Entre em nosso grupo

2

WhatsApp Semana On

21/06/2026 - Desde 2009 informando com qualidade

Nos apoie:

Chave PIX:

19.485.790/0001-70

QR Code para doação

Mundo

Putin adverte Trump sobre riscos globais de nova ofensiva militar contra o Irã

Kremlin menciona “consequências inevitáveis” e reforça papel da Rússia como aliada estratégica de Teerã

Publicado em 30/04/2026 4:24 - Semana On

Divulgação Reprodução

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, fez um alerta direto ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre os possíveis desdobramentos de uma nova ação militar contra o Irã. A advertência foi transmitida após uma conversa telefônica entre os dois líderes e divulgada à imprensa por um assessor do Kremlin.

SIGA A SEMANA ON NO YOUTUBE, INSTAGRAMFACEBOOK, TIKTOK, X E WHATSAPP

Segundo o conselheiro diplomático Yuri Ushakov, Moscou vê como “inevitáveis” os impactos de uma eventual escalada militar envolvendo Estados Unidos e Israel. Embora não tenha detalhado quais seriam essas consequências, Ushakov indicou que elas ultrapassariam o âmbito regional. “Putin destacou as consequências inevitáveis para o Irã e seus vizinhos, mas também para toda a comunidade internacional”, afirmou.

A posição russa reflete a proximidade estratégica entre Moscou e Teerã. A Rússia é considerada um dos principais aliados do Irã no cenário internacional, e Putin tem reiterado a disposição de atuar em favor dos interesses iranianos e de outros países do Oriente Médio. Em declarações recentes, o presidente russo afirmou que pretende intensificar esforços para acelerar negociações de paz na região.

Telefonema expõe prioridades divergentes

A conversa entre Putin e Trump, que durou cerca de 90 minutos, teve como foco principal a guerra na Ucrânia, embora também tenha abordado o impasse envolvendo o programa nuclear iraniano. Trump descreveu o diálogo como “muito bom” e revelou que Putin se ofereceu para colaborar na questão do urânio enriquecido do Irã — um dos principais entraves para um eventual acordo que encerre o conflito envolvendo o país.

Ainda assim, o presidente americano indicou preferência por um maior engajamento russo no cenário europeu. “Eu disse que preferia muito mais que você se envolvesse no fim da guerra com a Ucrânia”, declarou Trump a jornalistas no Salão Oval.

Apesar da insistência de Kiev por um cessar-fogo amplo e incondicional, Moscou mantém uma postura mais restritiva. Putin tem rejeitado propostas desse tipo, optando por sugerir pausas temporárias e localizadas nos combates.

Trégua simbólica no horizonte

Nesse contexto, o líder russo propôs uma interrupção das hostilidades no dia 9 de maio, data que marca a vitória soviética sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial. A iniciativa, segundo o Kremlin, conta com apoio dos Estados Unidos.

De acordo com Ushakov, Putin está disposto a declarar um cessar-fogo durante as comemorações do chamado “Dia da Vitória”, evento central no calendário político e simbólico da Rússia. A data costuma ser marcada por grandes demonstrações militares, embora, neste ano, as celebrações devam ocorrer de forma mais contida por razões de segurança.

A proposta também carrega um peso histórico e geopolítico: enquanto a Rússia mantém o 9 de maio como marco oficial da derrota nazista, a Ucrânia, desde 2023, passou a celebrar a data em 8 de maio, alinhando-se ao calendário adotado por países ocidentais.

O diálogo entre Washington e Moscou, portanto, evidencia não apenas divergências estratégicas sobre conflitos em curso, mas também tentativas pontuais de cooperação em temas sensíveis — ainda que permeadas por interesses e prioridades distintas.

Novo líder supremo do Irã endurece discurso

Em meio à escalada de tensões regionais, o novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, afirmou que o país manterá sob proteção rigorosa sua capacidade nuclear e seu programa de mísseis, classificados por ele como elementos centrais da soberania nacional. A declaração foi divulgada por escrito em comunicado oficial, sem aparição pública do líder.

No texto, Khamenei enquadra essas capacidades estratégicas como parte de um conjunto mais amplo de ativos do Estado, ao lado de fatores simbólicos e estruturais, como identidade cultural, espiritualidade e desenvolvimento científico. Segundo ele, a defesa desses recursos deve ocorrer com o mesmo grau de comprometimento aplicado à proteção das fronteiras territoriais do país.

A mensagem foi publicada por ocasião do Dia Nacional do Golfo Pérsico e incluiu críticas diretas à atuação dos Estados Unidos na região. O líder iraniano classificou como ilegal qualquer tentativa de controle naval no Estreito de Hormuz e voltou a utilizar a retórica tradicional do regime ao se referir a Washington como “Grande Satã”. Também reiterou a rejeição à presença de potências externas no Golfo e no Mar de Omã, que, segundo ele, atuam de forma “gananciosa” e sem legitimidade.

Khamenei ainda projetou um cenário regional sem influência americana, defendendo um futuro voltado ao desenvolvimento econômico e à estabilidade entre os países da região. O discurso reforça a linha política adotada por Teerã de resistência à pressão externa, especialmente em temas ligados à segurança e energia.

O posicionamento ocorre em um momento de incerteza sobre a própria condição física do líder. Desde o início do conflito que vitimou seu antecessor, Ali Khamenei, Mojtaba não foi visto em público. Relatos de fontes internacionais apontam que ele estaria debilitado, o que explicaria a opção recorrente por comunicações escritas veiculadas por agências estatais.

Do lado americano, Donald Trump mantém o programa nuclear iraniano como ponto central de pressão diplomática. O presidente tem condicionado qualquer avanço em negociações a uma renúncia explícita de Teerã ao desenvolvimento de armas nucleares. Em declarações recentes, voltou a questionar a disposição iraniana para firmar compromissos nessa área, intensificando o tom retórico ao abordar o tema em discursos públicos e redes sociais.

A combinação entre endurecimento discursivo em Teerã e pressão política em Washington sinaliza um ambiente de negociação cada vez mais restrito, no qual concessões tendem a se tornar mais difíceis e o risco de novos impasses permanece elevado.

SE FIZER SENTIDO PRA VOCÊ, APOIE O JORNALISMO DA SEMANA ON

Família brasileira morta por Israel buscava pertences no Sul do Líbano


Voltar


Comente sobre essa publicação...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *