáveis por planejar, financiar e incitar os atos antidemocráticos que culminaram na tentativa frustrada de golpe de Estado no dia 8 de janeiro de 2023.

A PF cumpriu dez mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) – oito no Rio de Janeiro e dois no Distrito Federal.

O deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) confirmou ser um dos alvos da investigação. Segundo ele, os policiais chegaram em sua residência às 6h. “Eles apresentaram uma petição. Estavam buscando arma, celular e tablet. Tentaram buscar outras coisas que pudessem me incriminar”, disse o deputado em vídeo publicado nas redes sociais.

Carlos Jordy classificou a operação como “medida autoritária e sem fundamento, que visa a perseguir, intimidar e criar narrativa às vésperas de eleição municipal”.

“É inacreditável. Esse mandado de busca e apreensão que foi determinado pelo ministro Alexandre de Moraes é a verdadeira constatação de que estamos vivendo em uma ditadura. Em momento algum do 8 de janeiro eu incitei ou falei para as pessoas que aquilo era correto. Nunca apoiei nenhum tipo de ato, embora as pessoas tivessem todo o direito de fazer suas manifestações contra o governo eleito”, declarou.

Segundo a PF, os fatos investigados constituem, em tese, crimes de abolição violenta do Estado democrático de direito, golpe de Estado, associação criminosa e incitação ao crime.

PF encontrou diálogos com foragido de invasão do 8/1

A investigação encontrou diversos diálogos entre um foragido pela invasão do Congresso Nacional no 8 de janeiro e o deputado Carlos Jordy, líder da oposição na Câmara dos Deputados que foi alvo da PF nesta quinta-feira (18). A PF obteve indícios de que Jordy atuou como orientador dos atos antidemocráticos que contestavam o resultado das eleições de 2022, como bloqueios de rodovias e acampamentos e quartéis.

As informações foram usadas como provas para deflagrar busca e apreensão contra o deputado. O interlocutor de Carlos Jordy se chamava Carlos Victor de Carvalho, responsável pela organização de atos antidemocráticos em Campos dos Goytacazes (RJ).

Em uma das conversas por meio de mensagens de WhatsApp, Carvalho pede ao deputado uma ordem para o bloqueio de rodovias. Jordy, em resposta, pede para telefonar, por isso a PF não conseguiu obter o desfecho desse diálogo específico. O diálogo, de acordo com a transcrição da PF, ocorreu no dia 1º de novembro de 2022.

Carvalho: Bom dia meu líder. Qual direcionamento você pode me dar? Tem poder de parar tudo.

Jordy: Fala irmão, beleza? Está podendo falar aí?

A PF também apontou que Jordy manteve contato com Carlos Victor de Carvalho durante o período em que ele já tinha uma ordem de prisão em aberto e se encontrava foragido. De acordo com a investigação, Jordy fez contato telefônico com Carvalho no dia 17 de janeiro
Carvalho acabou sendo preso pela PF em 28 de janeiro. Com a apreensão do seu celular, a PF obteve as provas que o vincularam ao deputado Carlos Jordy.

Em outros diálogos, Carvalho citava sua proximidade com o deputado e dizia a seus contatos que estava conversando com Carlos Jordy a respeito da posse do presidente Lula.

A PF também encontrou um vídeo no qual Carvalho cita o deputado Carlos Jordy durante a invasão do Congresso Nacional. No vídeo, uma pessoa com o rosto encoberto relata:

“Quem manda aqui é nós. É milhões, é milhões. Isso aqui não é bagunça, não. Jordy, avisa o povo de Nova Iguaçu e Mesquita que nós representa essa porra (sic)”, disse Carlos Victor de Carvalho, em invasão do Congresso no 8 de janeiro.

Em suas redes sociais, Jordy negou relação com os atos antidemocráticos e disse que nunca estimulou apoiadores a realizarem ações contra o resultado das eleições.

Quem é Carlos Jordy?

Jordy está em seu segundo mandato como deputado federal — ele foi reeleito em 2022 com 114.587 votos. Nas eleições de 2018, o parlamentar recebeu 204.048 votos.

Em 2021, Jordy chamou de “vagabundo” o ministro do STF Alexandre de Moraes. O xingamento aconteceu nas redes sociais, quando o ex-deputado Daniel Silveira foi preso por ter feito ameaças aos ministros da Corte e apologia ao AI-5, o Ato Institucional Número 5, o mais duro da ditadura militar (1964-1985).

Em seus perfis nas redes sociais, o deputado faz críticas ao governo Lula. Jordy define a invasão e depredação dos prédios dos Três Poderes em 8 de Janeiro como uma “narrativa mentirosa de golpe” feita pelo presidente Lula e do STF.

Apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ele é pré-candidato à Prefeitura de Niterói neste ano. Também é líder da oposição ao governo Lula na Câmara dos Deputados.

Jordy protagonizou uma discussão com o filho do ex-presidente, o vereador Carlos (PL-RJ) em 2022. Durante um evento, o deputado cobrou mais empenho de Bolsonaro nas eleições de deputados e senadores. “Ainda tenho ouvir isso? Pqp! É inacreditável? Não! Sei exatamente como esses agem”, escreveu o filho 02.

O deputado questionou o vereador carioca se ele estava o chamando de “traidor”. “Não entendi sua crítica. Então agora, desde 2016 ao lado do seu pai, sou traidor? Era só o que me faltava, xará”, disse.

Ele também foi vereador em Niterói — recebeu 2.388 nas eleições em 2016.

O deputado também já foi condenado a pagar uma indenização de R$ 66 mil ao youtuber Felipe Neto. Jordy associou o influenciador ao massacre que aconteceu em uma escola pública em Suzano, na região metropolitana de São Paulo, em 2019.]


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