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“Não estou mais disposto a permitir que um pedófilo, estuprador e traidor suje minhas mãos com seus crimes”, disse o atirador
Publicado em 27/04/2026 6:45 - Semana On
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O homem que invadiu e efetuou disparos em um jantar de Donald Trump com jornalistas em um hotel em Washington foi formalmente acusado hoje (27) de tentar matar o presidente dos EUA.
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Cole Tomas Allen, 31, foi acusado de três crimes. Além da tentativa de assassinato do republicano, ele também responderá por utilizar arma de fogo durante um crime violento e transportar arma entre estados com a intenção de cometer um crime.
Esta foi a primeira audiência judicial dele. O jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca ocorreu no último sábado (25).
A procuradora federal, Jocelyn Ballantine, afirmou que Allen atravessou vários estados para tentar matar Trump. Ele mora em Torrance, perto de Los Angeles, e estaria com uma espingarda calibre 12, três facas e outras armas.
Allen ainda não se declarou culpado ou inocente das acusações. Se for considerado culpado, ele pode enfrentar uma possível sentença de prisão perpétua. A próxima audiência do acusado será na quinta-feira.
Entenda o caso
Allen foi preso no sábado (25) por efetuar disparos com arma de fogo durante o evento. Ele teria admitido à polícia que planejava atacar integrantes do governo de Donald Trump, porém não foi informado quem seriam os alvos específicos.
Um agente do Serviço Secreto foi baleado durante a ação. Informações da Casa Branca dão conta de que o profissional de segurança está bem e a organização do evento confirmou que não houve outros feridos.
A equipe de segurança retirou Trump e outras autoridades do local às pressas. O vice-presidente J.D. Vance, a primeira-dama, Melania Trump, e o secretário de Estado, Marco Rubio, saíram em segurança após o som de tiros.
O esquema de segurança na entrada do jantar checava apenas os ingressos. Não havia revista no acesso ao hotel. A polícia local informou que o atirador estava hospedado no edifício.
Quem é o suspeito
O atirador trabalhava como professor em meio período na empresa C2 Education há mais de seis anos. A companhia de aulas particulares elegeu Allen como “professor do mês” em dezembro de 2024. No LinkedIn, ele dizia ser professor “por vocação”.
Allen se formou em engenharia mecânica pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia em 2017. Ele concluiu mestrado em ciência da computação no ano passado na Universidade Estadual da Califórnia.
O suspeito doou US$ 25 (cerca de R$ 125 na cotação atual) para a campanha de Kamala Harris, adversária de Trump, em outubro de 2024. O dado consta nos registros oficiais da Comissão Eleitoral Federal dos Estados Unidos.
Trump diz ainda que o homem escreveu um manifesto anticristão. “Quando você lê o manifesto dele, vê que ele odeia os cristãos”, falou à Fox News, acrescentando que familiares já haviam reclamado do comportamento de Allen à polícia.
Pedófilo e estuprador
O presidente dos Estados Unidos, se irritou durante entrevista divulgada no domingo (26) ao ser perguntado sobre um trecho do manifesto atribuído ao atirador em que ele se refere ao mandatário dos EUA como “pedófilo” e “estuprador”.
“Não estou mais disposto a permitir que um pedófilo, estuprador e traidor lave minhas mãos com seus crimes”, diz parte do manifesto obtido pela CBS e lido a Trump durante o programa “60 Minutes”.
Cole Tomas Allen enviou o texto a familiares, por e-mail, minutos antes do ataque. No manifesto, ele expressou críticas ao governo dos Estados Unidos e pediu perdão à família pelo que estaria prestes a fazer
A leitura do trecho que chama Trump de “pedófilo”, durante a entrevista à CBS, irritou o presidente, que reagiu:
“Eu estava esperando você ler isso, porque eu sabia que você leria, porque vocês são pessoas horríveis. Sim, ele escreveu isso. Eu não sou um estuprador. Eu não estuprei ninguém”, responde o republicano. “Eu não sou pedófilo. Dá licença. Eu não sou pedófilo. Você leu essa besteira escrita por algum doente? Eu fui associado a um monte de coisas que não têm nada a ver comigo. Fui totalmente inocentado”, disse Trump à jornalista Norah O’Donnell.
