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Trump declara avanço na guerra enquanto Teerã promete retaliar com força
Publicado em 02/04/2026 10:10 - Semana On
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A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã voltou a pressionar o mercado global de energia, provocando uma forte alta nos preços do petróleo na manhã desta quinta-feira. A valorização ocorre após o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmar que pretende intensificar os ataques contra Teerã, afastando expectativas de um possível cessar-fogo que haviam influenciado o mercado no dia anterior.
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Por volta das 10h20, o barril do tipo Brent — referência internacional — registrava avanço superior a 8%, sendo negociado acima de US$ 109. O movimento representa uma reversão brusca em relação à véspera, quando a commodity havia despencado 14,5%, caindo de US$ 118,35 para US$ 101,16 diante da expectativa de uma trégua que não se concretizou.
A nova disparada é diretamente atribuída ao discurso de Trump, que adotou um tom agressivo ao prometer ampliar a ofensiva militar. Em pronunciamento televisionado, o presidente afirmou que os Estados Unidos intensificarão os ataques nas próximas semanas, acusando o Irã de recusar um acordo nuclear. “Vamos atingi-los com extrema força nas próximas duas ou três semanas”, declarou. Em outro momento, elevou ainda mais a retórica ao dizer que pretende “trazê-los de volta à Idade da Pedra”.
A resposta iraniana foi imediata. Autoridades em Teerã prometeram “ataques esmagadores” contra forças norte-americanas e negaram qualquer negociação em curso para um cessar-fogo, sinalizando a continuidade e possível intensificação do confronto.
No centro da crise está o Estreito de Hormuz, rota estratégica por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial. Desde o início das hostilidades, em 28 de fevereiro, o Irã tem restringido parcialmente o tráfego na região, afetando não apenas o fornecimento de petróleo, mas também o transporte de fertilizantes e plásticos. A limitação no fluxo contribui para o aumento da volatilidade nos preços internacionais da commodity.
Apesar da relevância da passagem, Trump minimizou seu impacto para a economia norte-americana. Segundo o presidente, os Estados Unidos praticamente não dependem do petróleo que passa pelo estreito e não pretendem ampliar essa dependência no futuro. Ele também pressionou outros países a assumirem a responsabilidade pela segurança da rota e sugeriu que ampliem a compra de petróleo norte-americano.
A retórica do governo dos EUA inclui ainda a possibilidade de ataques direcionados à infraestrutura energética iraniana caso não haja acordo. Ao mesmo tempo, Trump declarou que os objetivos militares de Washington estariam próximos de ser alcançados, reforçando a percepção de continuidade da ofensiva.
Desde o início do conflito, a valorização acumulada do Brent se aproxima de 40%. Antes da escalada militar que levou à restrição do comércio na região, o barril era cotado a US$ 72,48. Já no fechamento do pregão anterior, o preço para contratos com entrega em junho havia alcançado US$ 101,16.
A crise também provocou reações no cenário internacional. A China atribuiu a instabilidade no Estreito de Hormuz às ações militares dos Estados Unidos e de Israel, defendendo um cessar-fogo imediato como condição essencial para restabelecer a segurança das rotas marítimas. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning, criticou a escalada e afirmou que soluções militares não são capazes de resolver o impasse.
Na mesma linha, a Rússia se colocou à disposição para mediar uma saída diplomática. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou que Moscou está pronta para contribuir com iniciativas que conduzam o conflito a uma resolução pacífica.
Com a combinação de risco geopolítico elevado, incerteza sobre o fluxo de petróleo e endurecimento do discurso das principais potências envolvidas, o mercado energético segue sensível a qualquer novo desdobramento — e cada declaração oficial tem se mostrado suficiente para redesenhar, em questão de horas, o comportamento dos preços globais.
Trump declara avanço contra o Irã enquanto Teerã promete guerra prolongada
Em meio à intensificação das hostilidades no Oriente Médio, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a ofensiva militar contra o Irã está próxima de atingir seus objetivos estratégicos centrais. A declaração, feita em pronunciamento direto do Salão Oval na noite de quarta-feira (1º), reforça a narrativa de sucesso operacional adotada por Washington — ainda que encontre forte contestação por parte de Teerã.
Segundo Trump, a campanha militar lançada sob a chamada “Operação Fúria Épica” teria avançado de forma significativa na neutralização das capacidades militares iranianas. O presidente descreveu como praticamente eliminadas estruturas consideradas-chave, incluindo a Marinha, a Força Aérea e o programa de mísseis do país. Na avaliação do governo norte-americano, essas ações comprometeriam não apenas a capacidade de defesa do Irã, mas também seu potencial de apoiar aliados regionais e desenvolver armamento nuclear.
A retórica da Casa Branca enfatiza a eficácia da operação e a superioridade militar dos Estados Unidos, com Trump classificando as forças armadas do país como “extraordinárias”. Ele também reiterou que o objetivo central da campanha não envolve uma mudança de regime em Teerã, mas sim a eliminação definitiva de qualquer possibilidade de o Irã desenvolver armas nucleares — meta que, segundo ele, já teria sido alcançada.
Ainda assim, o presidente indicou que a retirada das tropas norte-americanas pode ocorrer em curto prazo. Questionado sobre a duração do envolvimento no conflito, afirmou acreditar que, em “duas ou três semanas”, os Estados Unidos poderão encerrar sua participação direta.
