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Mundo

Suspeito de ataque nos EUA era americano e tinha bandeira do ISIS no carro

Explosão diante de hotel de Trump mata um em Las Vegas

Publicado em 02/01/2025 12:18 - Leonardo Sakamoto (UOL), DW - Edição Semana On

Divulgação Foto: nvemergencymanagement via Instagram

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Um homem matou ao menos quinze pessoas e feriu dezenas em um ataque a uma região turística de Nova Orleans, nos Estados Unidos, na madrugada de 1º de janeiro. Shamsud-Din Jabbar, 42, já havia servido nas forças armadas dos Estados Unidos e tinha uma bandeira do ISIS (Estado Islâmico) no carro.

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Jabbar usou como arma uma caminhonete, atropelando a multidão. O criminosos foi morto, e o FBI, a Polícia Federal dos EUA, investiga o caso como terrorismo.

O atentado segue um modelo de atentados utilizando veículos para atropelar a população em locais turísticos, espalhando morte, pânico e medo. Nice, França (86 mortos, em julho de 2016), Berlim, Alemanha (12 mortos, em dezembro de 2016), Londres, Reino Unido (cinco mortos, em março de 2017; oito mortos, em junho de 2017; um morto, também em junho de 2017 – este último, um atentado contra muçulmanos), Estocolmo, Suécia (quatro mortos, em abril de 2017), Barcelona (15 mortos, em agosto de 2017) e Zhuhai, China (35 mortos, em novembro de 2024) são exemplos de ataques semelhantes. Sem contar os mais de 60 ataques de veículos contra manifestantes do Black Lives Matter após a morte de George Floyd pela polícia.

Esse tipo de ação não precisa de muita preparação, nem produtos especiais, nem logística complexa, nem comando central. Não é necessário treinamento, apenas um carro e um dia cheio de gente.

Em última instância, basta que propaganda extremista encontre eco em mentes perturbadas para que surja um terrorista em potencial, seja ele estrangeiro ou nacional do país, fundamentalista religioso ou supremacista racial. O objetivo é pavor e paranoia, ou seja, criar um ambiente em que a sensação de paz é impossível.

Se dificultam o acesso à pólvora e a explosivos plásticos, criam bombas a partir de produtos de limpeza. Se colocam substâncias químicas na lista de produtos controlados, explodem carros ao lado de mercados, escolas e construções. Se criam cordões de isolamento para proteger edifícios, arremessam aviões. Se aumentam a segurança nos aeroportos, atacam baladas. Se controlam a entrada de pessoas suspeitas em locais fechados, atropelam pessoas na rua, matando indiscriminadamente adultos e crianças, residentes e turistas.

Atentados feitos por atropelamentos escondem uma verdade incômoda. A forma como governos têm articulado o enfrentamento a ataques terroristas, de origem interna ou externa, não foi, não é e nunca será totalmente efetiva no seu intuito. Pelo contrário, a inventividade humana encontra, diante de inócuas proibições, diferentes formas de massacrar em massa os semelhantes.

Basta lembrar que, em 2001, alguém teve a ideia de jogar aviões contra Nova York e Washington DC.

Mesmo se for adotada uma das supremas ignomínias defendidas por políticos bizarros e populistas – excluir uma etnia, cidadania ou religião de determinado território sob a justificativa de segurança nacional – é bem provável que continuarão ocorrendo ataques.

Afinal, não são imigrantes ou uma crença os responsáveis pelo terrorismo, mas discursos e interpretações violentos, que apontam saídas fáceis para situações complexas, que encontram terreno fértil para crescerem e se desenvolverem.

Terreno que, não raro, tem mesma cor de pele e nacionalidade da maioria dos moradores que são alvos de ataques. O terrorista não precisa vestir capuz e casaco de couro pesado, carregando mochilas e tendo comportamento estranho. Mas pode ser seu colega de trabalho, um amigo distante, vestido de roupas leves e coloridas. O que são os ataques a escolas dos EUA perpetrados por jovens brancos a não ser terrorismo interno?

Medidas de combate ao terror têm servido mais para justificar à população dos países que são alvo dos ataques que algo tem sido feito em resposta. Até porque a realidade – que tudo isso de pouco ou nada adianta – é cruel demais e até insuportável para a vida em sociedade. Assumir a verdade significa admitir uma fragilidade e uma vulnerabilidade fortes demais.

Não sabemos a razão do ataque deste Primeiro de Janeiro, mas muitos dos países que são vítimas de ataques são os mesmos que provocaram violência em outros lugares através de intervenções em busca do controle de petróleo ou de inconsequentes cálculos geopolíticos. É um círculo vicioso eterno.

A história da humanidade é uma história de luta por valores, pelo processo de dar significado à vida e ter hegemonia e controle sobre esse significado. E a melhor chance ainda é construir um sistema internacional de respeito à dignidade e aos direitos humanos. Que valha dentro e fora dos nossos territórios.

Nenhuma ação pirotécnica garantirá segurança à população. De um lado, vai vencendo a propaganda ideológica violenta erguida sobre muito ressentimento. E, do outro, vão ganhando terrenos aqueles que desejam que seus Estados façam o que for preciso para garantir segurança. Inclusive tornando-se tão autoritários e tirânicos quanto aqueles que desejam combater.

Explosão diante de hotel de Trump mata um em Las Vegas

As autoridades americanas também investigam a explosão de um veículo em frente ao Trump International Hotel, em Las Vegas, como um possível ato terrorista.

Na explosão, ocorrida às 8h40 (horário local) de ontem (1º), o motorista do veículo morreu e sete pessoas ficaram feridas.

O veículo em questão, um Tesla Cybertruck, tinha estacionado na área de manobrista do hotel e explodiu imediatamente, sem que a causa fosse ainda conhecida.

Uma fonte citada pela emissora ABC News indicou que o veículo trazia em seu interior “uma carga de morteiros tipo fogos de artifício”.

Os investigadores agora estão se concentrando em determinar se o motorista pretendia causar uma explosão e o possível motivo.

Até que a causa da explosão seja determinada, as autoridades consideram-na um possível ato terrorista.

A explosão ocorreu horas após o atropelamento em Nova Orleans.

Musk fala em “bomba ou pirotecnia de alto calibre”

O Cybertruck é uma picape elétrica com uma carroceria de aço inoxidável construída pela fabricante de carros elétricos americana Tesla, cujo proprietário é Elon Musk. O bilionário da tecnologia, que também é proprietário da plataforma de internet X, é considerado um conselheiro próximo do presidente eleito Donald Trump.

Musk, afirmou que a explosão do Cybertruck em Las Vegas foi causada por uma bomba ou pirotecnia de alto calibre.

“Confirmamos que a explosão foi causada por pirotecnia de alto calibre e/ou por uma bomba transportada no porta-malas do Cybertruck alugado”, disse ele em mensagem em sua rede social, X.

Musk garantiu que a explosão “não está relacionada com o veículo em si” e que “toda a telemetria do veículo estava normal no momento da explosão”.

“Parece provável que seja um ato de terrorismo”, disse.

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