Entre em nosso grupo

2

WhatsApp Semana On

21/06/2026 - Desde 2009 informando com qualidade

Nos apoie:

Chave PIX:

19.485.790/0001-70

QR Code para doação

Mundo

Trump usa estética supremacista branca para atrair membros à sua polícia politica

Milhares vão às ruas nos EUA contra violência da política migratória nos EUA

Publicado em 12/01/2026 2:03 - Semana On

Divulgação Reprodução

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

A política migratória do governo Donald Trump entrou, em 2025, em uma nova fase de radicalização institucional. Diante da pressão para acelerar prisões e deportações, a agência de imigração dos Estados Unidos, o Immigration and Customs Enforcement (ICE), passou a adotar uma estratégia de recrutamento e comunicação que especialistas e entidades de direitos civis associam diretamente ao imaginário do supremacismo branco e da extrema direita.

CLIQUE PARA SEGUIR A SEMANA ON NO INSTAGRAM, NO FACEBOOK E NO WHATSAPP

A mudança ocorre em meio a protestos nacionais contra a agência, desencadeados após a morte de uma mulher durante uma operação do ICE. As manifestações, que reuniram milhares de pessoas em diversas cidades, foram imediatamente enquadradas pelo governo como um suposto “ato de terrorismo doméstico” atribuído à vítima — uma narrativa contradita por registros em vídeo e relatos independentes. O episódio expôs não apenas a escalada da repressão, mas também o esforço oficial de moldar a percepção pública sobre o papel da polícia migratória.

Nos bastidores, o problema era logístico. A meta estabelecida pela Casa Branca — cerca de 3 mil prisões diárias — esbarrou na falta de agentes, centros de detenção e voos para remoção de estrangeiros. A resposta veio com um aporte extraordinário de US$ 30 bilhões, destinado à construção de novos centros de custódia e à contratação de empresas de voos charter. Paralelamente, o ICE lançou uma ofensiva para praticamente dobrar seu efetivo, passando de cerca de 10 mil para 22 mil agentes em apenas quatro meses.

Recrutamento em “clima de guerra”

O processo de expansão adotou linguagem e estética típicas de mobilizações bélicas. Com um orçamento de aproximadamente US$ 100 milhões em propaganda, a agência passou a buscar “americanos patriotas”, direcionando suas mensagens a defensores do armamento civil e a públicos já expostos a discursos nacionalistas extremos.

Os cartazes evocam iconografia clássica da propaganda de guerra: o Tio Sam convoca cidadãos a “proteger a América”; slogans falam em “missão” e sugerem a deportação de imigrantes como um ato de camaradagem entre amigos. Outros materiais recorrem a um passado idealizado, com imagens de carros antigos à beira-mar e frases como “América depois de 100 milhões de deportações”, ou ainda a apelos históricos associados ao Destino Manifesto, como “A América precisa de você”.

O vocabulário é igualmente revelador. O uso recorrente do termo “invasores” para se referir a imigrantes não é casual, alerta o Southern Poverty Law Center (SPLC), entidade que monitora grupos de ódio nos EUA. Segundo a organização, expressões como “invasão” fazem parte, há décadas, do repertório de nacionalistas brancos e neonazistas, alimentando a teoria conspiratória da “grande substituição”, segundo a qual populações brancas estariam sendo deliberadamente substituídas por pessoas não brancas.

Para o SPLC, essa escolha semântica reforça a ideia de que migrantes são uma ameaça existencial e, portanto, devem ser enfrentados com respostas de caráter militar — um enquadramento que ajuda a normalizar abusos e violações de direitos.

Sinais codificados e referências extremistas

Além da retórica explícita, a campanha aposta em ambiguidades calculadas. Mensagens e símbolos associados ao extremismo aparecem de forma velada, permitindo que críticas sejam descartadas como exagero. Há cartazes com imagens da marcha de colonos rumo ao Oeste, símbolo histórico da conquista territorial acompanhada da expulsão e do extermínio de povos indígenas. Outros destacam palavras como Heritage e Home, cujas iniciais (“H.H.”) são usadas por grupos neonazistas como alusão a “Heil Hitler”.

Também surgem referências numéricas conhecidas no meio supremacista, como slogans com exatamente 14 palavras — uma alusão direta à frase “Devemos garantir a existência do nosso povo e um futuro para as crianças brancas”. Em um dos casos mais explícitos, um pôster pergunta: “Qual o caminho, americano?”, título associado ao livro Which Way Western Man?, do nacionalista branco William Simpson, publicado em 1978 por uma editora ligada à Aliança Nacional neonazista. A obra defende abertamente a expulsão de minorias étnicas e justifica o uso da violência política.

Na avaliação do SPLC, não há dúvida de que o ICE tem recorrido a imagens, slogans e códigos do nacionalismo branco em seu material de recrutamento. A entidade também aponta um contraste racial evidente: enquanto as peças publicitárias exibem quase exclusivamente pessoas brancas como agentes, as redes sociais da agência destacam majoritariamente pessoas negras e pardas quando se trata de acusações por imigração irregular.