A leitura otimista de Washington, no entanto, contrasta com a resposta iraniana, que sinaliza uma prolongação e intensificação do conflito. Em pronunciamento divulgado nesta quinta-feira (2), o Tenente-Coronel Ebrahim Zolfaqari, porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, rejeitou a narrativa de enfraquecimento militar e prometeu ações “mais enérgicas, abrangentes e destrutivas”.
O oficial afirmou que a avaliação norte-americana sobre os danos causados à infraestrutura militar iraniana é equivocada, sustentando que os principais centros estratégicos permanecem intactos e fora do alcance dos ataques. Segundo ele, as instalações atingidas até agora seriam “insignificantes” diante da capacidade real do país.
A resposta iraniana foi acompanhada por demonstrações concretas de força. Pouco após o discurso de Trump, Teerã lançou uma nova ofensiva — a 89ª desde o início da escalada — no âmbito da “Operação Promessa Verdadeira 4”. A ação incluiu o disparo de mais de 100 mísseis pesados, além de drones e cerca de 200 foguetes, direcionados a alvos israelenses e posições associadas aos Estados Unidos na região.
O tom adotado pelas autoridades iranianas indica não apenas rejeição às declarações de vitória antecipada de Washington, mas também disposição para prolongar o confronto. Zolfaqari afirmou que o conflito seguirá até que os adversários enfrentem “humilhação, arrependimento e rendição definitiva”, em uma retórica que reforça o caráter de confronto total.
Além disso, o discurso iraniano busca evidenciar a dimensão regional do embate, destacando o envolvimento indireto de aliados como o Hezbollah, no Líbano, o Ansarullah, no Iêmen, e grupos armados no Iraque. A menção a esses atores amplia a percepção de que o conflito extrapola a relação bilateral entre Estados Unidos e Irã, assumindo contornos mais amplos no tabuleiro geopolítico do Oriente Médio.
Nesse contexto, a divergência entre a avaliação de Washington — que aponta para um desfecho próximo — e a postura de Teerã — que promete intensificação das hostilidades — reforça a incerteza sobre os rumos do conflito. Mais do que uma disputa militar, o cenário atual evidencia uma guerra de narrativas, na qual cada lado busca afirmar controle e vantagem estratégica diante de um impasse ainda longe de solução.
Irã tenta dissociar conflito da população americana
O presidente Masoud Pezeshkian afirmou que o país não nutre hostilidade em relação à população dos Estados Unidos, diferenciando deliberadamente governos de sociedades civis. A mensagem, divulgada em carta direcionada aos cidadãos norte-americanos, sinaliza uma tentativa de diálogo indireto em meio à escalada militar ainda em curso.
No documento, Pezeshkian contesta a caracterização do Irã como ameaça à segurança global, classificando essa percepção como distorcida e politicamente construída. Segundo ele, a imagem do país como inimigo serviria a interesses estratégicos e econômicos, especialmente na manutenção de estruturas de poder e na justificativa de pressões externas. O presidente também recorre a elementos históricos, descrevendo o Irã como uma das civilizações contínuas mais antigas, numa tentativa de reforçar legitimidade e identidade nacional diante do público internacional.
A carta adota um tom argumentativo ao questionar diretamente os custos e objetivos da guerra para os próprios norte-americanos. Ao levantar dúvidas sobre os benefícios concretos do conflito, Pezeshkian sugere um desalinhamento entre a política externa de Washington e os interesses de sua população. Ele também insiste que Teerã não iniciou as hostilidades, afirmando que o país atua em legítima defesa diante de ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel.
A estratégia discursiva inclui ainda um apelo cultural: o presidente sustenta que a sociedade iraniana historicamente distingue governos de povos, argumento que busca mitigar percepções de antagonismo generalizado e abrir espaço para uma leitura menos polarizada do conflito.
Em mensagem separada, o líder Mojtaba Khamenei intensificou as acusações contra Estados Unidos e Israel, descrevendo-os como atores sem limites morais ou humanitários. Suas declarações reforçam a linha mais dura do regime, marcada por acusações de ataques a civis e danos ambientais durante a ofensiva militar.
Khamenei também evocou episódios específicos para sustentar essa narrativa, como o bombardeio a uma escola na cidade de Minab, no sul do país. O ataque, que teria deixado cerca de 175 mortos — entre estudantes e professores —, permanece cercado por versões conflitantes, mas é utilizado pelo governo iraniano como símbolo da brutalidade atribuída aos adversários.
A atual liderança suprema assumiu o posto após a morte do aiatolá Ali Khamenei, ocorrida no início da guerra. Desde então, Mojtaba Khamenei mantém baixa exposição pública, comunicando-se majoritariamente por meio de declarações escritas — o que alimenta especulações sobre seu estado de saúde.
A coexistência de duas linhas discursivas — uma voltada à tentativa de interlocução com a sociedade internacional e outra marcada pela retórica de enfrentamento — evidencia a complexidade da estratégia iraniana neste estágio do conflito. Enquanto o governo busca disputar narrativas no campo diplomático, a cúpula do regime reforça o tom de resistência, sinalizando que, apesar dos gestos retóricos, a disposição para o confronto permanece intacta.
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