24/05/2024 - Edição 540

Palavra do Editor

Rolezinhos e higienismo

Publicado em 24/01/2014 12:00 -

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O juiz José Rubens Senefonte, da 4ª Vara cível de Campo Grande, proibiu a realização do “rolezinho” que aconteceria no domingo (26) no Shopping Campo Grande, organizado via redes sociais. Na sua justificativa, argumentou que a ação promovida pela BR Malls, que administra o shopping, tinha fundamento ao alegar que o “rolezinho” poderia ameaçar a segurança dos frequentadores, comerciários e comerciantes.

Segundo o juiz, está proibido realizar tumulto, correria, algazarra, atos de vandalismo, uso de equipamentos de som em volume excessivo dentro ou no estacionamento do local. Quem descumprir a decisão poderá ser multado em R$ 1 mil. Um esquema de segurança e fiscalização com analistas judiciários, oficiais de justiça e, certamente, a presença ostensiva da Polícia Militar, garantirá o cumprimento da decisão.

Tumulto, correria, algazarra, atos de vandalismo, uso de equipamentos de som em volume excessivo são comuns nas noites dos campo-grandenses, especialmente nos muitos bares e conveniências da cidade, onde parte de uma classe média remediada se embriaga e põe a vida alheia em risco nas madrugadas sem policiamento ou fiscalização.

Se os rolezinhos são sinônimo de tumulto, correria, algazarra e atos de vandalismo, devem ser coibidos. No entanto, é preciso cuidado redobrado para não transformar esta manifestação em desculpa para uma política higienista.

Tumulto, correria, algazarra, atos de vandalismo, uso de equipamentos de som em volume excessivo são comuns em estabelecimentos ilegais que pululam pelos bairros da cidade e transformam a vida da vizinhança em um inferno.

Proteger o cidadão é uma obrigação do poder público e ações que garantam o bem estar de todos são sempre bem vindas, sejam elas em um shopping, no trânsito ou nas praças. Se os “rolezinhos” são sinônimo de tumulto, correria, algazarra e atos de vandalismo, devem ser coibidos. No entanto, é preciso cuidado redobrado para não transformar esta manifestação em desculpa para uma política higienista.

Nem tanto ao mar, nem tanto a terra. Qualquer um deve ter assegurado o direito de frequentar um shopping – ou qualquer outro ambiente público ou privado que ofereça entretenimento.

Se as expressões, trajes, linguajar, posturas de determinados grupos incomodam a outros grupos, paciência. A diferença é parte da vivência democrática. Da mesma forma, respeitar o espaço compartilhado é condição mínima de convivência. E isso deve ser assegurado.


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