Milicianos e mercenarização da imagem

Outro ponto de alerta envolve a estética paramilitar. Um dos cartazes analisados mostra dois homens brancos — um mais velho e outro mais jovem — armados com fuzis de assalto, vestindo coletes balísticos diante da bandeira americana, acompanhados da frase: “Estamos levando o vínculo entre pai e filho a um novo patamar”. Para o SPLC, a ausência de qualquer identificação institucional faz com que os personagens se assemelhem mais a milicianos ou mercenários do que a agentes federais, levantando dúvidas sobre o perfil ideológico buscado pela agência.

Críticas semelhantes vêm de organizações como o Western States Center. Para Lindsay Schubiner, diretora de programas da entidade, a estratégia vai além do recrutamento: trata-se de normalizar a desumanização de imigrantes e preparar a opinião pública para aceitar práticas cada vez mais violentas, agora revestidas de símbolos patrióticos.

Incentivos financeiros e riscos operacionais

A ofensiva do ICE também inclui estímulos financeiros agressivos. O governo destinou cerca de US$ 8 milhões para que influenciadores digitais promovessem a carreira entre jovens. Os pacotes oferecidos preveem salários de até US$ 90 mil anuais, bônus de contratação que podem chegar a US$ 50 mil, perdão de empréstimos estudantis de até US$ 60 mil e benefícios robustos de aposentadoria.

Entidades de direitos humanos, porém, alertam para os riscos da expansão acelerada. Para cumprir prazos políticos, o treinamento padrão de 18 semanas foi reduzido para apenas oito, e deixou de ser exigido o domínio do espanhol — uma decisão vista como incompatível com a complexidade e a sensibilidade do trabalho de imigração.

No conjunto, a combinação de pressa política, propaganda ideológica e afrouxamento de critérios técnicos reforça as preocupações de que o fortalecimento do ICE sob Trump não se limita à aplicação da lei migratória, mas aponta para uma transformação mais profunda do papel da agência no tecido democrático dos Estados Unidos.

Milhares vão às ruas nos EUA contra a política migratória de Trump

Milhares de pessoas marcharam neste fim de semana nas ruas das principais cidades dos Estados Unidos contra a política migratória da administração Trump, depois que uma mulher norte-americana, Renee Nicole Good, de 37 anos, ter sido morta por um agente do Serviço de Imigração (ICE).

“O ICE [Immigration and Customs Enforcement, o Serviço federal de Imigração norte-americano] mata. São fascistas. São assassinos. Invadiram a nossa cidade”, gritaram na concentração em Minneapolis, cidade onde a Renee foi morta a tiros. A multidão juntou-se no local onde ela foi morta.

Naquele que foi o quarto dia consecutivo de protestos contra a morte da norte-americana, os manifestantes saíram às ruas com imagens da vítima, cartazes contra Trump e outros a exigir o fim das operações dos agentes federais na cidade.

“Estamos aqui para protestar contra as violações dos direitos humanos que este governo está cometendo, o tratamento desumano das pessoas e o assassinato de Renee Good”, disse à agência EFE Kelly Joyce, uma residente de Minneapolis, de 65 anos.

“Queremos justiça e queremos respeito. Queremos que esta administração pare com a retórica contra os imigrantes. Não somos criminosos. A cor da nossa pele ou o fato de falarmos espanhol não significa que sejamos criminosos”, disse Daniel, de 45 anos, residente em Minneapolis e de origem mexicana.

Em Nova York, a manifestação juntou a condenação dos ataques dos agentes federais à rejeição das políticas expansionistas de Trump e às mortes no âmbito da campanha antidroga que o presidente dos Estados Unidos desenvolve no Caribe.

Na capital federal, Washington, um grupo de pessoas reuniu-se em frente à Casa Branca para exigir o fim dos ataques contra os imigrantes e condenar a violência perpetrada nos últimos dias por agentes federais.

A norte-americana Renee Nicole Good foi morta na quarta-feira (7) por um agente do ICE, durante uma operação de imigração integrada na campanha do Governo do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, naquela cidade.

A secretária da Segurança Interna, Kristi Noem, o Presidente Trump e outros membros da administração caracterizaram repetidamente o tiroteio em Minneapolis como um ato de legítima defesa e retrataram Renee Good como uma vilã, sugerindo que usou o seu veículo como arma para atacar o polícia que disparou sobre ela.

No entanto, as autoridades estaduais e locais, bem como os manifestantes, rejeitam esta caracterização e o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, disse que as gravações em vídeo mostram que o argumento da legítima defesa é “uma mentira”.

A Human Rights Watch (HRW) considerou que a versão da administração norte-americana é “totalmente inconsistente com qualquer análise razoável das imagens de vídeo” e enquadra a morte de Good “num padrão mais amplo de incidentes envolvendo o uso de armas de fogo em circunstâncias questionáveis durante operações de fiscalização de imigração”.

ONU aponta regime de segregação imposto por Israel na Cisjordânia


Voltar


Comente sobre essa publicação...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *