21/02/2024 - Edição 525

Palavra do Editor

Nós, os esquisitos

Publicado em 13/05/2016 12:00 -

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Esta semana, ao apontar em meu Facebook alguns dados interessantes do Governo Temer, como o fato de ser ele o primeiro governo comandado por um político ficha suja na história do país, ou o foro privilegiado que ele deu para cinco ministros investigados na Operação Lava Jato (além do próprio Temer, que também é investigado), ou ainda as suas primeiras ações deletando ministérios importantes como o da Cultura, das Comunicações, das Mulheres, Igualdade racial e Direitos Humanos, fui surpreendido pela reação de algumas pessoas que me interpelaram com a seguinte questão: “Não sabia que você era petista… que surpresa”.

Também fiquei bastante surpreso ao perceber que, para este pessoal, este governo começa acima do bem e do mal. Apontar qualquer deslize é, para as cabeças ocas, ser aliado do PT. Viva o maniqueísmo burro!

Um dos “amigos de Facebook”, que havia sido companheiro de juventude lá nos anos 80 e 90 no Rio de Janeiro, complementou sua “indignação” dizendo: “É, você sempre foi esquisito mesmo”.

Ser chamado de esquisito nestes tempos de maniqueismo político e avanço das agendas conservadoras é elogio.

É verdade, sempre fui um cara estranho. Na adolescência, quando o pessoal saía para jogar bola ou para a noitada, muitas vezes eu trocava estes programas por um livro, e  ficava em casa… lendo. Depois, meu lado nerd (que ainda ocupa um espaço importante em minha personalidade) aflorou e me apaixonei por hobbies aos quais ainda hoje me dedico como o wargame, o RPG e os jogos de tabuleiro. Minhas esquisitices não pararam aí. Nada disso. Fui punk, fui gótico, militei no movimento anarquista (hay gobierno…?). Devo mesmo ter sido uma figura muito estranha…

Há, também, algumas coisas que eu nunca fiz. Nunca cresci profissionalmente puxando tapete de outros jornalistas, nunca testemunhei contra colegas de trabalho na Justiça Trabalhista, nunca peguei bola de político, nunca usei minhas redes sociais para puxar saco de patrão, nunca fui filiado a partido político, nunca fiz parte de torcida organizada, nunca julguei as pessoas por suas expressões religiosas, raciais ou de sexualidade. São coisas das quais me orgulho de nunca ter feito, o que deve ser muito esquisito para algumas pessoas.

Acho que faço parte de uma espécie em extinção: os esquisitões.

Que orgulho.


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