Caso Epstein
Trump tem sido alvo de questionamentos sobre sua relação com Jeffrey Epstein, o empresário condenado por crimes sexuais.
Antes uma promessa de campanha, o governo Trump tem colocado sucessivos entraves à liberação dos arquivos das investigações envolvendo o empresário, de quem o republicano já foi próximo.
“Eu li o manifesto. Sabe, ele é um doente. Mas você deveria ter vergonha de si mesmo por ler isso, porque eu não sou nada disso. (…) Você não deveria estar lendo isso no 60 Minutes. Você é vergonhosa. Mas prossiga. Vamos terminar a entrevista. Você é uma vergonha”, concluiu o norte-americano.
A jornalista Norah O’Donnell tentou sinalizar que as declarações eram do suposto atirador, mas foi sucessivamente interrompida por Trump.
“Quanto ao motivo de eu ter feito tudo isso: sou cidadão dos Estados Unidos da América. As ações dos meus representantes refletem em mim. Não estou mais disposto a permitir que um pedófilo, estuprador e traidor suje minhas mãos com seus crimes. Esta é a primeira oportunidade real que tive para fazer algo a respeito. […] Peço desculpas a todos que foram abusados e/ou assassinados antes disso, a todos que sofreram antes que eu pudesse tentar isso, a todos que ainda possam sofrer depois, independentemente do meu sucesso ou fracasso”, disse Cole Allen em seu manifesto.
“É horrível. Dá vontade de vomitar; dá vontade de chorar por todas as coisas que eu queria fazer e nunca vou fazer, por todas as pessoas cuja confiança foi traída; sinto raiva só de pensar em tudo o que este governo fez”, afirmou na mensagem.
Lula e líderes mundiais repudiam ataque
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, no domingo (26) “repudiar veementemente” o ataque contra Trump.
“Minha solidariedade ao presidente Donald Trump, à primeira-dama Melania Trump e a todos os presentes no jantar com correspondentes em Washington. O Brasil repudia veementemente o ataque de ontem à noite”, diz a nota publicada por Lula nas redes sociais.
“A violência política é uma afronta aos valores democráticos que todos devemos proteger”, acrescentou o presidente brasileiro.
Além de Lula, vários líderes se manifestaram em apoio a Trump. A presidente mexicana Claudia Sheinbaum se disse aliviada por “Trump e sua esposa estarem sãos e salvos”. O premiê indiano Narendra Modi enviou “os melhores votos de segurança e bem-estar” para o casal, ressaltando que “a violência não tem lugar em uma democracia e deve ser condenada inequivocamente”.
Já o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmou que “em democracias, as lutas são travadas com ideias; não há lugar para qualquer forma de violência”. Em Israel, o premiê Benjamin Netanyahu mencionou que ele e sua esposa, Sara, ficaram “chocados com a tentativa de assassinato” de Trump.
Na Europa, Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, conversou com Trump e Melania por telefone neste domingo (26/04). “A violência não tem lugar na política”, salientou.
O presidente francês, Emmanuel Macron, denunciou o ataque como “inaceitável” e expressou “seu total apoio” a Trump. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, também manifestou “total solidariedade e sincera compaixão” e acrescentou: “não permitiremos que o fanatismo envenene os espaços para o livre debate e informação”.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, lamentou o episódio: “tomamos nossas decisões por voto majoritário, não pela força das armas”. Já o premiê britânico, Keir Starmer, afirmou ter ficado “chocado” e disse estar “aliviado” por Trump e os demais presentes estarem em segurança.
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